O Gigante de Ferro

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Um dos erros depois de assistir a Operação Big Hero foi rever O Gigante de Ferro logo no outro dia. Os dois tratam da amizade entre uma criança com um robô que desconhece as condutas humanas, mas que através de inocência são mais bondosos que os humanos. Até as estruturas de roteiro seguem os mesmos conceitos. Porém, O Gigante de Ferro é muito superior e arruinou bastante a experiência de Operação Big Hero.

Hogarth é um garoto em uma pequena cidade de interior dos Estados Unidos no ano de 1957. Ele descobre que os boatos recentes acerca de alguma ameaça caída do céu referem na verdade a um robô enorme escondido na floresta que cerca a cidade. O gigante não tem lembrança de onde veio devido à pancada de sua queda e Hogarth começa a ensiná-lo sobre a vida na Terra enquanto o esconde do governo dos Estados Unidos.

Desde E.T. esse tipo de filme já foi feito diversas vezes. Algumas boas, outras ruins. Como no caso de todo clichê, não é o fato de que já foi repetido a exaustão que os torna normalmente ruins, mas a má realização. No caso de O Gigante de Ferro, a ação se passa em um período de aproximadamente três ou quatro dias, e é o suficiente para convencer de que esse menino e o robô se amam.

O Gigante de Ferro possui rápidos 86 minutos de duração. O que é importante porque o garoto Hogarth é verossímil como criança, o que significa que ele não é muito simpático e divertido para os espectadores adultos. Como a história é contada do ponto de vista dele, é preciso que a contextualização seja toda focada ao seu redor. O roteiro, sabiamente, corre para apresentar o gigante, para fazer com que ele aprenda a interagir com o menino e enfim chegar ao amigo adulto dos dois. Este, chamado de Dean, é divertidíssimo e o roteirista parece saber disso. Dá para o trio um trecho bastante longo para desenvolver as relações dos personagens. Só então cruza a história com a trama do vilão, um agente do governo que morre de medo de qualquer tecnologia que não seja americana. Os diálogos são bem escritos, a estrutura é rápida e simples, mas desenvolve apenas o que é preciso.

iron_giant_by_vadeg-d4ivzfyDesign de destruição do gigante.

O diretor Brad Bird, o mesmo de Ratatoille e Os Incríveis, sabe quando desenvolver a ação e quando parar antes dos excessos. Ele desenvolve toda a direção de arte ao redor das ficções científicas do período representado. Na Terra o medo da destruição nuclear é parte importante da trama, com os filmes de terror com criaturas geradas por radiação e uma conversa constante sobre os perigos da União Soviética e a guerra nuclear. O robô gigante, por sua vez, tem o design típico das máquinas da época. Quando ele revela seu lado perigoso, o desenho lembra os de alienígenas redondos e brilhantes das ficções. Usando do máximo que a parte de animação da Warner possuía na época, ele mistura computação gráfica com animação tradicional e consegue um visual que está um pouco ultrapassado, mas ainda conta bem a história. Ainda assim, é notável a sacada de deformar o desenho do gigante quando o ângulo representado é o do garoto. Assim o robô parece tão grande que uma câmera precisaria distorcer a lente para captá-lo.

Para desenvolver a relação entre Hogarth e o robô, o filme acompanha o garoto ensinando ao gigante noções sobre a morte através de um cervo morto por caçadores. Vale lembrar que o robozão não tem conhecimento sobre conceitos de vida e morte por ser uma máquina alienígena sem memória sobre nada e ninguém. Ao saber sobre morte, ele aprende também o limite da vida e as consequências máximas da maldade. Eventualmente, os personagens descobrem que ele é uma arma de destruição, incluindo ele mesmo. Mas, agora apaixonado pelo conceito do Superman, ele precisa aprender a negar sua programação original. O que leva a dois momentos extraordinários, a cena em que, com um “não” ele cancela a programação e depois, quando precisa tomar a decisão final no clímax, sorri para a câmera e diz para si mesmo: “Superman!”.

Iron-Giant-Superman-1024x500Hogarth ensina sobre o Superman.

Com esses momentos singelos, O Gigante de Ferro consegue comover de forma honesta. Por isso ele virou o filme cultuado que é. Caso você seja adulto e procure um desenho que dialogue não apenas com os pequenos, assista o filme. Ele se encontra na Netflix e merece ser descoberto por quem ainda não o viu.

 

FANTASTIC…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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