O Último Amor de Mr. Morgan

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Poderia ser apenas um clichê dramático, um grande melodrama, uma comédia boba ou um romance bizarro. O Último Amor de Mr. Morgan é muito mais complexo que tudo isso ao mesmo tempo em que é extremamente simples. Eventualmente, é um filme bastante singelo sobre as várias complicações de relações tão comuns e pequenas em escopo.

Mr. Morgan (Caine) é um idoso americano que vive em Paris. Sua esposa morreu a pouco mais de três anos e desde então ele não tem tido muito contato com os filhos ou com a vida comum. Um dia ele conhece a jovem Pauline (Poésy) andando de ônibus. Os dois se tornam amigos e o relacionamento vai avivar algumas questões complexas das vidas dos dois.

À princípio parece um típico filme em que duas pessoas solitárias e sem rumo se encontram e um fortalece e melhora a vida do outro. Mas esta produção vai muito mais longe e trata de assuntos mais complexos que apenas duas pessoas se encontrando. O pobre senhor Morgan sofre muito com a perda da esposa e suas relações com os filhos são muito complicadas. Existe muita culpa e discussão ali. O encontro com Pauline não vai apenas dar novas razões para ele viver, vai também fazê-lo confrontar todos os problemas suspensos.

A diretora e roteirista Sandra Nettelbeck tem o talento para contar histórias belas e tocantes. Seus diálogos são profundos e um tanto quanto irrealistas. Morgan e Pauline conversam apenas sobre sentimentos, suas vidas pessoais e as impressões belas que tem um do outro. Não há diálogos sobre gostos e passatempos. São conversas que não são comuns ou naturais, mas não é esse o objetivo da realizadora.

A construção da narrativa não permite muito espaço para ambientação. A montagem é rápida dando encaixe entre os diálogos. Compromete bastante o ritmo, mas é proposital. Nettelbeck faz com que essa justaposição entre falas e cortes pareça uma linha de raciocínio mental. Somando essa característica à fotografia que simula uma névoa em todos os ambientes, o filme ganha tons de sonho. Talvez para indicar como Morgan tem levado sua vida após a morte da esposa.

Pauline se permite encontrar com o homem mais velho porque vê naquela presença solitária um substituto para uma figura paterna. Ela não tem ninguém no mundo e vive só, por isso dá tanto valor para aquele velhinho simpático que parece querer tanto deixá-la feliz. Os motivos dele são muito mais complicados. Assim que vê Pauline pela primeira vez, Morgan nota como ela se assemelha à sua falecida companheira em diversos níveis. Mas como ela se adequa na vida dele? Estranhamente romântica? Amizade sem interesse? O próprio personagem diz que não sabe como.

last-love-img05Morgan filho e Morgan pai. Complexidade pessoal em trama simples.

Em pouco tempo de filme, os filhos de Morgan dão as caras. A consequências existenciais e psicológicas são muito mais complexas do que seriam imagináveis naquele ponto. Chegando a beirar o melodrama. Principalmente quando personagens começam a pegar outros personagens no flagra causando repercussões novas.

Incomoda um pouco como Pauline é uma personagem com pouca profundidade. Ela não tem ninguém e é isso. Sua vida é tão vazia que ela consegue disponibilizar tempo para fazer um retiro com Morgan por dias ou sair para almoços e jantares quase diariamente. Fica desequilibrado quanta profundidade existe no personagem dele e quão pouca existe no dela. Inclusive, incomoda como todas as personagens femininas são bidimensionais. Seja a filha de Morgan, seja a Pauline ou até a lembrança de Joan, a antiga esposa de Morgan.

mr-morgan-s-last-love07Casal Morgan. Profundidade feminina quase inexistente.

Michael Caine é um ator brilhante. Há sutileza na forma como acrescenta dor nos pequenos momentos de felicidade do personagem. O mesmo se dá com Justin Kirk, o ator que interpreta seu filho. Kirk consegue demonstrar um cansaço de um homem que está sofrendo há muito tempo e ainda precisa enfrentar os confrontos com o pai. A Clémence Poésy age tal qual a personagem, sorri muito quando está feliz, fica muito triste quando está triste e não apresenta nenhuma variação em sua interpretação. A Gillian Anderson faz a filha de Morgan. Ela não faz muito em tela, mas é possível ver uma interpretação diferente dos papéis normalmente rígidos da atriz.

O Último Amor de Mr. Morgan é um pequeno filme sobre grandes questões. A forma como trata com sensibilidade alguns assuntos mais complexos como relações parentais problemáticas é bela e garante um bom filme.

 

GERÔNIMOOOOOOO…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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Uma resposta para O Último Amor de Mr. Morgan

  1. Anônimo disse:

    Gostaria de rever um filme q assisti a muitos anos, é sobre um cavaleiro q por seus crimes é enforcado mas demora morrer, dps solta uma gargalhada e varios homens atiram nele! Mas a noite ele se solta da forca e começa matar qm encontra, e gosta de ver o sofrimento das passoas antes de mata las! Qm souber o nome do filme, mande!

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