Pirataria e inacessibilidade.

Normalmente não sou a favor de pirataria. Sem sacanagem, a pirataria é uma desvalorização do material. Quando compramos filme original, estimulamos a produção de mais conteúdo. Damos dinheiro para os produtores realizarem mais coisas ou para os distribuidores nos trazer produtos que ainda não foram distribuidos. Mas sou a favor da pirataria em casos específicos.

Como um professor de ética argumentou comigo numa aula, a pirataria é acesso barateado e facilitado à cultura. Por mais que ela seja ilegal, prejudique alguém ou desvalorize o produto, ela é a forma através da qual algumas pessoas conseguem ter contato com uma expressão artística.

Basicamente, cinema é uma arte cara e vendida diretamente para classes sociais mais altas. Para pessoas com menos renda, a pirataria é a solução para conseguir assistir este ou aquele filme do qual todo mundo fala.

Pedir para alguém com salário baixo e cheio de dívidas para pagar quinze reais num ingresso para ver um filme é pedir um pouco demais. Principalmente quando o indivíduo consegue achar promoções de cinco filmes por dez reais na rua. Para ver quantas vezes quiser.

Da mesma forma, acho que uma pessoa que pode pagar tranquilamente o cinema, estacionamento de shopping, lanche, pipoca e tudo o mais que vier com o pacote tem a obrigação de ver filmes no cinema. Se você tem acesso, não deveria estar fazendo da forma que só beneficia a si mesmo.

Agora, quando se trata de home video o assunto é outro. Principalmente no mercado nacional, onde pelo menos um terço das produções estrangeiras não chegam. O número aumenta ainda mais se você não for de São Paulo ou do Rio. Numa visita a uma megastore da vida, vi 50% para vender. Então fiquei triste. Queria ter visto o filme num cinema.

Explorando a Netflix, encontrei Your Sister’s Sister, cujo trailer me deixou muito interessado. Um filme que foi vendido para a imprensa pelo estúdio como merecedor de prêmios. Estava esperando para vê-lo nos cinemas. De repente está na Netflix.

Your Sister’s Sister na Netflix.

Ou melhor, pelo menos está na Netflix. 50% não está lá, assim como Hesher, Hanna e tantos outros filmes pelos quais esperava ansiosamente assistir em uma sala de cinema. Pedir para eu comprar um DVD ou Blu-ray de um filme que nem sei se gosto é pedir demais.

Então preciso percorrer caminhos ilícitos? Procuro opções, como a Netflix. E quando não tem? Aí ferrou. Como disse antes, não sou a favor de pirataria. Por isso mesmo não vi Hanna. Por isso assisti 500 Dias com Ela, Dan in Real Life, Tudo Pode Dar Certo e outros com um ano ou mais de diferença da estréia nos Estados Unidos. Porque as distribuidoras estavam na dúvida se valia ou não a pena lançá-los no cinema ou diretamente no mercado de home video.

Da mesma forma que acho pirataria desvalorização do produto original, acho que as distribuidoras também os desvalorizam com suas políticas de mercado. Quando você consegue ter o Blu-ray de Scott Pilgrim na sua casa dois meses antes de ele estar em alguma sala da sua cidade é porque alguém está fazendo alguma coisa errada. E com alguém me refiro ao distribuidor nacional.

Por isso não julgo quem lida com pirataria, apesar de me manter afastado. Por sinal, se alguém tiver Hesher ou Hanna para me emprestar, eu fico agradecido. Ou se souber de algum serviço estilo a Netflix que tenha esses filmes.

GERÔNIMOOOOO…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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2 respostas para Pirataria e inacessibilidade.

  1. Verônyca disse:

    Existe outro problema em relação a isso. Certos filmes estrangeiros e independentes também são praticamente impossíveis de encontrar para vender em lojas ou em serviços pagos como a Netflix. =/

  2. Pingback: Pirataria e o último dos americanos | Aquela velha onda.

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