1001 Filmes – #13 e 14 Dr. Mabuse e Nanook, o Esquimó

Dr. Mabuse

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Dr. Mabuse é um dos grandes clássicos de um dos meus movimentos favoritos do cinema. Após a Primeira Guerra Mundial e antes do início da Segunda, a Alemanha passava por um período sombrio. Com sua moral estilhaçada pela derrota e submissão internacional, a arte do país passou a representar os problemas sociais e políticos que surgiram a partir daí. Era o Expressionismo Alemão que foi tão importante para o cinema dali em diante.

Já falei um pouco sobre o movimento em O Gabinete do Dr. Caligari, que é talvez a maior representação da escola. A temática é relativamente semelhante. Um super criminoso perito em hipnose, disfarces, ilusionismo e psiquiatria assombra a Alemanha. Na sua cola, e de sua quadrilha, está um promotor com a intenção de impedir seus crimes.

Seguindo o Expressionismo, o vilão é um reflexo da Alemanha da época. Logo na abertura, Mabuse usa um plano elaborado para roubar um acordo econômico entre a Suíça e a Holanda. Causa um caos no mercado imobiliário e fica rico da noite para o dia. Daí em diante são golpes em casas de apostas, falsificação de notas estrangeiras, sequestros e assassinatos.

Ao falsificar dólares ao invés do marco alemão, Mabuse evidencia que o dinheiro estrangeiro falso vale mais do que o dinheiro do país. O personagem é a encarnação do mal que afligia o país. Ele manipula suas vítimas e seus perseguidores com facilidade e não se importa com ninguém que está do seu lado (descartando, inclusive, sua amante).

Ao final, ele próprio sucumbe às várias identidades que criou e entra em um delírio no qual é confrontado pela sua própria maldade em uma sequência impressionante na qual o cenário ganha vida e ataca o vilão.

É onde outra característica típica do Expressionismo é usada. Cenários ameaçadores, direção de arte representativa, fotografia que emana sombras ameaçadoras sobre os personagens e a maquiagem que faz com que os olhos ganhem destaque.

O filme é dividido em duas partes, cada uma com duas horas de duração. Recomendo assistir separadamente com algum tempo entre elas. Ser um filme mudo causa um cansaço quando se trata de uma produção de quatro horas de duração.

Dr. Mabuse é o primeiro de uma franquia, que ganhou duas continuações realizadas pelo próprio Fritz Lang. São O Testamento do Dr. Mabuse e As Mil Faces do Dr. Mabuse.

A primeira parte do filme.

A segunda parte.

 

Nanook, o Esquimó

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Nanook é um caso importante a ser estudado na história do cinema. Robert J. Flahert trabalhava na fronteira Estados Unidos/Canadá. Por conta disso, estava constantemente em contato com os inuítes (nome adequado para o que chamamos de esquimó). Alguém deu-lhe a ideia de levar uma câmera de cinema em uma de suas viagens para capturar a vida deles. Surgiu daí o que muitos consideram ser o primeiro documentário.

Pensando em como representar a vida local, Flahert estudou como a linguagem narrativa do cinema funcionava. Então escalou um herói entre os inuítes para protagonizar seu filme. Chegou na tribo e perguntou para eles qual era o inuíte mais forte e mais corajoso. Nanook foi apontado. Daí em diante, Flahert buscou retratar a vida de Nanook e sua família por uma semana.

O questionamento em relação ao fato de ser o primeiro documentário se dá por dois motivos. O primeiro é pelo fato de que os primeiros usos de câmeras capturavam trens chegando em estações, leões rugindo e trabalhadores saindo de fábricas. Esses vídeos de, no máximo, quatro minutos podem ser considerados os primeiros documentários. O segundo motivo é relacionado ao fato de que Flahert fez com que Nanook e sua tribo encenassem diversos momentos da produção.

Em certas cenas é visível que as pessoas filmadas estão sendo orientadas por Flahert. Porém, também é fácil de ver em certas cenas que a interação de Nanook com sua família é honesta e até capaz de emocionar.

O filme se propõe a representar o cotidiano daquelas pessoas. A caça às morsas e as intempéries fazem parte do dia a dia de Nanook. O filme termina com o “herói” e sua família caminhando no meio de uma nevasca. O final se tornou emblemático quando foi revelado que eles haviam de fato morrido em uma tempestade semanas depois da filmagem.

Nanook também ficou famoso pelas dificuldades enfrentadas para sua filmagem. Rolos de câmera congelados, imagens dos aparelhos cobertos por cobertores para enfrentar o frio e outras inventividades fazem parte do legado da produção.

Apesar de ser curto, Nanook ainda é um documentário mudo. Certamente não é o meu gênero favorito, então falo sem medo que acho chato. Mas é importante para a história do cinema e deve ser visto.

O filme.

GERÔNIMOOOOOOOOOO…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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