Fora do cinema – Devil is a Part-Timer

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Adoro animes e mangás. Simplesmente adoro. São um contato com uma cultura extremamente diferente com muita honestidade. Suas relações com aspectos básicos da natureza humana são interessantes por permitirem entender um novo ponto de vista sobre conflitos comuns. Devil is a Part Timer despertou interesse por se tratar de um detalhe da nossa cultura, mas no estilo japonês.

Como o próprio título americano (ainda não existe versão oficial brasileira) sugere, trata-se do diabo. Espécie de representação do mal maior no ocidente, lá ele ganha espaço para ser analisado com mais humanidade apenas porque os japoneses não são educados a vê-lo como um monstro todo maldoso.

O desenho começa com uma guerra em uma dimensão paralela à nossa, na qual um demônio maior chamado Satanás é obrigado a fugir. No desespero, ele acaba acidentalmente em uma Tóquio moderna sem seus poderes. De um ser enorme com características inumanas, ele passa a ser um jovem magro nos seus vinte anos. Para poder ascender entre os humanos e voltar para a terra de onde veio, ele resolve começar por baixo. Mais especificamente como um atendente de uma franquia chamada McRonalds.

Universo paralelo. Figurinos e imagens belíssimas.

Universo paralelo. Figurinos e imagens belíssimas.

A proposta é, obviamente, ser cômico. E como um bom anime, ele a realiza com maestria ao colocar contrastes entre as figuras místicas e seus novos papéis humanos. Ver o diabo caindo de fraqueza na rua apenas porque não sabia que o corpo humano é dependente de alimentação é hilário.

Mas a história não demora a demonstrar que existe algo a mais no meio disso tudo. Rapidamente, o diabo passa pela nossa tão comum experiência humana. Acordar cedo para trabalhar, se esforçar para se destacar, economizar para pagar todas as contas. E então, sem que ele mesmo perceba, passa a ser uma boa pessoa.

Simples assim. Entender o que é ser humano o faz gostar dos humanos. Analisando a mitologia do desenho é possível perceber que ele nunca foi realmente mau, apenas mal informado.

A protagonista do negócio é uma humana da dimensão de Satanás. Ela era a grande heroína, filha de um humano com uma anja, e também a única capaz de derrotá-lo. Seu nome é Emilia e ela veio para nosso mundo atrás de seu inimigo mortal. Porém, assim como ele, perdeu todos os poderes na travessia.

Emilia quase sem poderes.

Emilia quase sem poderes.

Ela passa a viver em uma espécie de convívio forçado com Satanás até que esteja em condições de matá-lo novamente. Pouco a pouco ela vai se convencendo de que ele realmente virou uma boa pessoa. O problema é, como aceitar essa bondade e perdoá-lo se ele matou seu pai além de inúmeros humanos.

É uma reflexão espetacular. Uma vez vi em uma exposição um vídeo de um homem dizendo que é impossível perdoar certas atrocidades. E convenhamos, como perdoar o diabo? Nossa querida cultura ocidental vende a ideia do maniqueísmo e de que o mal não deve apenas ser combatido, como também nunca deve ser perdoado.

É irônico ver essa reflexão justamente na cultura de onde sempre ouvimos a famosa frase “Nunca o perdoarei”. Mas a reflexão é válida. Depois de seus treze episódios (sem notícias se haverá ou não continuidade para a história) passam os créditos finais e uma cena após que fecha esses pensamentos.

A animação é um primor, apesar de lembrar constantemente animes mais bobos e cômicos no mesmo estilo. Nos momentos de ação enche os olhos e os contextos prendem a atenção constantemente.

Recomendo muito justamente porque não lembro de jamais ter visto qualquer coisa que trate do tema dessa forma. Só por isso já é mais válido que a maioria das coisas que somos obrigados a ver por aí.

 

GERÔNIMOOOOOOOO…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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