Psicose

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Psicose é um filme complicado de se falar. Foram tantas as polêmicas na concepção, com tanta inovação narrativa e tanto sucesso que a história é famosa. Qual o problema com isso? Todo comentário ao filme na cultura popular contemporânea se torna um spoiler de uma das maiores reviravoltas da história do cinema. Como discutir o filme sem falar de seu final?

Marion, em um momento de loucura, decide roubar quarenta mil dólares de uma transação comercial de seu empregador. Durante a fuga, ela sente remorso até se instalar em um hotel de beira de estrada (motel, para os americanos). Lá ela conhece Norman Bates e tem uma conversa que a faz repensar o roubo. Daí pra frente a trama é notória.

Tudo a partir deste ponto não pode ser conhecido pelo espectador de primeira viagem. Ao mesmo tempo, todo o mundo já viu diversas partes do resto do filme. O amigo que me acompanhou na sessão perdeu a suposta surpresa da reviravolta do meio do roteiro. Tudo porque ele já conhece a icônica cena do chuveiro.

Você com certeza já viu essa cena.

Você com certeza já viu essa cena.

Para mim foi ainda pior. Como estudante de cinema, já fui exposto a diversas partes das cenas do filme em sala de aula e em discussões. Eu cresci sabendo o final do filme apenas porque um material extra nas fitas da extinta distribuidora CIC Vídeo falava sobre.

A bem da verdade, Hitchcock mostrou novamente sua genialidade como diretor. São pequenas coisas, como a câmera acompanhando Norman enquanto limpa cuidadosamente a cena do crime da mãe dele. O enquadramento não perde Norman, assim como não perde o jornal no criado mudo. Bem sutil.

A fotografia é um primor. Hitchcock começou no preto e branco, voltar para ele foi quase natural. Sabia como iluminar tudo, desde Marion e seus cabelos loiros até Norman e seus animais empalhados.

A grande surpresa é a interpretação do Anthony Perkins como Norman Bates. Impressionante como ele dominou aquele papel numa época em que pouco se sabia sobre a condição do personagem. Ele passa do extremo da simpatia para o perturbador apenas com uma fala.

Norman Bates. Assustador.

Norman Bates. Assustador.

É um dos grandes exemplos de contracultura da história do cinema. Hitchcock quebrou convenções sem sair do classicismo no qual Hollywood se via presa. Infelizmente, as grandes surpresas do filme simplesmente não surpreendem mais.

 

ALLONS-YYYYYYYY…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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