Cinema merece mais respeito?

Cinema Belas Artes 01

Uma das coisas que ouço com frequência do Pablo Villaça é que o cinema é a arte menos respeitada. Ele disse no curso ministrado por ele do qual fiz parte, em alguns de seus vídeos e em uma palestra de uma mostra para a qual ele selecionou os filmes. De vez em quando discordo dele em relação a certos assuntos cinematográficos, como neste caso.

O argumento principal de Villaça é que as pessoas, em geral, respeitam quando alguém diz que vai ler um livro ou ouvir música clássica. Até quem não é versado nessas artes as respeita em seus aspectos mais intelectuais. O mesmo não se dá com o cinema. No caso de filmes, as pessoas tendem a ver o assunto como um passatempo de fim de semana e estão mais propensas a aceitar os materiais de pior qualidade em nome da diversão superficial.

O que não quer dizer que Villaça, ou eu, acreditemos que diversão por diversão não tenha valor. Como ele disse em seu vídeo sobre Guardiões da Galáxia, “Guardiões da Galáxia está aí ‘só’ para divertir. Só entre aspas, porque é um objetivo extremamente nobre e válido.” Eu concordo com ele e faço questão de realçar que muitas vezes filmes divertidos são melhores que muitos bons filmes mais densos.

Discordo do ponto de vista de Villaça porque acho que outras formas de arte são muito menos respeitadas não apenas pelo público geral, mas também pelos estudiosos, realizadores e até mesmo fãs dessas artes. O dito popular afirma, acertadamente, que o cinema é a sétima arte. Seguindo a contagem oficial (existe uma, é fácil de pesquisar), a fotografia é a oitava, as histórias em quadrinhos são a nona, os videogames são a décima e as artes digitais a décima primeira. Porém, poucas pessoas reconhecem histórias em quadrinhos e videogames como arte.

Pelo menos, a opinião popular os desmerece muito mais que o cinema. A mídia dos quadrinhos é vista como berço do ridículo. Tanto o é que as pessoas aceitam as cores mais berrantes e absurdas em quadrinhos que o cinema ou o teatro permitiria em suas obras. Tanto o é que a parte mais popular dos quadrinhos é a do seguimento de heróis de collant, com mulheres seminuas e muitas construções escalafobéticas. Basta observar os universos expandidos, como as histórias estelares da DC ou as sagas de clones e troca de cérebros da Marvel. Os próprios fãs de HQ aceitam isso e se envergonham de ler as histórias em ambientes públicos.

Porém, de vez em quando alguém faz algo sério e “profundo”, permitindo uma leitura mais respeitosa da arte. Reinventaram a Ms. Marvel recentemente e discutiram nela os valores femininos e todos os problemas mais sérios desses universos absurdos de HQs. O selo Vertigo foi a origem de diversas obras maiores como o Sandman e o Monstro do Pântano. Nenhum deles seria discutido como superficial, estúpido ou infantil como a maioria dos heróis.

Sandman-bannerQuero ver alguém dizer que não é arte.

No caso de games é ainda pior. A comunidade dos jogadores é sexista, representantes da chamada comunidade artística moderna não aceitam chamá-los de arte e a visão popular em relação a eles é ainda pior que a dos quadrinhos. Já vi uma mulher dizer que homens gostam dessas coisas de menino que são os videogames. Grande parte dos realizadores não se esforçam em tentar fazer obras mais profundas e por aí vai.

Mas é preciso lembrar que o MoMA (Museum of Modern Arts) tem uma sessão de games dentro de suas galerias, que jogos como Gone Home e The Walking Dead tem suscitado discussões mais complexas e profundas, que todo jogo exige um departamento chamado de arte porque é preciso definir um padrão estético para todos. Até o recente DMC, que é focado mais em mecânica que em narrativa, tem uma arte riquíssima e bela.

_66200277_neweditMostra de games no MoMA.

Da mesma forma que discordo de Villaça neste aspecto, sou obrigado a concordar que o cinema não recebe o respeito devido. Principalmente por conta de pessoas cujas opiniões não podem ser contraditas. Muitos criam carinhos por filmes e não aceitam argumentos contrários aos seus. Isso não acontece com livros, pinturas e grande parte das artes mais respeitadas.

 

GERÔNIMOOOOOOOOOO…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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