O Planeta dos Macacos (1968)

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Eis a experiência que propus para minha namorada, que nunca assistiu a um Planeta dos Macacos e não conhece o final clássico. Assistir o filme de 1968 e logo em seguida o reboot Planeta dos Macacos: A Origem. Afinal, o novo filme estrelado pelo Andy Serkis e pelo James Franco se propõe a ser uma prequela do original.

Astronautas da Terra partem em busca de um planeta em um sistema estelar distante. Chegando no novo mundo, descobrem que lá a evolução foi contrária à nossa. Os humanos são animais irracionais e os símios se tornaram os seres inteligentes que dominaram o planeta.

Uma das coisas mais interessantes da franquia Planeta dos Macacos é como ela pega essa premissa básica de filme “b” para ser uma discussão sobre civilidade, preconceito e ignorância religiosa. E neste filme em específico, a proposta é ainda mais forte. Em todos os remakes, reboots, sequências e prequelas existe mais foco nos confrontos em si que na discussão. Aqui basicamente o que se tem são planos longos e reflexivos e cenas de diálogos.

O diretor Franklin J. Shaffner não se importa de criar sequências longas de pessoas viajando. Parte porque na época o cinema tradicional tinha a obrigação de ter cenas de personagens chegando e saindo dos locais onde os eventos iriam acontecer. Em outra parte porque o diretor quer passar a sensação dos longos tempos de viagem para o espectador assistindo. Se os personagens viajam por três dias através de um deserto, veremos dez minutos deles caminhando por terrenos áridos. Basicamente, o filme envelheceu bastante, deixando de ser a grande ficção-científica da época para se tornar um clássico que é assustadoramente longo e lento. Inclusive para quem gosta de filmes mais alternativos.

A graça se encontra nos pequenos detalhes na interpretação de Charlton Heston e nos diálogos. Assim que o filme começa, ele solta um monólogo sobre o prazer de se afastar do resto da humanidade. Ele está cansado da hipocrisia constante e dos conflitos inúteis e sem sentido. Mais tarde, quando questionado se foi esse o motivo para a viagem interestelar, ele responde que é justamente o contrário. Viajou para outro planeta com a esperança de encontrar uma espécie verdadeiramente civilizada. A grande ironia, encontrou uma espécie que está próxima, em comparação à nossa história, à Renascença. Eles usam de religião para fundamentar seus preconceitos. Odeiam o próximo e temem os animais como criaturas enviadas por algum tipo de mau.

planet-of-the-apes-taylor-on-trial-charlton-hestonAstronauta reduzido a animal em coleira.

A reviravolta no final é clássica. Não é apenas uma surpresa, mas é também um choque para o personagem principal. Ele se considera mais avançado que os seres que conheceu no novo planeta, mas a resposta que encontra no final é uma prova de que ele estava certo com seu discurso inicial.

A direção de arte é parte do atrativo do filme. A incrível maquiagem dos símios pode estar um tanto ultrapassada, mas funciona bem. Considerando a época então, é de cair o queixo. Os cenários são grandiosos, construídos em estúdio e seus desenhos são muito interessantes.

Heston dá um brilho todo especial com pequenas sutilezas em sua interpretação. Seu personagem busca relações mais evoluídas, mas é ele mesmo um hipócrita. Ele se considera superior a todas as espécies do planeta, se permitindo inclusive tomar posse de uma humana desacompanhada e tratar os macacos como primitivos. Heston faz gestos aqui e ali que representam muito bem esse desgosto do convívio com os habitantes do planeta. Ainda assim, ele é o astro do filme e o desequilíbrio de seu tempo de tela demonstra como seu nome provavelmente tinha alguma influência por trás da produção.

O Planeta dos Macacos é um bom representante do cinema épico da década de 1960. Cenários grandiosos, destaque desequilibrado para o grande astro, exuberância na direção de arte e no número de figurantes e alguma discussão sobre moral.

 

FANTASTIC…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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