Mulheres ao Ataque

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Li uma entrevista certa vez com um diretor de fotografia de um filme com muitas mulheres. De acordo com ele, o papel do profissional de sua carreira em um filme do estilo é descobrir qual a iluminação que deixa cada uma das atrizes individualmente mais bonita e depois o desafio é fazer com que a iluminação deixe todas bonitas em um mesmo take. A impressão que fiquei é a de que foi este o cara que trabalhou em Mulheres ao Ataque.

Na trama, esposa (Leslie Mann) e amante (Cameron Diaz) descobrem que foram enganadas pelo mesmo homem (Nikolaj Coster-Waldau). O choque inicial as transforma em amigas. Com o tempo descobrem uma segunda amante (Kate Upton) e as três se unem para se vingar. O filme se presta a tratar de mulheres modernas entre os trinta e os cinquenta anos de idade em um mundo que pode ser bastante cruel com elas.

Carly é uma advogada bem sucedida de uma grande firma em Nova Iorque que trabalha com direito empresarial. Fica bem claro que é uma mulher segura, em boas condições de vida, bonita e moderna. Quando conhece o elegante, fino e inteligente Mark, ela não se preocupa em conhecê-lo melhor. Seu interesse inicial é apenas um pouco de sexo de qualidade. Mas o homem logo se revela um companheiro maravilhoso, que consegue acompanhar seu estilo de vida de alta classe. O que era apenas um caso de uma noite vira um relacionamento com direito a muito romantismo. Até que decide fazer uma surpresa para ele e conhece sua esposa.

Kate é uma dona de casa que abandonou as chances de seguir carreira para que o marido pudesse seguir a dele. Ela é a típica housewife suburbana dos Estados Unidos. Vive em função do marido e da casa e sempre usa roupas com desenhos e tons florais. Assim que descobre Carly, perde toda e qualquer noção de compostura.

O choque entre as duas é imediato. Carly é uma mulher poderosa e autossuficiente e Kate é completamente dependente do marido. Uma começa a revelar a faceta oculta da outra. Carly pode ser e ter tudo o que conseguiu, mas por dentro ainda fica terrivelmente magoada com a enganação, e a única pessoa para quem se permite revelar esse lado falho é Kate. Enquanto isso, Kate aprende com Carly como ser uma mulher na faixa dos quarenta anos solteira e independente.

É quando o filme mais acerta. Coloca dois opostos em contraste e os faz refletir um no outro. Tudo equilibrado com um tanto de comédia pastelão que surge sempre que as duas se deixam perder por conta da ruína de seus mundos. Seja com Kate invadindo o apartamento de Carly no meio do dia para lhe dar uma ressaca, seja com Carly levando a Kate para sair em locais de grande status. O drama e a transformação das duas envolve e a comédia faz rir.

O problema é quando elas conhecem a terceira integrante do grupinho da vingança. Amber tem 22 anos, seios gigantes, poucas falas e a inteligência de uma porta. O propósito dela na trama é bem óbvio, levantar mais questões sobre a idade das duas principais. Mas é justamente quando ela entra em cena que a tal vingança começa. Ao invés das três tentarem seguir adiante e se ajudar em conjunto, elas deixam claro que suas vidas precisam ser definidas por esse cretino que as enganou.

maxresdefaultA participação da Kate Upton pode ser resumida na imagem acima.

É também nesse momento que a parte pastelão do filme começa a extrapolar. O que eram momentos bem dosados viram cenas malucas como a em que Kate chuta Carly por uma janela e ela atravessa uma armação de madeira. Essa escalada das gags aumenta até chegar no clímax, quando o diretor Nick Cassavetes decide que a vingança elaborada não é suficiente. Então coloca Mark passando por uma série de castigos físicos bizarros e ilógicos em uma cena ridícula. Principalmente quando é bem óbvio que Mark é um sociopata. Ele não se importa com nada nem com ninguém além de si mesmo. Não sente um pingo de remorso por nada que fez e, se pararmos para analisar, não termina o filme se dando tão mal. Apesar dos absurdos visuais e físicos apresentados na cena final.

910d581b5499cde6aaa1fd62699fc20dNikolaj Coster-Waldau. Elegância e um tantinho de sociopatia.

O elenco é a grande atração da comédia. Cameron Diaz é brilhante no papel da mulher poderosa, mas na hora de perder as estribeiras ela é engolida pela Leslie Mann. Mann consegue brilhar na hora de fazer comédia e na hora de fazer drama. É impressionante como ela é boa atriz. O Nikolaj Coster-Waldau já se provou um grande ator, mas fazendo o sociopata rico de Nova Iorque ele é simplesmente ótimo. Usa ternos e carros caros sempre com o cabelo arrumado e com uma elegância digna de agentes secretos britânicos. Infelizmente ele se permite perder o rumo na comédia absurda no final do filme. O grande problema mesmo é a Kate Upton. Como atriz, ela se revelou um belo par de seios. Literalmente, o filme usa e abusa dessa característica dela apenas porque pode, mas como atriz é uma negação pura.

Incomoda muito ver um filme que seguia um caminho de personagens femininas tão interessante descambar para uma palhaçada definida pela presença de um macho. Principalmente quando temos duas atrizes reconhecidas e cuja presença feminina é tão forte. Ainda assim, na primeira metade é um filme muito divertido e interessante.

 

ALLONS-YYYYYYYY…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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