Frankenstein – Entre Anjos e Demônios

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Vida de ator deve ser terrível e assustadora. Imagine tentar o sucesso durante anos, então ter seu nome sendo reconhecido aos poucos, fazer um indie que chama a atenção por aí e  que faz com que as pessoas reconheçam seu talento, fazer um dos grandes filmes dos últimos anos e de repente ser obrigado a aceitar fazer uma adaptação de um gibi chamado Eu, Frankenstein.

A trama? Após a morte de seu criador, o monstro de Frankenstein descobre ser alvo de demônios que estão em uma guerra constante com gárgulas protetoras da humanidade. Imagina receber esse argumento e ter que aceitar porque precisa pagar as contas.

É, vida de ator não é fácil. Estou falando de Aaron Eckhart. Sim, o excelente protagonista de Obrigado Por Fumar. Aquele cara que fez um ótimo trabalho em Batman – O Cavaleiro das Trevas como Duas Caras. Que recebeu elogios para todos os lados como o marido da Nicole Kidman em Reencontrando a Felicidade.

Mas as dívidas devem ter alcançado Eckhart. Recentemente ele fez o terrível Invasão à Casa Branca. Antes teve Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles. Será que ele está realmente mudando de foco na carreira? Seguindo o caminho oposto do Matthew McConaughey, que saiu dos filmes comerciais ruins para se revelar um grande ator.

Mas Frankenstein – Entre Anjos e Demônios é o ponto mais baixo de toda essa loucura recente de Eckhart.

Seguindo uma linha de produções que exploram um gosto mais adolescente, Frankenstein é claramente uma tentativa de pegar o público de Anjos da Noite. Seres fantásticos, protagonista com questões sobre sua “humanidade”, roupas modernas sombrias e vários detalhes de couro. Até mesmo um dos atores de Anjos da Noite fazem parte desse filme.

Com essa trama fácil de relacionar a produções do Roger Corman, o filme peca em se levar a sério. Colocar o monstro de Frankenstein lutando contra demônios e gárgulas é tão ridículo que é preciso dos dois, um. Ou um excelente diretor que venha a explorar os aspectos certos, ou não se levar a sério. Infelizmente, não há aspectos técnicos corretos em Frankenstein e tudo é feito com a maior seriedade do mundo.

O que corresponde ao Eckhart falando com voz grossa e cara fechada. A anjos que usam roupas de couro e estão sempre sujos e a uma mocinha cientista gata. Frankenstein luta com armas angelicais e tem uma cena treinando no topo de uma montanha. Dizem que ele tem força e velocidade de um anjo, mas as lutas são bem normais, sem dever nada às coreografias do seriado do Hércules estreado pelo Kevin Sorbo.

Ainda no mundo dos seriados, os demônios possuem próteses para enfeiar seus rostos que são visivelmente falsas, lembrando muito os monstros de plástico que o Angel e a Buffy enfrentavam.

"Depois que Angel acabou, só consegui esse papel."

“Depois que Angel acabou, só consegui esse papel.”

Existem regras para filmes com o padrão de qualidade de Frankenstein. Uma delas é ter sexo e nudez. Mas como o filme é feito para adolescentes, a censura não permitiria e as cenas não existem.

Eckhart está claramente desconfortável fazendo a brincadeira. O ator está acompanhado do Bill Nighy, cuja interpretação parece ser toda entrar no cenário, dizer suas falas e sair. Nighy é só um dos grandes atores atuais, sua interpretação fraca é demonstração de que ele não queria estar ali ou de que o diretor não tem ideia de como dirigir atores.

Ainda dá para se surpreender com a participação da Miranda Otto (eterna Eowyn, da trilogia O Senhor dos Anéis), que infelizmente não faz muito sucesso como atriz. Ela tenta fazer uma atuação convincente para sua rainha gárgula. Mas só o ridículo da frase anterior já explica porque não dá certo. Piora com a péssima presença da Yvonne Strahovsky, que já se revelava uma atriz ruim no seriado Chuck.

A direção de arte coloca umas cicatrizes falsas na cara de Eckhart e pronto. Supostamente é o suficiente para ele se tornar o monstro clássico. Sendo que o ator não é tão mais alto que ninguém do elenco, isso quando ele é mais alto que alguém. Ele ainda está bem apresentável.

Meu criador costurou os abdomens de seis homens diferentes.

“Meu criador costurou os abdomens de seis homens diferentes.”

Frankenstein é um ser feito de peças de corpos de diferentes pessoas. Seu rosto deveria ser uma mistureba de peles e formas, não era para ser um cara loiro com queixo com bundinha. Algumas cicatrizes não vão convencer ninguém de que ele é esse ser. Então o filme chega a uma cena na qual ele tira a camisa para a mocinha. Era o que faltava, Frankenstein gostoso.

O filme termina e fica apenas a péssima sensação de ter visto um filme em que tudo está fora de lugar e nada funciona direito. Mas é preciso admitir que o visual cheio de contrastes e monstros trocando porrada vai agradar os adolescentes.

 

GERÔNIMOOOOOOOOOO…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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