Fora do cinema – The Fall

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A temporada chamada Summer Sale (vendas de verão) do Steam normalmente é sinônimo de economia em jogos que nunca serão jogados. Mas é um processo interessante porque na loucura de gastar dinheiro em jogos de até cinco reais o jogador acaba descobrindo algumas coisinhas como este The Fall. Pelo menos foi o que aconteceu comigo.

The Fall acompanha A.R.I.D., uma inteligência artificial de uma armadura de batalha. A história começa com a armadura caindo do espaço em um planeta desconhecido. Assim que ela se liga percebe que o seu usuário não está respondendo e que o sistema de indicação de saúde está estragado. Porém, o sistema de suporte de vida ainda está operante. Ou seja, apesar de o humano lá dentro não estar respondendo, ele ainda pode estar vivo. Como a função da A.R.I.D. é garantir a segurança dele, ela precisa encontrar uma área médica para poder se desmontar e tratá-lo.

A jogabilidade mistura Super Metroid com adventures point-and-click. É um jogo de plataforma side-scroller como o clássico do Super Nintendo, mas com exploração de ambiente como os jogos da Tell Tale. Para criar uma maior imersão nos cenários, o estilo de arte remete diretamente ao belíssimo Limbo.

maxresdefault6Metroid encontra Monkey Island encontra Limbo. Clichês com originalidade.

Existe aí uma grande sacada. A jogabilidade é interessante e o sistema de exploração de ambiente é muito legal, mas não é nada realmente muito novo. O legal mesmo é como ele decide contar a história. A proposta inicial é contar a história de um protagonista que não sabe de onde veio e está em uma situação em que precisa descobrir tudo o que aconteceu antes do começo da narrativa. Mas ao invés de cair no clichê de ser uma trama sobre amnésia, existe um motivo lógico para o desconhecimento do que aconteceu anteriormente. A.R.I.D. é um sistema de segurança que se ativa quando é necessário. O que significa que ela foi ativada apenas no momento em que o jogo começa. E como não tem contato com seu usuário, ela não sabe qual era a missão inicial dele, como ele ficou inconsciente, se não estiver em condições piores, e por que diabos eles estavam caindo do espaço em um planeta desconhecido.

A proposta deixa o jogador envolvido com a situação de A.R.I.D.. Na queda, ela foi parar em uma caverna subterrânea e agora precisa explorá-la para voltar para a superfície. Rapidamente ela descobre que não é realmente uma caverna, mas o lixão de uma instalação de manutenção de robôs domésticos. E algo muito estranho aconteceu ali. Pouco a pouco vai ficando mais óbvio que A.R.I.D. tem mais preocupações de segurança para seu usuário, porque parece que tem alguma coisa por lá que está realmente interessada em matar humanos.

EvaluatorA.R.I.D. se coloca em perigos e enfrenta algo que parece querer matar humanos.

Para piorar, A.R.I.D. não tem permissão a diversas das funções básicas de combate da armadura da qual faz parte. Para poder usá-las, é preciso que o piloto esteja em perigo. Nestes casos, ela ganha acesso imediato. Basicamente, o personagem não tem acesso a todos os seus recursos e vai ganhando cada um em situações chave, ficando mais poderoso e ganhando maior habilidade de exploração. Uma forma também inteligente de lidar com um clichê comum dos videogames e ainda ser importante para a história. Para conseguir cada habilidade, A.R.I.D. precisa colocar o usuário no limite de um perigo extremo. Mas sua função primária é garantir a segurança dele. Existe um paradoxo aí. Quando ela abre novas habilidades, ela está indo contra seus padrões e regras. E inteligências artificiais nunca fariam algo do tipo, então ela passa a se questionar em relação a si mesma e sua funcionalidade.

Mas o jogo não é perfeito. A jogabilidade de exploração de ambiente envolve mira de pontos específicos do cenário. Como o jogo foi feito para ser jogado com o controle de X-Box, ele funciona muito bem com analógicos, mas na transição para teclado e mouse, a mira fica altamente problemática e atrapalha algumas soluções de problemas e certos combates. Além disso, o estilo de adventures cria puzzles que vão travar o jogador com alguma frequência na história. E, como jogador, eu detesto ficar sem saber para onde ir ou o que fazer durante um jogo.

The Fall é curto e é apenas a primeira parte de uma trilogia. Ainda assim o final é surpreendente e faz questionar as coisas que A.R.I.D. faz durante o todo. Chegando até a ser um tanto perturbador em relação às consequências da queda dela no planeta.

The Fall funciona melhor por conta de sua história, mas é uma excelente narrativa através da interação do jogador com a jogabilidade. Tão bom nesse sentido que nunca deixa a sensação de que funcionaria melhor como um livro ou um filme. Além de alguns questionamentos interessantes em relação a inteligências artificiais sem nunca deixar de ter diversão.

 

GERÔNIMOOOOOOOO…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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