Megamente

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Megamente é uma pequena pérola que a Dreamworks lançou nos cinemas. Também é um filme difícil de vender. O protagonista é um super vilão que cometeu um assassinato e sua jornada de transformação pessoal envolve algumas reflexões muito adultas. Mas o marketing acertou em se focar na comédia, que é um dos gêneros mais explorados da animação.

Megamente (Ferrell) é um super vilão que passou a vida inteira enfrentando o super-herói Metroman (Pitt). Eventualmente, ele consegue derrotá-lo e pode fazer todos os seus atos de vilania livremente. Na falta de um herói, ele começa a questionar os motivos de sua maldade após se encontrar por acidente com a repórter Rosane Rocha (Fey).

O filme faz parte da era em que a Dreamworks Animation fazia animações que eram focadas em ser comédias. Ao mesmo tempo, também é uma reflexão interessante sobre conceitos de bem e mal, além de um filme infantil, é claro. Os nomes envolvidos tanto na produção quanto nas vozes são de comédias.

Os roteiristas Alan J. Schoolcraft e Brent Simons constroem um universo praticamente todo infantilizado. Todos os personagens são absurdamente ingênuos em seus comportamentos. Porém, o mundo é feito de consequências, tal qual o nosso. Megamente nunca foi realmente malvado, ele era apenas mal compreendido. O maniqueísmo resultante da ingenuidade geral é que faz com que ele seja visto como o cara mau não apenas pelo herói e pela população, como por ele mesmo. Para equilibrar essa ingenuidade com as consequências mais realistas, Schoolcraft e Simons fazem humor através de sátiras. O principal alvo é o Superman, com direito a origens, poderes e até o romance com uma jornalista brincando com o eterno escoteiro com as cores da bandeira dos Estados Unidos.

megamind-9Rosane Rocha. Brincadeira com a Lois Lane.

É onde entra o brilhantismo na escolha do elenco principal. Colocar todos os personagens principais com as vozes de comediantes garantiu uma série de improvisos nos diálogos. Cada personagem comenta constantemente a ironia de como o maniqueísmo não faz sentido no mundo real. Rosane Rocha sabe que cada tentativa de sequestro dela é fútil, que o seu mocinho diário é um cara insosso cuja vida se resumiu a ser o colírio dos olhos de todo mundo. O humor deve ser constante para que o ridículo do universo não soe apenas imbecil.

E é especialmente importante que o universo não seja imbecil, senão a crítica ao maniqueísmo não seria convincente. Megamente era mal porque as pessoas o consideravam mal antes de conhecê-lo. Então a maldade dele era apenas resultado do maniqueísmo. De certa forma, foi o preconceito de toda a população, inclusive do herói, que o tornaram mau.

A direção de arte é um primor, brincando com as cores de cada personagem de maneira inteligente. Tudo com um tom de caleidoscópio típico não apenas de produções infantis quanto de histórias em quadrinhos. O desenho dos personagens, por outro lado, causa estranhamento. Todo mundo é cabeçudo demais devido a um exagero caricatural. A fotografia brinca com luzes vindo de baixo e de cima para indicar quando os personagens são bons ou maus de verdade, mas tirando isso, ela é praticamente nula. O mesmo pode ser dito da direção de Tom McGrath. Ele mexe a câmera pra lá e pra cá para realçar o 3D e seu ritmo de construção de cena é tão tresloucado quanto a própria comédia, que dá as caras o tempo inteiro. Até quando o verdadeiro vilão se revela e quase mata Rosane ao tentar conquistá-la. Em uma cena, ele a salva com uma cadeira de um escritório que acabou de destruir inocentemente. É uma gag visual que surge sutilmente no meio de uma cena tensa para a história.

É o roteiro que dita o ritmo e a construção da história. Auxiliado pelo grande trabalho de dublagem dos atores comediantes que garantem a construção de cenas cômicas. O Will Ferrell dá uma vida e uma profundidade muito grande para o Megamente. Foi ele quem escolheu falar algumas palavras específicas errado, refletindo o fato de que o personagem saiu da escola quando era apenas uma criança. A Tina Fey cria uma sátira esperta à Lois Lane ao mesmo tempo em que dá humanidade para a personagem Rosane Rocha. O Jonah Hill enche as falas psicóticas de seu personagem com piadas que expõem o quanto seu comportamento é ridículo. O Brad Pitt fala com voz grossa para zombar do heroísmo comum, mas fica apagado em meio aos colegas comediantes.

Megamind_Will_Ferrell_cardboard_cutout_of_Brad_Pitt_Tina_Fey_Jonah_HillO elenco principal fazendo uma aparição na Comic-con.

Um filme que trata de assuntos sérios através da comédia. Se vale muito do grande trabalho de roteiro e é um dos excelentes filmes que fizeram da Dreamworks uma das maiores produtoras de animações atualmente.

 

ALLONS-YYYYYYYYYY…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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