Sessão Viver Mais do Itaú Casa Park

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Convidado para a palestra da professora Maíra Carvalho após uma projeção de Minha Querida Dama no dia 30 de junho, descobri por acidente a sessão Viver Mais que o Itaú promove uma vez por mês. A surpresa foi boa e a experiência abriu a cabeça para uma nova perspectiva de um público que o cinema tem redescoberto.

A sessão Viver Mais acontece toda última terça de cada mês às 14h com um filme focado em personagens mais velhos. As duas últimas passaram O Exótico Hotel Marigold 2 e Minha Querida Dama. Após cada filme, um convidado fala sobre temas relacionados com velhice e cinema. Na sessão do dia 30, a professora Maíra Carvalho falou sobre a pesquisa de mestrado dela, que trata especificamente de como o cinema representa a velhice de mulheres. A sessão sai de graça para os espectadores com mais de 55 anos de idade.

A quase uma hora de conversa com os presentes passou por diversos tópicos. Desde a participação da atriz Maggie Smith no filme, onde ela não é retratada como a típica idosa de filmes, até o ponto de vista das pessoas na sala. Foi, na verdade, a grande surpresa do evento.

IMG_1411Maíra explica a dissertação de mestrado na sala de cinema.

Durante as explanações de Maíra, ela apresentou um fato que tem se tornado influente na indústria cinematográfica recente. O público mais velho aumentou de quantidade e tem um conforto monetário maior, além de mais tempo no caso de aposentados, para ir ao cinema. Ela tratava, obviamente, do grupo presente ali. Então eles disseram algo impressionante, “Nós somos a exceção”.

Não foi um ou dois, mas vários deles. Em voz alta e de forma clara. o outro termo utilizado foi “minoria”. E não minoria porque os mais jovens estão em número maior que o deles. Minoria porque são os privilegiados. Representantes de uma parte pequena da população que tem condições de se aposentar com conforto. Que pode se dar ao luxo de não precisar mais trabalhar porque a aposentadoria os sustenta e os filhos conseguiram seguir uma carreira que acaba com a dependência deles. Ainda acrescentam aqueles muitos que perdem as condições físicas e mentais de simplesmente poder ir ao cinema sem que alguém precise levá-los.

Isso foi ainda mais surpreendente quando se pensa em como grande parte dos adultos empregados de classe média alta não têm capacidade de compreender que existe a pobreza e a miséria. De alguma forma eles não sabem que representam apenas 5% das pessoas. Enquanto isso, os pais deles guardam uma tarde para assistir a um filme e ouvir uma mulher de 35 anos dizer que eles ganham mais reconhecimento a cada dia. Isso porque eles mesmos sabem que são uma excessão.

IMG_1420Maíra diante de um público interessado e interessante.

Além disso, houve a maravilhosa lição de humildade quando todos eles disseram que não se consideram velhos. A frase que um deles usou foi “Você começa a ficar velho quando passa a se considerar velho”.  Eles vivem a vida ao máximo. Não com coisas de “jovens”, mas com o que lhes diverte e dá prazer. Afinal, não há tempo certo pra viver. É quando outra frase especial foi comentada: “As pessoas dizem ‘no meu tempo’. Mas não existe esse ‘meu tempo’. Meu tempo é agora”.

A próxima sessão Viver Mais será na próxima terça, dia 28. Recomendo para quem tem mais de 55 anos ir e aproveitar uma discussão bacana seguida de um filme. Tudo de graça. Para quem tem menos, também recomendo porque é muito interessante ter esse contato que permite aprender muito, tanto sobre pessoas diferentes quanto sobre si mesmo, diante das diferenças.

ALLONS-YYYYYYYYY…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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