Forrest Gump – O Contador de Histórias

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Forrest Gump foi um filme muito falado em 1994. Para quem viveu na época, é fácil lembrar do sucesso da fita. Ele cunhou frases que ficaram marcadas, ganhou seis merecidos Oscars e tem aqueles imensos takes de uma pena flutuando que ficaram muito falados na indústria. Além disso, suas cenas de efeitos especiais não envelheceram nada, mesmo depois de vinte anos.

Forrest Gump é um homem com o Q.I. baixo que está sentado em uma parada de ônibus esperando. Ele começa a contar a história de sua vida para as pessoas que se sentam ao seu lado enquanto seu ônibus não chega. Com toda a sua inocência, passa sua vida sem noção alguma por diversos fatos históricos dos Estados Unidos. De diversas formas sua história se confunde com a do país.

Gump1Forrest diante dos Estados Unidos.

O roteirista Eric Roth e o diretor Robert Zemeckis fazem da vida de Forrest uma grande sátira ao país. O filme tem um sarcasmo ácido que compara constantemente a paz resultante da ingenuidade do personagem principal com os momentos turbulentos do país. Enquanto presidentes e pessoas influentes levam tiros e o país sofre, Forrest sofre com seus problemas minimalistas, e o espectador sofre mais por ele que pelo país. Mas a história não é apenas de Forrest, mas de sua amada Jenny e do resultado da união dos dois.

É onde entra o brilhantismo de Zemeckis. Ele usa de cores não apenas para contar a história, mas para fazer uma analogia ao país. Forrest representa a tranquilidade, portanto sua cor padrão é o azul. Jenny é a paz para o personagem, portanto sempre usa branco. Sempre que algum tipo de problema ou situação negativa se coloca sobre eles, o vermelho dá as caras. As três cores são as cores da bandeira do país e representam na vida dos personagens o que representam para os Estados Unidos. Existe o momento no qual ele a encontra em uma reunião dos Panteras Negras. A paz dos dois é subitamente freada pela aparição de um homem com uma faixa vermelha no braço. Mas o uso das cores vai além disso. Quando Forrest e Jenny finalmente ficam juntos, ela passa a usar tons florais, que eram o padrão da mãe dele, substituindo definitivamente o papel da figura feminina central em sua vida. Tanto o é que ele passa a dar flores para ela todos os dias, como se estivesse dizendo que a aceita como essa figura feminina.

forrestgump1Jenny usa azul quando finalmente passa a fazer parte da vida de Forrest.

Zemeckis conta a história como se seguindo o raciocínio do personagem. O que liga uma cena à outra não é a construção de cena em si, mas características de uma que lembram ao personagem da outra. Quando ele está na Guerra do Vietnã, leva um tiro na bunda que ele acredita por algum tempo ter sido uma mordida de algum bicho. Até que a linha de raciocínio dele é quebrada com a lembrança da morte de um amigo. Porém, ele é questionado sobre a mordida e lembra que era, na verdade, um tiro. Daí corta para a próxima cena, com ele deitado no hospital com a bunda repleta de remendos voltada para cima e continua a história.

Tom Hanks mereceu o Oscar de melhor ator. Assim que ele aparece em cena pela primeira vez, seu rosto é reconhecido imediatamente por conta de sua fama. Mas ele some tanto por trás do personagem que rapidamente já esquecemos que é ele ali. O que se vê na tela é o Forrest Gump e nunca o ator. Principalmente na famosa cena em que descobre que é pai. Basta observar o olhar de Hanks para querer jogar um Oscar em sua cara. A Robin Wright está bem, mas sua boa interpretação é completamente ofuscada pela presença de Hanks. Além deles, há um poderosíssimo Gary Sinise como um tenente da guerra que lutou junto de Gump. Chega a ser triste pensar em como o talento de Sinise está sendo desperdiçado nas séries de TV. A Sally Field também rouba a cena quando aparece como a mãe de Forrest, mas nada especificamente memorável no filme.

Rever Forrest Gump foi uma boa ideia. Minha lembrança do filme da época é a de uma criança menor de dez anos de idade. Agora, mais maduro, foi uma descoberta saborosa. Certamente muito superior a muitas coisas indicadas a prêmios recentemente e a coisas indicadas a prêmios na época. Lembrado merecidamente como um clássico pelo Cinemark.

 

GERÔNIMOOOOOOOOO…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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