A Morte lhe Cai Bem

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Após encontrar o sucesso com a trilogia De Volta para o Futuro, o diretor Robert Zemeckis saiu realizando filmes malucos a torto e a direito. Entre suas brincadeiras, apareceu essa reflexão cartunesca sobre o medo de envelhecer e perder a beleza. O que surpreende de verdade é que, mesmo após 21 anos, o filme não envelheceu nada.

Duas mulheres disputam um homem usando de joguinhos sexuais. Depois de 14 anos, descobrem uma fórmula secreta que pode alterar a balança.

Explicar mais é arruinar a experiência. O filme é feito de reviravoltas do começo ao fim. Começa do ponto de vista de uma das mulheres, depois vai para o do homem, depois para a outra mulher. Sempre com uma nova mudança na história.

A ideia é brincar com o culto que se faz à forma e ao corpo. O desespero das duas mulheres em não envelhecer e continuar jovens e bonitas não é exatamente honesto. Na verdade, ambas querem manter o status contra a outra. É uma rivalidade, pura e simplesmente. A beleza não é o verdadeiro objetivo, mas ser mais bonita que a concorrente.

Meryl Streep, levando a rivalidade além dos limites da morte.

Meryl Streep, levando a rivalidade além dos limites da morte.

Para isso, não se importam de manipular, controlar, sacrificar e até mesmo matar. Nada disso importa desde que consigam vencer uma à outra. É onde entra a tal fórmula secreta. Em busca da juventude eterna, não percebem que se manterão vivas mesmo após a morte do corpo. O que significa que permanecerão andando por aí enquanto seus corpos mantém-se com aparência jovem, apesar de estarem em decomposição.

No meio dessa disputa está Ernest. Atraído pelas duas, amoral e um tanto quanto idiota, Ernest não percebe que não passa de um prêmio para qualquer das duas que vencer a disputa. Elas não querem seu amor ou sua companhia, mas o status de seu casamento. Afinal de conta, Ernest é um cirurgião bem sucedido.

A vida eterna conferida às duas, Helen e Madeline (brincadeira com a tradução de inferno e louca de seus apelidos, Hel e Mad), serve de analogia. De que adianta viver para sempre se será uma existência superficial e vazia.

A comédia resulta de muito humor negro e ironias. Principalmente com as mortes das duas. Uma que praticamente perde os ossos do pescoço e a outra que fica com um buraco na barriga. Gera cenas hilárias como a cena na qual Helen senta através de um cabo de madeira e Madeline anda de costas com sua cabeça virada para trás.

Goldie Hawn e seu incômodo "buraco".

Goldie Hawn e seu incômodo “buraco”.

Para que tudo isso faça sentido dentro da ambientação do filme, Zemeckis constrói uma realidade cheia de física cartunesca. Antes de cair de uma escada, uma personagem fica se equilibrando onde é impossível tal qual um dos Looney Toones. Para completar, a sexualidade é igual a desses desenhos, com nudez sugerida provocando os personagens, que reagem de forma exagerada.

Também é fundamental a união da direção de arte com a direção de fotografia. Utilizando estética típica do começo da década de 1990, o filme coloca luzes duras e coloridas que lembram muito neon. Cria um efeito colorido, muito fácil de relacionar com os ambientes de desenhos.

Mas o mais importante são os efeitos especiais. Vencedores de diversos prêmios na época, criam imagens críveis da Madeline com o pescoço parecendo uma borracha e a barriga através da qual é possível enxergar pelo buraco presente ali. O efeito de desenho não impede a sensação de desconforto ao vermos a Meryl Streep com a cabeça ao contrário.

Por sinal o trio de atores principal está sensacional. Goldie Hawn e Streep estão soltas como as duas mulheres invejosas. Bruce Willis parece ter nascido para personagens cartunescos, basta lembrar de sua participação no maravilhoso Moonrise Kingdom. Tem também uma participação surpresa da Isabella Rossellini, que também se diverte no papel de musa sensual, com direito a uma nudez elegante e extremamente sexy.

Comédia memorável da década de 1990. Todos os efeitos especiais continuam muito eficientes e a piada ainda não perdeu a graça. Vale também pela ideia de ver uma tentativa de prever o futuro de atores que estão hoje bem mais velhos do que aparecem no filme.

 

FANTASTIC…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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