Como Não Perder essa Mulher

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Como Não Perder essa Mulher é um daqueles títulos feitos para enganar mulheres a levar o namorado para assistir uma comédia romântica. Aconteceu na sessão em que o assisti. Como em muitos dos filmes com títulos dissimuladores, esses casais ou saíram do cinema antes do fim ou saíram reclamando do quanto o filme é ruim. Parece negativo, mas essas reações me divertem muito.

Jon é um jovem norte americano que foca sua vida ao redor de seu físico, sua religião, sexo e pornografia. Um de seus dilemas existenciais é o fato de que o sexo não é tão bom quanto no material erótico que assiste. Tentando conseguir uma garota que venha a fazer todas as baixarias do seu entretenimento pessoal, ele resolve largar os sexos casuais e tenta ter uma relação com compromisso.

Don Jon, o nome verdadeiro do filme, é sobre expectativas. Jon se envolve romanticamente com uma mulher porque espera algo específico dela. Ele demora a perceber que ela também espera algo específico dele. O que ambos não sabem, e algum deles só vai descobrir mais tarde, é que suas expectativas são contrárias.

A ideia por trás de Don Jon é bem simples, levantar reflexões sobre convenções de relacionamento. Enquanto Jon começa a perceber aos poucos que é viciado em pornografia a namorada não tem noção de que a vida de casal não é igual às comédias românticas que são descarregadas constantemente nos cinemas.

Jon com Barbara. Expectativas e falsidade.

Jon com Barbara. Expectativas e falsidade.

Ela espera um homem que venha a fazer tudo o que ela quer e gosta. Ele quer uma transa maluca. Nenhum dos dois sabe que o que querem não é exatamente possível. Barbara, a namorada, acredita que o papel da mulher é transformar o homem em um príncipe. E ela é extremamente eficiente nisso. Sem perceber, Jon está estudando para conseguir um emprego melhor, deixando de fazer as coisas que gosta e sacrificando bastante de sua personalidade.

No meio desses esforços, ele acaba conhecendo por acidente Esther, uma mulher mais velha. Esther começa a abrir os olhos de Jon para o quanto sua vida é superficial e falsa. O sexo é uma farsa, a pornografia é uma farsa, o exercício físico é uma farsa, até as amizades são falsas.

Jon com Esther. Honestidade e cumplicidade.

Jon com Esther. Honestidade e cumplicidade.

Esther faz com que Jon perceba que suas expectativas com o sexo vem de uma imagem forçada constantemente sobre os homens. Do desenvolvimento sexual, ele escala o conhecimento adquirido para todas partes de sua vida.

Tudo isso com uma direção esperta por parte do estreante Joseph Gordon-Levitt, que também interpreta Jon. Com uma trilha sonora bem pobre, ele usa uma montagem rápida que brinca constantemente com a ideia da superficialidade da vida de Jon. Tudo passa em cortes rápidos e insípidos. É proposital, pois acompanha a velocidade com que ele vive a vida sem aproveitar nenhum momento de verdade.

À medida em que Jon descobre que amor não significa planejar casamentos e que sexo pode ser uma forma de interação entre duas pessoas, não apenas um jeito maneiro de atingir o orgasmo, os planos ficam mais longos, mais abertos e mais profundos.

Gordon-Levitt está se mostrando um senhor camaleão. Seu Don Jon é assustadoramente diferente da maioria dos personagens que ele está acostumado a interpretar. A Scarlett Johansson está ótima como a terrível Barbara, uma mulher sensual e assustadoramente falsa. A família de Jon ganha destaque com um Tony Danza amalucado e a Brie Larson roubando a cena praticamente sem falas. Esther ganha com a poderosa Julianne Moore muita empatia e sabedoria.

Não é um grande filme. Tampouco se propõe a ser algo que reinventa a roda. A verdade é que Don Jon é um filme bem simples e pequeno. Mas só por propor às pessoas pensar um pouco além do feio status quo das comédias românticas, já é digno de ser visto por todos os casais que acham que a vida é um daqueles filmes bobos.

 

FANTASTIC…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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Uma resposta para Como Não Perder essa Mulher

  1. Aysla disse:

    Excelente crítica!

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