Equilibrium

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Existem teorias muito interessantes sobre o que faz um filme ser bom ou ruim. Será apenas o roteiro? Será a direção? Um bom diretor pode salvar um roteiro ruim ou um bom roteiro sobrevive a qualquer direção porca? Acredito que Equilibrium possui um lugar valioso nessas reflexões.

Depois de muitas guerras que estavam devastando a humanidade, criou-se um remédio que remove os sentimentos das pessoas. Porém, alguns grupos buscam criar uma resistência porque acreditam nos valores dos sentimentos. Para combater essas pessoas, uma instituição militar especial, cujos membros são chamados clérigos, existe para deter tais grupos, além de destruir obras de arte que exaltam os sentimentos.

O melhor dentre os clérigos é John Preston. Após ser obrigado a matar um parceiro por conta de crimes de sentimento, ele acaba parando também de tomar o seus remédios e começa a sentir. Por ser justamente o melhor, ele se torna a maior esperança da resistência.

Clérigo John Preston. Luta por seus sentimentos.

Clérigo John Preston. Fingindo insensibilidade.

O que faz de Equilibrium um caso tão interessante é seu diretor, Kurt Wimmer. Ele é um diretor de filmes de ação. Não é um bom diretor de filmes de ação. Muito pelo contrário, Wimmer é um péssimo diretor de ação. Mas Equilibrium tem um roteiro interessantíssimo. Não é redondinho e tem muitos buracos, mas a proposta é interessante, com direito a muitos momentos que merecem atenção.

Um desses momentos é a cena em que John Preston sente pela primeira vez. Wimmer explora como sentir tem seu valor aos poucos. Começa com a noção de beleza de um belo visual, passa para as emoções de uma música e por aí vai. É tudo feito com muita sensibilidade, apesar de Wimmer não se importar com sutilezas.

O que significa que ele é um bom diretor de cenas dramáticas. Não é um excelente ou grandioso diretor. Apenas é eficiente nesse sentido. O que gera o grande problema de Equilibrium.

Ao mesmo tempo em que temos um filme de ficção-científica interessante, temos um diretor que precisa fazer cenas de ação porque ele gosta. É o que ele gosta em cinema e ninguém pode criticá-lo por isso. O problema de verdade é que, como já disse antes, ele não sabe dirigir ação.

Não tem noção de ritmo, seu método de criar essas cenas são plásticos e não prendem a atenção. Além de que não se importa de quebrar a realidade que ele mesmo constrói para fazer estilização em suas cenas. Então temos cenas ridículas como Preston ficando em pé de forma estilizada na qual a fotografia o faça ficar gigante depois de atravessar uma porta.

Daí fica a dúvida. O roteiro interessante, não exatamente bom, perde quase toda a sua potência com os exageros de Wimmer. Por outro lado, o diretor dá força a este mesmo roteiro com sua sensibilidade.

Belos momentos dramáticos em meio a ação descerebrada.

Belos momentos dramáticos em meio a ação descerebrada.

Também ajuda ter o Christian Bale no papel principal. É uma interpretação muito bonita, apesar de ser cheia de momentos bizarros, pelos quais culpo a direção. Emily Watson, William Fichtner e Sean Bean acrescentam à lista de motivos pelos quais tais cenas funcionam. Principalmente Watson, que está mais bonita que nunca, além de ser uma potência dramática, ofuscando até Bale quando aparece em cena.

Acho que o principal motivo pelo qual Equilibrium é um filme interessante para se refletir é o fato de que nem o roteiro, nem o diretor são bons. Mas ambos conseguem gerar boas cenas em grande parte da projeção. Às vezes, para ser um bom filme, basta ter uma convergência de qualidades na hora certa, não apenas um bom roteiro ou um bom diretor.

 

GERÔNIMOOOOOOO…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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