Homem-Formiga

Escrito em colaboração com Tainá Arantes.

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Mais um herói da Marvel chega aos cinemas. Desta vez a expansão dos pequenos quadros das HQs para o telão do cinema serve de paralelo irônico com os próprios poderes do novo super. O Homem-Formiga encolhe até o tamanho de um inseto minúsculo e consegue controlar os bichinhos de quem retirou o nome. E agora, desconhecido do público e com baixas expectativas, ele é a nova aposta do estúdio.

Hank Pym (Michael Douglas) descobre que o antigo aprendiz e atual presidente da empresa que ele construiu, Darren Cross (Corey Stoll), encontrou a partícula Pym, criada por ele como arma de guerra décadas antes. Com medo de que a partícula seja vendida para forças erradas, Pym chama o assaltante Scott Lang (Paul Rudd) para assumir a antiga identidade de guerra, Homem-Formiga, e, junto com a filha Hope (Evangeline Lilly), destruir todas as informações da tecnologia adquiridas por Cross.

A Marvel como estúdio de cinema se encontra em um momento complicado. Os maiores astros da franquia Vingadores querem se desvencilhar dos cargos atuais por questões contratuais. A solução encontrada foi apostar em heróis menos conhecidos que também possuem o potencial para carregar o título nas costas. Guardiões da Galáxia foi o primeiro passo na direção certa. Homem-Formiga é o último filme da chamada segunda fase Marvel e abre espaço para os novos heróis que tomarão os cinemas na terceira. Com exceção das continuações, todos são desconhecidos.

A estrutura de roteiro do filme segue um estilo inesperado para quem já acompanha o estúdio desde Homem de Ferro. Ao invés de ser uma origem heroica, um filme de espionagem ou um drama shakespeariano, Homem-Formiga é um suspense de assalto. Nos mesmo moldes que fizeram sucesso com a trilogia “tantos homens e algum tipo de segredo”. Os personagens principais (tanto vilões como protagonistas) são apresentados, eles elaboram um plano para uma invasão complicada e passam todo o segundo ato em preparação e em busca dos elementos necessários para o roubo. O terceiro ato inteiro, que também é o clímax, é feito do assalto em si e de como eles lidam com as complicações que surgem durante.

640_antman_antfriendLang encontra uma amiga fofinha.

A grande sacada aqui é fazer com que o estilo se adeque também ao padrão Marvel. Muita ação, muito humor pontual, efeitos especiais pra todo canto e referências aos outros filmes do estúdio para garantir uma conexão entre eles e encaminhar para o próximo grande Vingadores. Mas ao invés de parecer um episódio serial para a grande trama do universo Marvel, Homem-Formiga tem uma história fechada em si. Ainda mais, o vilão é parte do desenvolvimento da trama desde o começo do filme. Ele não vira o inimigo de repente apenas para que o filme tenha uma batalha final. A batalha final é parte fundamental dos problemas enfrentados durante o assalto no clímax.

Se em termos estruturais o roteiro é ótimo, no texto em si é que ele derrapa. Além de diversos furos de roteiro, como o momento em que se revela que Scott tinha formigas infiltradas em um lugar que era impossível de infiltrar, a substituição da dupla Edgar Wright e Joe Cornish por Paul Rudd e Adam McKay criou momentos de humor forçados. Com frequência Scott solta comentários engraçadinhos que não têm graça e diminuem um pouquinho a identificação com o personagem. Ele não parece se importar com a situação de escala global com a qual se envolveu. Pior ainda é o personagem do Michael Peña, como um estereótipo de gangster mexicano que gera duas sequências de cortes fora de contexto, apesar de bem dirigidas.

Isso também se dá por conta da troca de Edgar Wright por Peyton Reed na direção. Basta ver o currículo de Wright para perceber que esse cara sabe fazer comédia com ação como poucos. Reed, por sua vez, pega pesado no humor. Por outro lado, ele dirige a ação muito bem. Fazer lutas com um personagem que vai do normal para o minúsculo exige um planejamento detalhado e uma montagem eficiente. Uma luta do Homem-Formiga contra um certo personagem da Marvel é de cair o queixo. O grande clímax também. Apesar de Scott sumir e reaparecer devido à mudança de tamanho, o espectador sabe sempre onde ele está no contexto espacial e onde todos os inimigos e obstáculos se encontram. Existe sempre um perigo iminente, o que faz com que o espectador torça pelos personagens durante as brigas e sinta medo por eles.

downloadJaqueta Amarela. Nome do vilão provém de inseto real.

Os efeitos especiais são ótimos e brincam com uma mudança de iluminação quando Scott fica diminuto. Tudo brilha e se torna computadorizado, mas ainda parece real. Com exceção das formigas. Elas são bonitas, estão formadas tais quais as formigas de verdade, mas sempre parecem falsas. Destaque em especial para a computação utilizada para rejuvenescer o Michael Douglas em uma cena. Se o efeito sempre pareceu estranho em outras produções, aqui finalmente alcançou a perfeição. É impossível dizer que ele não tem uns quarenta anos na cena.

Paul Rudd é simpático e engraçado. Convence muito bem no drama familiar do personagem, mas na hora da ação não parece estar muito envolvido. Michael Douglas está ótimo como o pai que busca em outro mais novo a chance de redenção que nunca teve. A Evangeline Lilly dá conta do papel de Hope, mas não se destaca. Corey Stoll se impõe muito bem como o vilão rancoroso. Infelizmente é mais um dos bandidões da Marvel que será esquecido. No elenco de apoio, Bobby Cannavale ganha uma ponta ingrata como um novo marido da ex-mulher de Lang. Esta, por sua vez, ganha as caras da excelente Judy Greer, que também merece mais do que os papéis que pega normalmente.

Ao final, Homem-Formiga é um ótimo filme de roubo. As pequenas pontas do universo Marvel são divertidas e não parecem forçadas. A ação é bem feita e prende. O humor funciona com muita frequência. O roteiro tem furos aqui e ali, mas são irrelevantes diante da boa estrutura. O resultado é o que a Marvel promete normalmente, diversão pura e de boa qualidade. Neste caso, melhor que outros episódios de série realizados pelo estúdio.

P.S.: O filme possui duas cenas pós-créditos. Espere até o final.

Vídeo do qual fiz parte do site Portal Crítico para falar do filme.

ALLONS-YYYYYYYY…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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