Crise financeira de 2008

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A arte é uma representação do tempo em que é realizada. Isso é um fato tanto no cinema quanto em qualquer outra mídia. Uma das formas de compreender isso é analisar os contextos socioculturais refletidos em filmes atuais. Um dos contextos recentes mais influentes na cultura global foi a quebra da bolsa de valores de 2008.

Eu já falei um pouco sobre contextos sociais refletidos em filmes em um texto sobre as manifestações do ano passado. Mas falar sobre a crise de 2008 é interessante também porque é bem mais visível que o contexto puramente brasileiro porque a crise teve repercussão global.

Para quem está desinformado, em 2008 os Estados Unidos teve uma crise financeira devido a uma quebra do mercado imobiliário. A crise foi tão forte e cruel que ela ainda dura até os dias de hoje e teve repercussões negativas em diversos países da Europa. Especulou-se se a crise chegaria ao Brasil, mas suas consequências por aqui foram mínimas. Tirando o fato de que mais brasileiros começaram a viajar para os Estados Unidos para fazer compras.

Basicamente, os estadunidenses estavam abrindo hipotecas demais de seus bens imóveis e comprando muitos terrenos e apartamentos até que o mercado não aguentou e levou toda a bolsa de valores abaixo consigo. Basta verificar a história recente do Nicolas Cage. Ele tinha investido milhões de dólares em imóveis por conta da baixa flutuabilidade. Em 2008 ele perdeu tanto dinheiro que passou a mendigar papéis para seus contatos na indústria de cinema, gerando a sua péssima reputação como ator nos últimos seis anos.

"Dá um papel no seu filme?"

“Dá um papel no seu filme?”

Pouco tempo depois, os cinemas começaram a ver diversos filmes que tratavam do assunto ou que tiveram influência da crise. Antes, é preciso dizer que o mercado de cinema foi influenciado de maneira positiva pela crise. De acordo com a opinião de especialistas, os estadunidenses começaram a ir com mais frequência ao cinema para esquecerem dos problemas financeiros pelos quais estavam passando.

Primeiro vieram os filmes feel good. O melhor exemplo foi Sim, Senhor. A comédia com o Jim Carrey foi feita para atender às pessoas que queriam esquecer da crise. Literalmente, o produtor inglês David Heyman (famoso pela franquia Harry Potter e por Gravidade) admitiu em entrevistas que o “americano” precisava se divertir em decorrência dos eventos econômicos e das tragédias pessoais. Ele conseguiu até permissão da J. K. Rowling para fazer piadas com a franquia que ela criou e ele adaptou para os cinemas.

Depois vieram os filmes que falavam sobre o mercado financeiro. Alguns tratavam diretamente da crise e outros apenas do mercado. Basta pensar um pouco que algum filme sobre a bolsa de valores vem à mente. Até o terceiro Batman do Christopher Nolan teve referência ao assunto.

Teve para todos os gêneros. Até comédias românticas. O péssimo Delírios de Consumo de Becky Bloom mostrava uma mulher viciada em compras passando por sua própria crise e sendo obrigada a trabalhar como jornalista financeira. O filme deveria ser o primeiro de uma franquia que iria alçar a ruivíssima Isla Fisher ao estrelato. Mas ficou apenas no esquecimento com essa primeira produção ruim.

O Oscar recente praticamente ignorou O Lobo de Wall Street. O filme não é sobre a crise em si, mas o interesse de Martin Scorsese na produção se deu, em parte, pelo fato de o tema estar tão em voga na cultura estadunidense.

Mas os mais importantes são filmes que tratam da crise em si. Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme é o retorno do Oliver Stone ao seu clássico personagem Gordon Gekko para falar sobre os inúmeros suicídios que ocorreram na época. O documentário Trabalho Interno trata diretamente dos motivos para a crise. O filme Margin Call – O Dia Antes do Fim mostra as 24 horas antes da crise dentro de um escritório da bolsa. Capitalismo – Uma História de Amor é o ponto de vista do Michael Moore sobre a bolsa e a crise.

Shia Labeouf e Michael Douglas na continuação de Wall Street.

Shia Labeouf e Michael Douglas na continuação de Wall Street.

Isso tudo excluindo os filmes europeus sobre o ponto de vista daquele continente. Houveram filmes gregos, portugueses e franceses sobre o assunto. Se o seu interesse for descobrir um pouco mais sobre os tempos em que vivemos e, quem sabe, uma vindoura crise financeira no Brasil, vale a pena assistir essas produções.

 

FANTASTIC…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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