Sobrenatural

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Quarto filme do diretor em ascenção, James Wan, Sobrenatural ainda era uma aposta de uma dupla que se descobria no cinema. Junto com o amigo Leigh Whannell, ele criou Jogos Mortais, que foi um grande sucesso surpresa. Logo em seguida, o horror Gritos Mortais e o drama/ação Sentença de Morte sequer foram percebidos. Este Sobrenatural foi outro pequeno sucesso que surpreendeu repentinamente.

Renai (Rose Byrne) e Josh (Patrick Wilson) Lambert são pais de três filhos e se mudam para uma nova casa. Após uma noite calma, o filho Dalton (Ty Simpkins) não acorda mais. Três meses depois Renai passa a ouvir vozes nos quartos das crianças durante o dia e o filho Foster jura que escuta o caminhar do irmão em coma pela casa durante a noite.

Sobrenatural, que se tornou trilogia recentemente (o terceiro capítulo estreia no Brasil semana que vem), é uma franquia típica do horror estadunidense recente. Família em casa comum é assombrada por algum demônio, fantasma ou monstro. Ângulos “espertos” escondem os bichos atrás de portas, espelhos, cortinas, janelas, sombras e por aí vai. Tudo em prol do susto fácil.

InsidiousSorriso surpresa. Qualquer coisa pra dar um susto.

Leigh Whannell não é um grande roteirista. Quando se leva em conta que o melhor roteiro do cara é Jogos Mortais, fica óbvio que falta um tanto de talento ali. Os melhor trabalho de Wan é justamente aquele no qual ele não contava com o parceiro no texto, Invocação do Mal. Whannell conta uma história incoerente, com reviravoltas que não fazem sentido e muitas pontas soltas.

A estrutura do texto se divide em duas. A primeira metade com Renai a tomar sustos pela casa enquanto o esposo não acredita nela. A segunda com a presença da paranormal Elise (Lin Shaye), que explica a trama e conduz ao terceiro ato, no qual o casal precisa tomar a última atitude de desespero para salvar o filho. Este terceiro ato dura aproximadamente meia hora e parece mais uma cena de ação e estilo que de terror.

Wan é um bom diretor e sabe como usar a câmera para dar noção de espaço sem revelar espaços onde as criaturas do mal podem se esconder. Grandes angulares revelam a amplitude da casa, mas se movem incansavelmente para fazer com que aquela esquina suspeita saia de cena quando o espectador quer ver tudo o que acontece. A direção de arte minimalista cria muito com pouco. Os fantasmas são as típicas pessoas de preto com muito pó de arroz, mas são eficientes. O bicho que levou Dalton é um demônio original que nunca é revelado completamente pela fotografia esperta.

InsidiousCastLyn Shaye. Atriz acrescenta brilho ao filme com uma vidente diferente do padrão.

O erro de Wan é apostar nos sustos fáceis. Sempre que poderia trabalhar com o medo e a tensão, os arruína com um susto safado e previsível. Tão previsível que o espectador fica com mais medo da surpresa que da situação tensa que o filme deveria apresentar. Esse recurso escala até que a tal cena de clímax vira um espetáculo de sustos bobos. Chega a ser chato. Com a péssima reviravolta final do roteiro de Whannell, o filme termina incômodo.

A Rose Byrne é uma de minhas atrizes favoritas, mas com frequência se pega em uns papéis que reduzem as mulheres a seres que gritam e apoiam os homens. Aqui ela é só a esposa assustada que precisa da permissão do marido pra tomar ação contra as aparições da casa. Patrick Wilson é um ótimo ator que sempre atua como algum tipo de bobo perdido, e ele faz o mesmo com Josh. Quem domina o filme é a Lyn Shaye, que consegue até dar ritmo a partir do momento em que entra em cena. Ela cria uma vidente diferente, sem estereótipos tresloucados.

Apesar de o James Wan ser um bom diretor, assistir Sobrenatural chega a ser decepcionante. É triste ver um talento desperdiçado em um roteiro com ideias tão ruins.

 

FANTASTIC…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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