Fora do cinema – Lei & Ordem: Unidade de Vítimas Especiais

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É apenas mais uma daquelas séries de investigação policial. O que faz com que esses tipos de show sejam interessantes é algum diferencial específico. No caso desse spin-off de Law and Order, o que prende são os tipos de casos investigados. Como o nome sugere, trata-se de vítimas diferenciadas, pessoas que passaram por alguma agressão sexual ou crianças. O que leva a crimes complexos e com temática extremamente pesada, como estupro e pedofilia.

Com esses tipos de vítimas, nada melhor que ter como dupla principal um pai de família e uma mulher filha de um estupro. Isso faz com que os dois se envolvam emocionalmente com metade dos casos. Mas o que realmente faz com que Unidade de Vítimas Especiais seja tão interessante é o melodrama com muito horror humano.

Existe algum tipo de masoquismo em acompanhar uma investigação na qual um pai sequestrou a filha e passou anos abusando dela em segredo. É um horror assustador e que toca profundamente. Muito mais que em outras séries policiais. Por isso mesmo vale avisar, não é pra qualquer um.

Os episódios seguem um padrão específico. Uma cena que cria suspense para distrair o espectador do crime que dará gancho para o episódio. Os detetives começam a investigação que passa por diversas reviravoltas envolvendo tragédias pessoais e familiares. Todo episódio tem uma mensagem panfletária. No meio do caminho, sempre haverá uma cena na qual os personagens tem uma discussão na delegacia explicando toda a trama com os detetives descobrindo o que algumas das pistas significam, a discussão do episódio e algumas piadinhas cretinas.

Daí surgem coisas muito boas e outras muito ruins. Um dos episódios resolve assumir uma mensagem a favor de tratamentos contra a AIDS. Então, em certo ponto temos um advogado de defesa tentando convencer um júri de que a doença não existe. É uma proposta tão maluca que fica impossível acreditar no que se vê na tela.

As cenas de abertura tendem a forçar tanto na distração que também já começam os episódios de forma errada. E algumas das tragédias familiares das tramas também tendem a cair em melodramas exagerados. Não me incomodo com melodrama, o problema é quando o episódio parece uma novela.

Por outro lado, quando todos os elementos são feitos da forma correta, surgem episódios superiores a muitos filmes policiais. As tramas vão tratar de transexuais agredidos ou agressores, pessoas com deficiência sofrendo abuso, pais que se aproveitam de seus filhos, pais separados de seus filhos. Alguns dos melhores episódios de toda a série são de um tal de Juan José Campanella. O argentino passou uma temporada em Nova Iorque trabalhando na série e então voltou para seu país natal onde usou da experiência para fazer O Segredo de seus Olhos, pelo qual ganhou prêmios por todos os lados.

Um dos episódios do diretor acompanha o julgamento de um garoto que pretende trocar de sexo. A discussão envolve se ele deve ser colocado em um presídio masculino ou feminino, uma vez que ainda é um homem biologicamente falando, mas já se parece com uma mulher graças aos coquetéis de hormônio que toma. Outro episódio mostra um grupo de garotas com síndrome de Down revelando que foram estupradas por alguém que conhecem em comum.

É pesado, incomoda e pode causar muita revolta no espectador. Mas o fato é que casos como esses existem de verdade. Muitos dos episódios são inspirados em fatos reais. É interessante saber como as pessoas que existem ao nosso redor podem ser terríveis e assustadoras ao mesmo tempo em que a série pode levantar reflexões atuais e importantes. Acima de tudo, o Special Victims Unit é muito envolvente e vicia.

 

ALLONS-YYYYYYYYY…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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