Bons vilões

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O mundo do cinema com frequência homenageia ou eleva os vilões. Por diversos motivos. Quando vilões são adorados, normalmente é porque eles vendem ideias complexas que podem até convencer as pessoas da lógica por trás de suas ações. Através dessas lógicas, eles tendem a ser um conflito mais íntimo dos protagonistas e ameaças maiores. Quanto melhor a construção, mais eles passam a confrontar a lógica e a vida do próprio espectador.

Recentemente o canal Extra Credits do youtube fez dois vídeos em que explica a diferença entre vilões narrativos de vilões mecânicos nos videogames. Eles explicam como os dois tipos funcionam e como devem ser realizados para diferentes tipos de videogames. Como cinema não envolve mecânica de jogabilidade, o único tipo de antagonista que existe na mídia é o narrativo. Apesar de falar de videogames, o pessoal do canal apresentou bons argumentos para o que são bons vilões. Então vou usá-los para descrever, depois vou acrescentar algumas características que também acho importante.

Para começar, o vilão deve ser uma força opositora ao herói. Todo filme tem uma mensagem, mesmo o mais bobo e superficial. Em geral, os heróis representam alguma coisa para essa mensagem. O Batman serve como discussão para vigilantes e justiça, o Homem-Aranha discute responsabilidade pública, Jogos Vorazes fala sobre disparidade social e por aí vai. Assim como o herói precisa de argumentos para representar as mensagens da trama, o vilão deve ser o contra-argumento. É o vilão quem vai questionar o protagonistas com as questões que deveriam surgir diante de cada ideal. Ao fazê-lo o vilão também torna o universo do filme mais plausível. Afinal de contas, nada no mundo funciona em vias de mão única e ideias conflitantes existem para todos os assuntos.

Também por isso é importante que as motivações para essas contra argumentações sejam coerentes. Se o vilão for apenas um megalômano sem sentido, seu discurso não terá o peso para vendê-lo. O ideal é que seja tão coerente que o espectador deve ser capaz de compreendê-lo. De preferência, é até bom que o espectador consiga se identificar com as motivações, mesmo que não seja a favor das mesmas.

Para que isso funcione, também é importante que as ações do vilão falem por si mesmas. Bons vilões, assim como pessoas reais, não ficam entoando suas motivações para quem quiser ouvir. Eles até se explicam, mas o fazem quando é lógico. Se você acredita em algo, você fala sobre para amigos e para pessoas que acreditam no contrário e você quer convencer. Por isso o Coringa de Batman – O Cavaleiro das Trevas tem duas cenas de exposição. Quando é interrogado pelo herói, explica porque ele faz as coisas que faz. O faz tão bem que até o homem morcego questiona a racionalidade de seus atos. Isso porque tudo o que o Coringa faz durante a obra tem sentido de acordo com suas motivações.

Vilões são falhos. Ninguém é perfeito, portanto vilões também não o são. Quando o vilão é bom demais em alguma coisa, ele tende a passar a impressão de ser indestrutível. Ele também pode acabar mais carismático que o protagonista. Normalmente vilões assim são adorados por pessoas que os vendem como representação de como a maldade não é errada. Ou como já vi por aí, muita gente acha que as ações são corretas. Se o vilão é falho e sofre em suas tentativas de fazer o que acha correto, é mais fácil de o espectador sentir por sua busca e por sua proposta.

Além disso, o vilão deve ser uma ameaça constante. Tão real que sempre frustra os planos do protagonista. Nesse sentido, ele pode ser tanto ameaça física como uma ameaça mais complexa, como política ou judicial. Os melhores vilões fazem com que o espectador sinta medo pelos protagonistas e suas motivações.

Bons vilões são personagens como o Walter White de Breaking Bad. Neste caso, ele é tão compreensível para os espectadores que se passa por protagonista. Outro bom vilão é o Ozymandias de Watchmen, cujo objetivo é lógico, mas os meios são questionáveis. Nada de carinhas coloridos que gritam e riem feito malucos e só servem como desculpa para cenas de ação pífias, como o Electro do último filme do Homem-Aranha.

 

GERÔNIMOOOOOOOO…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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