Drácula – A História Nunca Contada

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Sempre que alguém chega em Hollywood e faz algo comercial único, admirável e que faz sucesso, um monte de cópias seguem o estilo. Matrix fez isso em 1999, a trilogia Bourne fez pouco tempo depois e mais recentemente, a trilogia O Cavaleiro das Trevas ainda é modelo. Seguindo a reinvenção sombria e séria de Batman Begins, aparece esse Drácula – A História Nunca Contada.

O terreno da Transilvânia recebe ordem do rei da Turquia (Cooper) de enviar mil jovens para que se tornem parte do exército turco. Para impedir que o filho passe pelo mesmo crescimento de violência que ele, Vlad (Evans) pede ajuda à criatura que vive nas cavernas de suas terras, um vampiro (Dance), para derrotar o exército de milhares de homens que vem tomar as crianças.

O filme foca em um outro lado do personagem clássico. Nada de castigo por ter se voltado contra o criador. Aqui o vampiro se transforma no monstro por vontade espontânea. Nesse caminho, abre a perspectiva de um homem que deve enfrentar o peso terrível de sua escolha. Não apenas o poder de derrotar o exército inimigo, mas a maldição de ser um monstro e um perigo para todos os conhecidos.

É o grande trunfo dessa reinvenção do vampirão. O conflito pessoal dele é realmente interessante. O problema está em como tudo isso é apresentado. Quando o roteiro trata desse conflito, belas cenas dão as caras. Quando o roteiro é sobre o Vlad assumindo a alcunha de Drácula e usando os seus poderes para derrotar exércitos tudo é um grande buraco onde as pontas não se fecham.

Dracula-970x545O vampiro mestre na melhor cena do filme.

Tem um vampiro que vive a séculos na região que Vlad governa, mas ninguém tem ideia do bicho até um dia antes da cobrança do rei. Por algum motivo, Vlad tem três dias de poderes de vampiro antes de voltar a ser humano, a menos que ceda à sede por sangue. Caso beba, a maldição é selada e ele passará a ser vampiro pra sempre. Ou seja, ele tem três dias para derrotar o exército de centena de milhares de inimigos vindo em sua direção. Para que faça sentido na trama, na primeira noite ele mata mil homens em uma batalha longa, leva seu povo em fuga através de uma floresta, o rei inimigo é avisado da batalha e envia mais cem mil. No meio da floresta, Vlad consegue fazer sexo, voltar e matar mais uma galera do exército invasor que vem em sua direção. Então o sol nasce e ele fala que passou-se um dia.

A trama é cheia dessas problemáticas com lógica. Porém, quando Vlad precisa conversar com a esposa sobre o futuro do filho e o perigo do arregimento militar, o drama funciona. Quando ele precisa negociar com o vampiro mestre, o peso da maldição pode ser sentido pelo discurso realizado.

O diretor debutante Gary Shore é decente. Então, quando os dramas pessoais são o foco das cenas, ele comanda bem, mas quando é hora de mostrar Vlad controlando morcegos contra um exército em marcha, nem sua condução bacana não consegue esconder o ridículo da ideia. Ele também é um bom diretor de ação, mas os cortes para esconder a violência mais brutal deixam muitas cenas incompreensíveis. Quando não tem nada muito visceral, a câmera tem liberdade para capturar as lutas sem corte e pode-se notar que as coreografias são boas.

A direção de arte é conflitante. Na criação do mundo é rica. As roupas, armaduras e até os cortes de cabelo são como uma janela para aquele mundo, mas pequenos detalhes atrapalham, como o fato de que todo mundo tem dentes perfeitos e brancos em plena idade média ou algumas representações dos turcos, que são apenas estranhas. A fotografia brinca bastante com a cor vermelha e deve ter exigido muito talento técnico. Em ambientes fechados, coloca pequenos tons rubros no rosto de Vlad quando ele fala do futuro.

Dracula-Untold-Sarah-Gadon-WifeSarah Gadon em cena. Um bom motivo para vender a alma.

O Luke Evans se entrega ao papel e consegue carregar o filme nas costas. Pena que o próprio filme não seja tão bom quanto o ótimo ator. A atriz Sarah Gadon é linda de morrer e consegue segurar o drama mesmo com algumas falas ilógicas que sua personagem, esposa de Vlad, tem. O veterano Charles Dance, conhecido como o patriarca Lannister de Game of Thrones, está majestoso como o vampiro mestre. Quando as cenas são de Evans com Gadon ou Dance, elas são ótimas. Destaque para a excelente cena em que Vlad e o vampiro negociam a transformação.

Quando se foca no drama humano, o filme é uma pérola. Quando vai para a guerra e detalha como são os poderes de Drácula, ele perde o elemento de mistério dos vampiros e cai no bizarro. Isso somado ao roteiro falho atrapalha o que poderia ter sido um grande filme.

 

GERÔNIMOOOOOOOOOO…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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4 respostas para Drácula – A História Nunca Contada

  1. Aproveitando a deixa do filme de terror, recomendo que vcs deem uma olhada neste
    Uma Noite Para Esquecer (http://www.cineclick.com.br/uma-noite-para-esquecer).

  2. Pingback: O Último Caçador de Bruxas (The Last Witch Hunter – 2015) | Aquela velha onda.

  3. Anônimo disse:

    Legal

  4. Pingback: Deuses do Egito (Gods of Egypt – 2016) | Aquela velha onda.

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