Debi e Lóide 2

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Quase duas décadas atrás, os irmãos Peter e Bob Farrely estrearam a fase em que eram chamados de os reis da comédia com o filme Debi e Lóide. Desta fase saíram produções como Quem Vai Ficar com Mary? e Eu, Eu Mesmo e Irene, algumas das melhores comédias para quem quiser apenas dar umas risadas de um conteúdo que beira o mau gosto. Agora eles retornam com a esperada continuação do primeiro filme reprisando os protagonistas.

Vinte anos mais velhos, Harry e Lloyd se encontram na mesma situação da produção anterior. São pessoas cujos cérebros não passam da maturidade dos 10 anos. Harry está com o rim entrando em falência e precisa de um transplante. Ao mesmo tempo, descobrem que ele tem uma filha desconhecida que foi oferecida para adoção em 1992. Os dois partem em busca da garota para tentar convencê-la a doar um rim para o pai. Porém, a família adotiva dela está envolvida em uma complicada conspiração.

Os dois personagens principais são pessoas inocentes tal qual crianças. E tal qual crianças, são mesquinhos, manipuladores, ignorantes e debochados. Mas diferentes dos infantes, eles tem corpos de adultos e vivem em meio a adultos. Incapazes de perceber que são machistas e cruéis, eles por muitas vezes assumem facetas de pessoas terríveis. O humor vem justamente disso. Harry e Lloyd são analogias para os inúmeros encontros ridículos que todos tem com gente preconceituosa e maldosa.

Escrito a doze mãos, o roteiro de Debi e Lóide 2 é inteligentíssimo. Ele segue a estrutura do primeiro à risca. Inclusive, repete cenas e situações. Como na maioria dos filmes da dupla de diretores, a história é uma mistura do gênero policial com road movie. As viagens são desculpas para as milhares de situações cômicas às quais os dois personagens se expõem. Tudo o que acontece no filme é importante para o clímax. Absolutamente tudo. Existe uma reviravolta inteligente que coloca tudo o que aconteceu durante o filme em perspectiva e é uma resposta direta a coisas que pareciam apenas piadas passageiras.

dumb-and-dumber-2-trailer-photos-4Lloyd tenta impressionar a filha do amigo. Humor a toda prova.

Os irmãos Farrely não se importam com fotografia ou enquadramento. Tudo no filme serve ao humor e ao ritmo do mesmo. Então usam de cortes espertos que criam gags, como a cena na qual Harry e Lloyd chegam no antigo apartamento e tudo parece em perfeitas condições, até que o corte revela que, por trás da câmera, existe um laboratório de metanfetamina. Também se preocupam com enquadramentos mais elaborados quando a piada acontece em segundo plano enquanto a história se desenvolve no primeiro. Na mesma cena de metanfetamina, o gato novo da dupla acaba experimentando um pouco da droga. Os dois tem uma conversa descontraída sobre como lidar com o problema do rim de Harry enquanto o gato aparece por trás do ombro de Lloyd tentando se pendurar no lustre.

O problema se encontra em diversas piadas que são construídas através de diálogos longos e que não têm graça. Muitas cenas são extensas demais e não fazem rir. O filme de quase duas horas poderia ser muito mais curto e engraçado. Também por isso, não está no mesmo nível da época em que os irmãos comandavam o gênero de comédia.

Jim Carrey e Jeff Daniels retomam os mesmo trejeitos cômicos do filme anterior com o mesmo nível de brilhantismo e a mesma química. O comediante Rob Riggle faz uma dupla de irmãos gêmeos trambiqueiros e não tenta fazer rir, abrindo espaço para que os protagonistas deem conta das risadas. A Kathleen Turner se permite ser zombada por sua forma física atual e faz uma boa participação. A Laurie Holden, mais famosa pela série Walking Dead, faz a vilã e está esquisitíssima, como nunca a vi antes.

Debi e Lóide 2 faz rir, e não quer fazer nada além disso. Infelizmente não é a grande comédia que gostaria de ser. Ainda assim, faz uma boa homenagem ao original. E saber que os dois atores principais gostariam de fazer mais continuações é bastante interessante.

 

FANTASTIC…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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