Blu-ray de Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres

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Em uma resenha da edição mega especial em DVD de Clube da Luta, o resenhista disse que ver todos o extras daquele DVD é saber tanto sobre o filme quanto o próprio David Fincher. Exageros à parte, o blu-ray duplo (um disco com filme e outro com extras) de Os Homens que Não Amavam as Mulheres é comparável em qualidade com o DVD antigo de Clube da Luta.

Não escondo de ninguém que prefiro a versão americana deste filme à original, sueca. O motivo é simples, enquanto a sueca foi feita para a TV com o valor de produção típico da mídia, a versão americana foi dirigida por David Fincher com total liberdade criativa. O que significa, de forma bem clara, que a versão americana é muito superior à europeia.

Na minha opinião.

A fotografia é melhor, Fincher explica a história através de imagens, sem precisar que os protagonistas falem as pistas assim que as encontram. A Rooney Mara me fez repudiar a menina grávida de Prometheus de tão bem que estava no papel. Mas não viemos falar do filme em relação ao original, a ideia é como ele roda em blu-ray e é uma coisa linda. Fincher é um grande diretor de visuais e o blu-ray do filme o trata como merece. Definição e som são impecáveis.

O grande diferencial aqui são os bônus. São muitas horas, mais do que eu consegui contar. Eles estão divididos em um documentário curto com a equipe e o elenco sobre os livros, uma sessão sobre a pré-produção, outra sobre a produção em si, uma terceira sobre a pós e uma final sobre a divulgação. Cada sessão é repleta de material. Todos ótimos.

É fascinante ver o preciosismo de Fincher. Ele refilma cada plano umas 15 vezes sempre verificando cada detalhe no enquadramento. Faz os atores repetirem inúmeras vezes pedindo a eles para colocar o ombro numa posição um pouco diferente aqui, inclinando a cabeça em um ângulo diferente ali. Tudo com significado na trama. Seja um detalhe em um objeto de tortura do vilão, seja como ele mostra as feridas de Lisbeth depois do estupro para indicar que tipo de homem é o estuprador.

Ao mesmo tempo, é interessante ver como esse homem detalhista de visão tão única e filmes tão sombrios e obscuros é um cara divertido e brincalhão. Depois de passar quinze minutos determinando movimentos de câmera, detalhes de interpretação e até os pontos de foco, ele se vira e sai conversando e brincando com o fotógrafo. Isso se dá porque os takes complicados estão saindo tal qual o planejado.

Por outro lado, quando alguma coisa dá errado, é interessante ver como ele contém a raiva para não descontar em ninguém. Uma cena de diálogo entre os protagonistas foi reescrita para interna porque uma chuva que ia e voltava constantemente através de uma tarde arruinou aquele dia de filmagem. Todo mundo fica calmo com cada falha porque todos sabem que ninguém está tão irritado com a situação quanto Fincher. Então alguém inocentemente aponta para um arco-íris que surge no enquadramento. Fincher não consegue se conter e xinga o arco-íris com muito sarcasmo. É muito engraçado e nervoso ao mesmo tempo.

Em outra situação, Fincher está em uma plataforma de trem e decide com o cinegrafista que vão filmar lá no outro dia naquele mesmo horário. Então uma assistente aparece e avisa que naquele horário vai ter um trem chegando na estação e eles não poderão filmar. A resposta dele é: “Tem um trem chegando amanhã na hora em que a luz natural está perfeita?” A mulher responde que sim e é possível ver que, por baixo do comportamento calmo dele, Fincher está possesso.

É um material muitíssimo interessante e enriquecedor para quem gosta de cinema e quer aprender mais.

Destaque especial para o bônus que mostra como foi filmar a cena de estupro. Os dois atores terrivelmente incomodados e Fincher repetindo cada take dezenas de vezes. A cada corta os dois caíam para um lado tremendo. Logo em seguida vem o comentário do ator que faz o estuprador dizendo que sempre que tinha uma pausa ele saía para o camarim para chorar por quinze minutos. É muito forte e dá uma ideia de como fazer essas coisas é difícil.

Recomendo a todos assistir tudo o que vem nesse blu-ray. É um material excepcional.

 

FANTASTIC…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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