300 – A Ascensão do Império

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Em 2007, para delírio de alguns e desespero de outros, chegou aos cinemas 300. Baseado nos quadrinhos do aclamadíssimo Frank Miller, o filme, do diretor Zack Snyder, inovou pela forma de narrativa e pelas cenas de ação extremamente coreografadas e em câmera lenta. Agora, sete anos depois, ganha uma sequência.

Com a direção praticamente desconhecida do israelense Noam Murro, 300 – A Ascensão do Império tem roteiro baseado em outro quadrinho de Frank Miller, o ainda inédito Xerxes. Apesar de conter vários flashbacks, a maioria da história se passa paralela com a do primeiro filme da franquia onde Leônidas (vivido pelo quase sempre impecável Gerard Butler) enfrenta o exército de Xerxes (Rodrigo Santoro) com apenas 300 homens.

No segundo filme o foco de herói cai para o pouco carismático Themistocles (Sullivan Stapleton), que tenta reunir os exércitos de toda a Grécia para se defender do ataque do “rei-deus”, Xerxes. O exército de persa, aliás, é liderado pela impiedosa Artemisia (Eva Green).

Artemisia e seu exército persa.

Artemisia e seu exército persa.

Apesar de ser uma das estreias mais esperadas de 2014, o filme deixa a desejar em alguns aspectos. O mais explícito deles é o roteiro de Kurt Johnstad e Zack Snyder, que se mostra um tanto vazio e com falas que mais parecem tiradas de séries de tv dos anos 80. Cheio de clichês, o texto fica evasivo e a produção parece apelar para as sequências de ação abarrotadas de efeitos especiais. O filme não fica ruim por causa do 3D, mas algumas vezes os personagens se perdem em meio à bagunça. É o caso, por exemplo, do personagem de Sullivan Stapleton, o herói da história. Sem carisma e empatia, o herói  Themistocles parece sumir em algumas cenas.

Porém, para sustentar um roteiro um tanto fraco, as atuações dos grandes vilões da história surpreendem. O brasileiro Rodrigo Santoro, que encarnou novamente o persa, se destacou mais uma vez em uma atuação expressiva. A decepção é que seu personagem, mesmo sendo a principal junção entre os dois filmes, não aparece tanto quanto os outros e, infelizmente, perde como vilão para a mais marcante, Artemisia.

Rodrigo Santoro se destaca em comparação com o original.

Rodrigo Santoro se destaca em comparação com o original.

A vilã grega de “coração persa”, como a própria se define, se mostra muito mais densa e complexa do que o próprio Xerxes. Ela busca uma vingança desenfreada e cruel – muitas vezes brindada com cenas um pouco grotescas – com uma justificativa plausível em seus próprios termos. Na pele da impiedosa Artemisia, a francesa Eva Green vem com uma atuação madura e muito firme. Talvez até mais expressiva do que Santoro. Green consegue transmitir toda a fúria misturada com mágoa da personagem. Realmente, a atriz, que ganhou destaque em Cassino Royale, se supera nessa atuação.

Portanto, 300 – A Ascensão do Império não é um filme ruim, ou um que não tenha méritos para quem o assista. A película simplesmente não alcança o sucesso de sua antecessora, mas vem pra divertir e dar aquele gostinho de “quero mais” às dramatizações dos quadrinhos de Frank Miller.

Sobre Diana Tavares

*Crônicas baseadas em fatos reais*
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