Super-heróis repetitivos e nerds chatos

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Recentemente eu fui assistir ao novíssimo filme do personagem aracnídeo, O Espetacular Homem-Aranha 2. Minha opinião sobre o filme é mais que dividida. Por um lado eu detestei, mas por outro consigo reconhecer todas as qualidades da produção. O problema é que, quando vou falar sobre o assunto, as pessoas aceitam quando falo das qualidades, mas quando falo dos defeitos, as reações são irritantes.

Agora é preciso deixar clara uma coisa muitíssimo importante relacionada a essa questão. Estamos falando de cinema. Não é política internacional, não é física quântica. É uma peça de arte/entretenimento cujo valor real para o mundo é praticamente nulo. Sim, ela causa grandes discussões e muito envolvimento emocional. Mas não passa de um filme. E considerando a que ele se propõe e como foi realizado, seu valor diminui ainda mais em relação a outras obras.

Tendo isso em mente, vamos ao tema principal do texto. Eu não tenho gostado muito de filmes de super-heróis recentemente. Em grande parte, isso se dá por conta de uma superficialidade inquietante nessas produções. O que só continua acontecendo de novo e de novo por conta do público.

É preciso dar destaque para essa questão do público. Super-heróis seguem um padrão desde que começaram décadas atrás. O carinha maneiro ganha poderes, um carinha chato também, eles lutam e é isso. Desde que eles viraram febre nos cinemas a partir do final da década de 1990, o esquema é o mesmo. Um filme de origem para o mocinho com a origem de um vilão. Eles brigam e é isso.

O que é algo que já me incomodava ainda adolescente. Às vezes os heróis tem um filme com um conflito pessoal super interessante e bem desenvolvido, mas como precisa haver um vilão obrigatório, a trama é jogada fora do meio para o final para que haja a tal briga. Se a regra for mantida com muitos efeitos especiais bem feitos sem fugir de um detalhe sequer da história em quadrinho, os fãs estarão satisfeitos. Ai do filme de herói que decide mudar a cor de cabelo de um personagem sequer.

Daí surge um Espetacular Homem-Aranha 2. O filme tem o Peter Parker zoão, efeitos especiais que usam e abusam das câmeras lentas e uma Gwen Stacy apaixonante. Além disso, seu clímax resolve muitos dos problemas tanto de seu péssimo roteiro quanto do roteiro do filme anterior. Muitos pontos por tudo isso, mas é um filme extremamente defeituoso.

Quanto aos defeitos. Pouco importa, não vim discutir o filme em si. O que vim discutir é a reação dos fãs quando escutam os defeitos. Um certo nome popular no Brasil argumentou que se permite abstrair de todos os defeitos em filmes de quadrinhos desde que ele se divirta. Outros caras vão dizer que eu e outras pessoas da minha área são pseudo-críticos porque nossos gostos são diferentes. Alguns amigos mais próximos apenas dizem que sou chato para me fazer calar a boca.

Então eu vi um vídeo muito interessante. Existe um canal de youtube chamado Red Letter Media. Nele, eles basicamente sentam e falam sobre filmes que estão no cinema. Quando foram falar sobre Capitão América 2, eles soltam a seguinte pérola “Nós acabamos de ver Os Vingadores 1.5 – Capitão América 2 – O Soldado Invernal 1.” No final do vídeo, um terceiro membro do grupo entra em cena e começa um pequeno jogo. Ele diz nomes de filmes aleatórios de heróis recentes e eles precisam dizer a sinopse. Apesar da ridicularização, eles tem um ponto e tanto, todos eles envolvem um vilão que faz alguma coisa, alguma luta acontece e é isso.

E como grande parte desses filmes se rendem aos efeitos de computação gráfica, não há muito suspense, apenas os personagens descarregando seus poderes em tela. O que remete a outra fala do vídeo do Red Letter Media. “A tentativa de assassinato ao Nick Fury é melhor que o terceiro ato”. E é verdade, quando nós temos uma cena que constrói tão bem o perigo para o personagem quanto aquela perseguição, o final com três porta-aviões voadores parece um desenho animado de programas infantis.

A melhor forma de resumir como as tramas desses filmes tem ficado bobas é citar mais uma vez o vídeo: “A premissa é ‘naves gigantes no céu vão atirar em pessoas com mira precisa através do mundo’. E tipo, se isso não der pesadelos para uma criança pequena, eu não sei o que dará.”

Eu escrevo esse texto tendo gostado dos dois filmes dos quais estou falando. Mas as pessoas enchem tanto o saco porque eu vejo os defeitos que eu começo a guardar raiva das produções. Recomendo fortemente assistir ao vídeo do Red Letter Media porque eles falam de tudo isso sem um pingo de rancor e mágoa e com mais informalidade.

Enfim, mais uma vez me senti na necessidade de me abrir sobre o assunto por conta do incomodo constante.

 

FANTASTIC…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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