13º Distrito

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É muito triste quando o último filme de um ator é algo terrível. Talvez a pior forma de lembrar do Paul Walker seja através deste filme. Para aqueles que não sabem, 13º Distrito é o remake americano do filme homônimo francês. O ator do filme original volta para esta versão, se reunindo com o Paul Walker e o rapper RZA, mas jogando fora toda e qualquer qualidade do roteiro anterior.

No futuro, a prefeitura de Detroit cercou uma região da cidade por conta da alta criminalidade. Um policial disfarçado (Walker) e um presidiário (Belle) precisam se infiltrar na área para salvar a namorada de um e desarmar uma bomba militar que parou nas mãos do chefe dos bandidos (RZA).

Assim como no original, a proposta do remake é fazer um filme de ação urbana com elementos do parkour. Aproveitando o cenário, o roteiro também se permite levantar algumas reflexões acerca de justiça, vingança e segurança pública.

Para apresentar a situação do cerco militar ao bairro, os dois protagonistas separados e o vilão, o filme só leva metade da duração. Ou seja, o primeiro ato leva quase uma hora, sobrando meia hora aproximadamente para que o desenvolvimento seja feito. Isso é um problema sério porque até o fim dessa primeira hora, o espectador não faz ideia sobre o que diabos o filme trata.

O presidiário, Lino, é um vigilante. Uma das pessoas boas dentro do distrito isolado, chamado de Brick Mansions, Lino busca constantemente roubar droga dos distribuidores locais para destruir e limpar a área. Ele é preso porque o chefe local, K2, suborna a polícia local. O policial, Collier, quer vingança pela morte do pai, mas também se importa com a população abandonada pelo governo atrás dos muros.

David-Belle-Paul-Walker-Brick-MansionsLino e Collier. Conflitos de interesses.

Tanto no extenso primeiro ato, como no resto do filme, cenas de ação são incluídas aleatoriamente. Não há necessidade para praticamente nenhuma delas. Na verdade, diversas das cenas que levam para as lutas e as perseguições não são necessárias. Tudo fica apenas muito fútil e fora de lugar. Quando elas envolvem lutas físicas, é possível notar que existe um excelente trabalho da equipe de dublês. O problema é que o diretor Camille Delamarre resolve usar de closes nos membros dos artistas em cada movimento. Isso força a uma edição acelerada e resulta em cenas de cortes rápidos com movimentos rápidos em que se vê apenas um vulto aqui e outro ali. Não dá pra entender o que está acontecendo. Era de se esperar mais eficiência neste quesito de um diretor que era montador de filmes de ação.

Então surge a reviravolta final. Nada é o que parece e dessa mudança de eventos vai dar o gancho para a discussão social. Porém, o twist não faz sentido. O objetivo dos vilões poderia ter sido completo muito mais cedo com muito mais facilidade, metade dos inimigos simplesmente esquecem todas as mortes e a violência cometida anteriormente e por aí vai. O filme espera que o espectador tenha esquecido que esse cara é um traficante, que aquele cara matou a família do outro. Ou o roteirista é um idiota, ou ele acha que o espectador é. Considerando que o roteirista é o Luc Besson, acho que é o segundo caso.

Brick-Mansions-David-Belle2David Belle. PARKOUR!!!!!!!!

O Paul Walker era uma pessoa maravilhosa. Dizem que ele era muito simpático e solícito. Vivia fazendo eventos e ações para ajudar as pessoas (vale lembrar que ele morreu em um desses eventos). Ótima pessoa, péssimo ator. Na verdade, Walker é tão ruim que se encaixa perfeitamente em todo o resto da produção. David Belle reprisa o papel do filme original mostrando que como ator é um excelente esportista de parkour. E o RZA é um vilão clichê que passa vergonha em cena.

Poucas coisas se salvam de 13º Distrito. A equipe de dublês que faz as lutas e as performances de ação é muito boa e a direção de arte funciona muito bem. Todo o resto, no entanto, é um grande equívoco.

 

fantastic…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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3 respostas para 13º Distrito

  1. Pingback: Filmes ruins de 2014 | Aquela velha onda.

  2. Victoria Maria disse:

    Vc é um idiota e uma pessoa q vive acomodada em frente a tela de um computador, criticando o trabalho de pessoas de enorme caráter e talento, não merece meu respeito muito menos minha atenção
    Procure um trabalho em q vc ñ precise apenas mexer os dedos, pra daí sim poder pensar em criticar algum ser humano no mundo, por que no momento meu caro vc deveria ter vergonha de manter um site q crítica pessoas q trabalham duro pra concluir um projeto.
    Enquanto vc tá aí falando mal de um ator maravilhoso e de um coração enorme cheio de bondade q além de ser ator, tinha uma organização de ajuda humanitária q ajuda vítimas de catástrofes naturais, e q infelizmente nos deixou cedo demais, vc deveria respeitar pelo menos esse fato, PAUL WALKER era um ator espetacular e uma pessoa DIVINA acho q por isso Deus quis levar ele mais cedo, e David Belle é um ótimo ator, então antes de sair se achando um crítico q só sabe colocar defeitos na vida e na obra das pessoas, olhe -se no espelho e pergunte-se o que vc fez de útil para o mundo ou para um ser vivo q seja, nessa sua vidinha medíocre.

    • Vina disse:

      Victoria, concordo que o Paul Walker era uma pessoa maravilhosa (pelo menos do pouco que eu sabia dele) e até mesmo um ator decente. Isso não é desculpa para dizer que um filme ruim do qual ele tomou parte é bom. Muitas pessoas se dispõem a participar de projetos longos e complexos que falham. 13º Distrito é um desses projetos na carreira de Walker. Não conheço nada além desta porcaria na carreira de David Belle, mas se for tomar apenas por este papel, está longe de ser um ótimo ator. Quanto às ofensas a minha pessoa, não vou me rebaixar ao seu nível porque sei que você as fez com raiva por conta da sua paixão pelo Paul Walker. Sei que você é um ser humano muito maior do que as palavras que usou contra mim e que elas representam apenas uma parte negativa da sua natureza. Peço encarecidamente que, na próxima vez que quiser discutir uma argumentação, apareça com argumentos lógicos e plausíveis. A natureza pessoal de Walker ou quem eu sou não são características relacionadas ao filme, portanto não são válidas para a discussão.

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