Transcendence – A Revolução

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O diretor de fotografia padrão do Christopher Nolan faz seu debute no comando principal de um filme. A trama envolve questionamento sobre inteligência artificial e sobre o que aconteceria com a mente humana se esta fosse copiada para um disco rígido. O elenco mistura alguns atores comuns de Nolan com outros nomes novos e famosos por seus talentos. A expectativa, não precisa ser dito, era extremamente alta.

Will Caster (Depp) é um cientista que está criando uma inteligência artificial que pode vir a superar a capacidade do raciocínio humano. Porém, um grupo de terroristas que são contra essa invenção atiram nele durante um ataque. A bala estava envenenada com radioatividade e os dias de Will estão contados. Sua esposa Evelyn (Hall) e seu amigo Max Waters (Bettany) tomam a decisão de fazer um upload da consciência de Will para o hardware da inteligência artificial.

ct-cth-transcendence-jpg-b-jpg-20140416O casal Will e Evelyn e o amigo Max. No limite entre a ética e o avanço tecnológico.

O filme discute o valor da alma humana dentro do espaço conhecido da consciência no cérebro. O Will que desperta dentro do computador é o verdadeiro Will? É um fato que ele é uma cópia do original, mas a cópia é igual até que nível? Como ter certeza de que todos os aspectos da consciência dele foram transferidos corretamente? Como dizer se a alma pode existir dentro da consciência copiada?

A fotografia do filme é bonita. Resultado óbvio de colocar um diretor de fotografia na direção. Mas essa fotografia bonita não diz nada, assim como a maioria das coisas no filme. As cores das luzes e das artes são frias ou brancas para indicar essa falta de humanidade das máquinas, e só.

Wally Pfister, o diretor, não se incomoda em criar ambientação além da arte e da iluminação. As cenas abrem já no meio dos diálogos e fecham no meio dos mesmos dando encaixe diretamente no próximo. Não tem contextualização, ritmo ou envolvimento. As coisas vão acontecendo de forma não fluida. Então o espectador não se importa com os personagens, com suas perguntas e com suas jornadas.

Subitamente, o roteiro do filme começa a deixar de lado a lógica. Will se espalha através da internet para reter o poder de processamento de todos os computadores conectados no mundo. Através disso, busca resolver questões que os cientistas comuns jamais conseguiriam. Cura para todas as doenças, fortalecimento do corpo humano, limpeza para todas as formas de poluição. A solução se encontra através de nanorobôs que ele controla sozinho através de wi-fi.

Tudo muito bonito, tudo muito bom. O problema é que os terroristas que são contra a tecnologia de Will querem destruí-lo. E eles tem um bom motivo. Afinal de contas, o que é aquela coisa que se diz ser o Will? Um processador sem alma, resquícios de um homem morto a muito tempo ou o verdadeiro Will com a mente estendida ao potencial de produção e raciocínio que o filme diz que ele tem? É uma dúvida cruel e nunca fica claro qual é a resposta certa.

Mas piora ainda mais quando Waters, que era amigo de Will e Evelyn muda de lado após ser sequestrado pelos inimigos e escuta deles que tiraram suas motivações de textos escritos por ele. Assim, sem motivo, o cara se vira contra pessoas que ama e das quais foi companheiro por décadas. Também não ajuda no questionamento a péssima interpretação de Johnny Depp, que está tão no automático que realmente faz com que Will pareça uma máquina sem sentimentos. O nível de falta de lógica do roteiro vai escalando até que surge a reviravolta final, em que finalmente se revela se a máquina é Will ou não. Tantas provas são apresentadas do contrário que, quando a cena aparece, não faz sentido.

transcendence-paul-bettanyPaul Bettany. Personagem vira-casaca.

A Rebecca Hall também vai no automático e não consegue equilibrar o sofrimento da mulher que perdeu o marido e não sabe se quem a acompanha todos os dias é uma sombra vaga do homem que amou ou o próprio. É triste ver o Morgan Freeman e o Cillian Murphy em papéis pequenos sem nenhuma expressão artística. O único resquício de esforço se encontra no Paul Bettany. O ator consegue dar alguma identidade para Max Waters, mesmo que o personagem não faça sentido.

De Transcendence só se salva a ideia original e a descoberta de que como diretor, Wally Pfister só serve se for para fotografia. A discussão é jogada fora em uma trama de suspense vazio, interpretações fracas e uma direção que não compreende a narrativa que está contando.

 

fantastic.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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2 respostas para Transcendence – A Revolução

  1. Pingback: Filmes ruins de 2014 | Aquela velha onda.

  2. Karla Pe disse:

    A premissa de Transcendence- A Revolução é muito interessante. O longa nos mostra um novo tipo de inteligencia artificial, criado pelo casal de cientistas. Este thriller de ficção científica mais de 100 minutos, eu gostei. Transcendence é um filme estranho e muito futurista que eleva a curto prazo um futuro muito sombrio para toda a humanidade. A coisa interessante sobre este filme é o debate e o dilema moral que surge quando se discute os limites da ciência e tecnologia. Transcendênce é o primeiro filme que fez Wally Pfister, diretor de fotografia de quase todos os filmes de Christopher Nolan.

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