November Man – Um Espião Nunca Morre

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À princípio eu achava que o título em português de November Man fosse ruim, mas depois de vê-lo com a presença do Pierce Brosnan e da Olga Kurylenko em uma trama ultra complexa de espionagem, aceitei a piada. Piada porque o título em português é um trocadilho com o título de 007 – O Amanhã Nunca Morre, que contava com o Pierce Brosnan como James Bond.

Peter Deveraux (Brosnan) é um agente aposentado da CIA que é chamado por um antigo contato na agência para realizar uma missão com envolvimentos pessoais. No meio da ação, uma pessoa importante para ele é morta e Peter começa uma busca pessoal para descobrir porquê armaram a cilada. Para isso, ele terá que proteger uma assistente social (Kurylenko) de uma assassina russa e de seu pupilo David Mason (Bracey), que tomou seu lugar após a aposentadoria e é o mais próximo de um amigo que ele teve como espião.

November Man é sobre dois assassinos que possuem uma relação de pai e filho e são obrigados a se enfrentar. Ao mesmo tempo é sobre uma garota assumindo o passado de estupro e de testemunho da morte dos pais. Também é um filme de ação e espionagem com estilo da trilogia Bourne. E ainda é uma adaptação de um livro que não tem nada a ver com 007, apesar dos astros e da sugestão do nome.

Querer ser tantas coisas em apenas um filme requer um roteiro muito bem equilibrado. Precisa dar espaço para desenvolvimento dos três personagens principais, criar contexto para que as cenas de ação tenham função na narrativa, ter uma trama de espionagem bem conduzida que seja condizente com tudo isso. November Man tem um pouco de tudo isso, mas nada trabalhando em conjunto para uma história fechada. Os dramas dos personagens nunca é aprofundado além de algum clichê ou de uma desculpa para uma cena de sexo com nudez parcial. As cenas de ação começam essenciais e vão ficando cada vez mais gratuitas. E a trama não faz sentido.

Peter tem essa relação de pai para David, dividida entre o amor e o ódio, o orgulho e a repulsa. David precisa da aprovação de Peter, mesmo que esta venha da superação no campo. O que pode significar matar Peter. A menina estuprada quer vingança e vai aprender aos poucos que isso pode ser mais satisfatório através do sistema que da violência. São três conflitos pessoais interessantes que são desperdiçados com o acelerado final que se presta a ser mais sobre tiroteios, perseguições e a reviravolta final que sobre os três. Principalmente a trama de pai e filho. David fica satisfeito com transar com uma vizinha loira (desculpa para que uma tal Eliza Taylor, estonteante, fique nua em uma cena de sexo gratuita) e Peter esquece o conflito em nome de uma família que surge de lugar nenhum.

The November ManPeter e David. Relação paterna resumida a sexo, nudez e uma famíla Ex Machina.

As cenas de ação no começo são sobre a trama. Como um questionamento de uma ordem de David que levou à morte de um civil inocente ou a um ataque a um carro com uma equipe de espionagem que atrapalhou Peter. Com o desenrolar do filme, os dois passam a enfrentar outros personagens que nunca estão a altura. Então deixa de ser ação lógica para ser sobre os protagonistas pulando de lado dando tiros, andando de costas para explosões e várias outras resoluções piegas que não empolgam. O clímax é apenas isso, sem mais nada original.

Quanto à trama. Duas coisas incomodam mais do que todo o resto. A reviravolta final anula todo o filme, porque para o vilão conseguir realizar o objetivo, bastava não ter feito nada no começo da história, mas ele faz sem ganhar nada com o ato. Depois existe a presença de uma assassina russa. Ela não é importante para a história, nunca se apresenta como um obstáculo para os protagonistas e, justamente por isso, é esquecida por eles e pelo espectador o tempo inteiro. Se não estivesse no filme, não faria falta.

A direção segue as regras Bourne a risca. Iluminação remetendo a luzes artificiais e muita câmera tremida. Sem metade do impacto e da capacidade de Paul Greengrass, diretor dos melhores filmes Bourne.

O Pierce Brosnan é um bom ator e convence como o espião aposentado que ainda é hábil e perigoso. Esse tal de Luke Bracey que faz David se esforça e é simpático, mas tem muitas limitações dramáticas. A Olga Kurylenko continua impressionante como sempre. O problema é que repete a personagem do péssimo Hitman. O interessante é que ela não tem vergonha de fazer o que for necessário para o filme, por pior ou melhor que ele seja. O ator que interpreta o vilão é péssimo. Parece que pegaram um cara na esquina e deram cinquenta dólares e uma marmita para aparecer no cinema.

Aproveitando a brincadeira feita com o nome do filme, talvez valha mais a pena procurar O Amanhã Nunca Morre (melhor 007 com Brosnan) do que assistir a este November Man. Mas, se você gosta de filmes de ação genéricos, a produção é uma boa pedida.

 

FANTASTIC…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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