Última Viagem a Vegas

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Existe uma nova tendência do cinema norte-americano. De repente os estúdios descobriram um novo mercado no público que se encontra na terceira idade. Dentre as produções que reúnem grandes atores mais velhos, chega a versão deles de Se Beber, Não Case.

Quatro amigos de infância na casa dos setenta anos viajam para Las Vegas para a despedida de solteiro do último deles a casar. Juntos, passarão por aprendizados e blablablá.

O grande diferencial de Última Viagem a Vegas é o seu elenco principal. Convenhamos, quem não tem interesse em assistir um filme que une Robert De Niro, Morgan Freeman, Michael Douglas e Kevin Kline? Eu mesmo, não me importava com a história ou com qualquer outra coisa. É bem parecido com Antes de Partir, não importa o filme, só queremos ver aqueles atores interagindo entre si.

O problema é que ao redor dessa interação temos um filme muito fraco. Cada personagem tem um problema existencial específico. Nenhum deles tem um conflito muito relevante com exceção da briga entre os dois principais. Um deles é tratado como um inválido pelo filho, outro odeia a vida que leva com a esposa na Flórida (estado conhecido pela migração dos idosos dos Estados Unidos), os dois principais tem uma rixa antiga por conta de um amor em comum.

Logicamente, o filme vai se focar na briga desses dois. É o grande drama do negócio. Aparentemente o Robert De Niro está bravo com o Michael Douglas por algum motivo relacionado à sua esposa falecida. A história desenvolve isso da maneira mais brega possível. É um festival de piadas relacionadas à diferença entre a idade do quarteto e à vida movimentada da cidade. Daí alguém solta uma fala aleatória que força o melodrama e surge um violino triste.

Momentos cômicos forçados.

Momentos cômicos forçados.

É decepcionante se considerar que o compositor é o Mark Mothersbaugh. Um violino e uns toques de pianos e está feito o draminha do momento. Mesmo com os excelentes atores veteranos não salva. Na primeira cena de Douglas, ele conversa com a namorada feliz e tranquilo. Quando ela sai de cena, o ator olha para baixo triste e pega um papel com um discurso que precisa praticar.

Nas mãos de um bom diretor, essa cena não ficaria ruim. Mas o Jon Turteltaub mostra que só serve para filmes de ação, mesmo. Não faz transição entre os momentos do filme. Corta entre drama e comédia como quem está trocando de sapato e realmente não parece saber o que fazer. Não ajuda ter um roteiro que não está bem escrito e estruturado.

Nem os atores ajudam. Kline e Freeman estão lá só para serem os coadjuvantes cômicos. O filme desenvolve um pouco o drama dos dois principais e volta para os dois em mais piadas. Eles perdem a expressividade e funcionam apenas como os palhaços da vez. Kline já era um grande comediante antes e continua muito bom. Freeman se solta e se diverte. Funciona muito bem para o papel.

Daí temos o Robert De Niro e o Michael Douglas. O primeiro está carrancudo durante grande parte da produção por conta de seu draminha de luto. O segundo quer se divertir entre os amigos e tem um romance forçado com uma cantora.

O problema é que De Niro deve estar carrancudo sempre que sua história desenvolve, mas quando se une com os amigos para alguma situação de humor dos quatro interagindo com a vida da cidade ele deve estar solto e se divertindo. É incoerente. Então sempre que ele está “se divertindo” como na cena do concurso de garotas molhadas, parece que o ator não está confortável.

Os quatro estão acompanhados por uma adorável Mary Steenburgen, que deveria ser adorada como uma veterana tal qual eles. Mas infelizmente fica apenas com o papel da típica mocinha a ser conquistada.

Mary Steenburgen. Atriz veterana é resumida a prêmio a ser conquistada.

Mary Steenburgen. Atriz veterana é resumida a prêmio a ser conquistado.

Ao invés de aproveitar e colocar os quatro interagindo, o roteiro apenas fica nisso. Draminha bobo e comédia sem ritmo. Mas pelo menos a comédia é engraçada. Às vezes. Muitas piadas valem por terem uma boa sacada e pela participação de Kline e Freeman. Mas no geral, nem isso salva a produção.

 

ALLONS-YYYYYYYYY…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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