Fora do cinema – How I Met Your Mother (parte III)

himym

How I Met Your Mother é uma série construída com inúmeras sacadas que são simplesmente brilhantes. A proposta força os roteiros a serem sempre originais, apesar de haver diversos episódios nos quais existem enrolações puras. São quase duzentos episódios que encerram uma história fechada. Seria absurdo esperar que todos fossem bons.

O todo da série se passa em uma conversa entre um pai e seus dois filhos. O negócio é que essa conversa resume oito anos da vida deste pai. A conversa explica como ele conheceu a mãe dos meninos a partir de um momento anos antes quando um casal de amigos noivou e ele conheceu uma das tias das crianças.

Daí vem o primeiro aspecto de genialidade. Desde o primeiro episódio, o destino final já está traçado. Os criadores sabiam como a jornada de Ted em busca de sua esposa acabaria. Então fica óbvio, tudo o que aconteceu no começo deve ser a chave para o final. Só por isso já temos uma pista de um roteiro bom.

Além disso, como a história é contada pelo ponto de vista de alguém lembrando de algo de décadas antes, diversos elementos são ocultados ou transformados de forma a refletir como não lembramos de todos os detalhes das coisas que aconteceram em nossas histórias. Principalmente quando parte das histórias não aconteceram com Ted. Então muitos eventos são histórias contadas por um homem que as ouviu de outras pessoas. E a série não perde tempo em abusar disso. Seja na descrição de como Marshall e Lily fugiram de um encontro com outro casal pulando por uma janela vários andares acima do solo, seja nos exageros de como Barney explica suas conquistas amorosas.

Além disso, diversos episódios vão contando uma história até que param no meio, quando Ted percebe que esqueceu de contar coisas importantes e volta no tempo para contá-las. Algo com que todo mundo deve se identificar. De vez em quando os roteiristas tem algumas ideias muito inspiradas na forma de usar esse recurso. Em um episódio, a história é contada várias vezes, sempre em um cômodo diferente de uma casa. Em outro, a história se passa toda sob o ponto de vista do Marshall, que estava fora da cidade e vai se inteirando dos acontecimentos ligando para cada um dos amigos por vez.

O humor segue a cartilha de sitcoms, com direito aos personagens se rebaixando a momentos ridículos e vergonhosos. Mas existe um motivo narrativo para essas situações, elas não surgem apenas pelo bem das piadas. Parte vem da forma como Ted conta a história, mas grande parte vem do fato de que os personagens estão, normalmente, bêbados e são pessoas que não gostam de se abrir sobre seus sentimentos. Então não é raro ver a Robin esconder sua tristeza com copos de uísque, o Barney esconder ressentimento atrás de uma transa, Lily mentir para o marido para esconder seus problemas com ele e por aí vai. Com o tempo, os sentimentos omitidos ficam fortes demais e eles entram em situações ainda mais exageradas e engraçadas.

Além disso, os diálogos são muito bons. Parecem conversas que ocorrem todos os dias na vida das pessoas. Somando isso com conflitos altamente identificáveis e personagens extremamente simpáticos, a série é simplesmente divertida.

Além do que, o show se propõe a ser um contraste com coisas como Friends. Em certo ponto, os personagens resolvem ir a um café. No lugar, falam mal de quem vai passar o tempo em cafés. E é justamente a comparação que gosto de fazer. Em Friends, as pessoas se encontram em uma cafeteria, enquanto em How I Met Your Mother eles se encontram em um bar, bebendo cerveja e uísque. A fotografia é mais sombria, os tons são mais escuros e os personagens mais escusos.

Por isso a série é mais adulta também. Diálogos sobre sexo em diversas posições, enganações e trapaças são extremamente descritivos. Principalmente quando o Barney está se vangloriando de algum sexo oral que conseguiu ou de alguma mulher que ficou de quatro pra ele.

Mas o que fez a série ser realmente brilhante foi o final. Na jornada para chegar a ele, a trama se ramifica cada vez mais, abrindo mil e uma pontas que vão, em sua maioria, levar ao momento tão esperado, quando Ted finalmente conhece sua esposa. Principalmente porque o final se dá com um twist. Sem grandes enganações. A série parece estar seguindo um caminho, mas se prestarmos atenção, ela diz constantemente que a verdade é outra além da que aparenta. Quando o final chega, é surpreendente, mas ainda faz sentido dentro do todo. E fica ainda melhor quando ele quebra o padrão que se espera e faz um discurso contra a ideia do amor ideal. Mas decorrer sobre o tema é falar demais.

A série não foi perfeita. A partir da sexta temporada eles vão perdendo o ritmo. Chegando ao ápice de fazer com que a oitava temporada seja quase toda feita de extrapolação das gags perdendo o sentido do universo construído.

O ator principal, Josh Radnor, que interpreta o Ted é terrível. O cara é tão ruim que lá pelas tantas eu já não me importava com ele ou com quem seria a futura esposa do personagem. Em contraste, Neil Patrick Harris, que deveria apenas ser um coadjuvante, rouba a cena com seu personagem quase completamente mal. Mesmo emitindo maldade, Harris transparece tanta humanidade com pequenas feições expressivas que nos pegamos torcendo para que seu Barney seja feliz. O mesmo se dá com a Robin da Cobie Smulders (como essa mulher é linda, JESUS) e com o Marshall do Jason Segel. O trio carrega a alma da série e é o verdadeiro motivo para assisti-la. Já a Alyson Hannigan destrói a Lily com sua péssima interpretação. A personagem vai além da antipatia, sentimos raiva dela constantemente. Ela é importante para o todo, mas a série seria mais divertida sem sua presença.

No final, How I Met Your Mother é genial tanto pela mensagem, pela construção (apesar dos deslizes nas sexta, sétima e oitava temporadas) e pela diversão. Recomendo fortemente assistir para que se entenda todas as discussões relacionadas com seu final. E essas ficam para outro post.

 

…DARY

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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Uma resposta para Fora do cinema – How I Met Your Mother (parte III)

  1. elis disse:

    discordo com relação a atriz que interpreta a Lily,acho ela uma excelente atriz e sua personagem muito interessante,tanto que ganhou vários prêmios por sua interpretação na série,de resto concordo plenamente,a série é excelente,engraçada e condiz com a realidade, adorei da primeira até a ultima temporada.

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