Patrick (1978)

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Um dos grandes representantes do ozploitation, Patrick ficou tão marcado no imaginário popular na época em que foi lançado que ganhou remake giallo e outro recente, do mesmo diretor de Além de Hollywood, Mark Hartley, chamado Patrick: Evil Awakens. Este recebeu críticas positivas, mas ainda não tem distribuição no Brasil. O original, porém, merece o status de clássico, mesmo que cult.

Kathie Jacquard arruma emprego em uma enfermaria para ser cuidadora de um paciente em coma há três anos chamado Patrick. O passado dele é desconhecido, mas as condições são únicas. O físico e o cerebral não condizem com o padrão de estados vegetativos. Por isso ele é mantido vivo, para estudos. Kathie passa por um divórcio e tenta reorganizar a vida profissional e amorosa enquanto cuida de Patrick, mas coisas estranhas começam a acontecer.

Para quem não conhece o movimento ozploitation, trata-se de um estilo de cinema australiano que surgiu após a revolução sexual da década de 1960. A Austrália passou a fazer filmes que focavam bastante no erótico, no horror e na violência com direito a muitas batidas de carros. Patrick faz parte do escola de terror, com foco no suspense, e trata, surpreendentemente, sobre libertação feminina.

patrick-1978-7Kathie aos poucos se revela mulher independente e segura.

Patrick é, para os padrões atuais, um filme lento. Apesar de a condição de Kathie ser apresentada rapidamente, até que as coisas fiquem realmente alarmantes demora quase uma hora. Porém, essa hora é focada no desenvolvimento de diversos temas. Dentre eles, a vida de recém-solteira da protagonista e o mistério da condição de Patrick.

O ex-marido dela parece persegui-la, ao mesmo tempo em que um médico bem sucedido tenta fazer sexo com ela. Nada parece incomodá-la. Nenhum desses homens é razão para que ela perca a segurança. Da mesma forma que não significa que ela precisa negar os sentimentos. Teve um longo relacionamento sério com o marido, o que garante que ainda sinta algo por ele. O médico bem sucedido a atrai, por mais que não lhe interesse como companhia além do conhecimento para investigar o caso de Patrick. O paciente desperta fascínio e empatia nela.

O mistério envolve os três. Primeiro certos objetos movem sem ser vistos, alguns funcionários do estabelecimento médico parecem esconder segredos, a casa de Kathie é revirada, o médico galante sofre um acidente na piscina, o marido perde a sensibilidade nas mãos e Patrick parece reagir apenas ao contato da nova enfermeira. Os eventos aumentam em ritmo e escala até o clímax final, quando Kathie confronta a razão dos mesmos. A discussão é absolutamente feminista. Não é por ser casada que ela não tem direito de fazer sexo com alguém por quem sente atração ou de se permitir decidir de quem realmente gosta. Nenhum desses homens é dono dela ou ela tem alguma obrigação para qualquer um deles.

patrick-1978-8Kathie e Patrick. Relação confusa.

O diretor Richard Franklin domina bem o gênero. Dá sustos quando não é realmente um momento de horror, como quando Kathie apenas arruma uma tomada no quarto de Patrick. Quando uma pessoa está realmente em perigo, trabalha mais com o suspense de não saber o que vai acontecer sem esconder nada, como no caso da primeira morte, na qual não se sabe a intenção dos envolvidos, nem quais os perigos em que se metem. Os ângulos criam pequenas angústias. Ficam levemente tortos de baixo pra cima. Quando os personagens estão em desespero, a câmera os captura de cima para diminuí-los.

Os atores são o ponto fraco. Kathie é interpretada por uma mulher inexpressiva. Os três concorrentes ao coração dela são machos padrões sem presença. O médico encarregado do caso de Patrick é um não ator tresloucado. Só salva mesmo a enfermeira chefe, que abraça o estereótipo da encarregada com um segredo que a consume.

O filme copia descaradamente algumas coisas. Alguns planos são de O Iluminado. A cena da piscina imita até a trilha de Tubarão. Mas reutilização de estilos é apropriada na maioria das cenas e vira um estilo próprio. Patrick funciona independentemente das referências e é um terror das antigas, lento, centrado em ambientação e trata de coisas além do horror.

 

GERÔNIMOOOOOO…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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