Além de Hollywood – O Melhor do Cinema Australiano

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Muitas coisas aconteceram no mundo durante a revolução sexual que aconteceu a partir dos anos 1960. Como sempre, a cultura reflete a realidade. De uma forma irônica e divertida, tais reflexos ficaram parecidos através de diferentes culturas. Mais irônico ainda é que três estilos de países diferentes se refletiram na Austrália. É parte da graça de descobrir o cinema do país no documentário Além de Hollywood.

O diretor Mark Hartley entrevista atores, diretores e produtores que participaram da produção cinematográfica australiana nas décadas de 1970 e 1980. Além desses, conta com a presença de realizadores modernos que afirmam publicamente serem influenciados pelos filmes citados. O movimento ficou conhecido com Ozploitation.

O filme se divide em quatro partes. Uma introdução do contexto sociocultural do cinema australiano na época, então apresenta cada uma das três divisões do movimento. Uma focada em comédias eróticas, outra em horror e a terceira em ação.

A parte erótica é claramente feita de filmes de qualidade duvidosa. Os produtores, atores e diretores afirmam que queriam reinventar a forma como a Austrália era representada para o resto do mundo. Ao término do movimento hippie, grande parte da população fazia muito sexo com muita frequência e esses filmes representavam muito disso. Com uma reviravolta. Eles tendiam a zombar da Europa. Os entrevistados falam mal da França ou da Inglaterra como se os países fossem esnobes. Daí surgiram franquias cinematográficas como Barry McKenzie, sobre um australiano que transa com muitas europeias em diversos filmes. Todos com nudez frontal e longas cenas de sexo.

Fácil de ver relação temática com a pornochanchada brasileira?

Barry-4Gravação de um dos Barry McKenzie.

As outras partes são muito mais interessantes. Mantêm a nudez, mas acrescenta violência com direito a muito gore e algumas ideias realmente interessantes. Nestas partes o Quentin Tarantino praticamente toma conta das entrevistas ao dizer para praticamente todos os filmes que eles podem ser exibidos para plateias modernas que serão sucesso. Ele, inclusive, pegou referência do filme Patrick para fazer o coma da noiva em Kill Bill. Além disso, o cineasta James Wan (que tem feito bons filmes de terror), é australiano e aponta como usou referências dos filmes de horror nos dele.

A segunda parte é de filmes de terror. E muitos lembram o movimento giallo da Itália. Outros têm tramas psicológicas pesadíssimas. As pessoas no documentário elogiam muito o horror de Long Weekend, no qual os personagens são atacados pela natureza, mas nunca fica claro se existe uma força por trás.

notquite2_A protagonista feminina de Arlequim. Horror surge de ilusionismo.

A terceira parte é a que talvez mais tenha feito sucesso internacional. Filmes de violência que remetem fortemente à reinvenção do cinema hollywodiano de 1960. Inclusive, um deles conta com a participação de um dos grandes representantes do movimento, Dennis Hopper, no filme Mad Dog Morgan. O sucesso se deu graças ao Mad Max, cuja realização chocou o mundo tanto pela violência quanto pela forma como foi filmado. Os dublês, diretores e câmeras se dependuravam em carros para filmar com ângulos ousados os diversos acidentes.

resizeMel Gibson e o Ozploitation tomam o mundo em Mad Max.

Ao final do divertido documentário, cheio de histórias engraçadas, a lista de filmes pra assistir aumenta muito. No meu caso foram 18 obras a mais.

FANTASTIC…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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2 respostas para Além de Hollywood – O Melhor do Cinema Australiano

  1. Pingback: Patrick (1978) | Aquela velha onda.

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