Evereste (Everest – 2015)

everest-movie-2015

Em 1992, o escalador neozelandês Rob Hall (Jason Clarke) fundou a empresa Adventure Consultants, que fazia subidas anuais no monte Everest com turistas pagantes. Em 1996, pela primeira vez sem a companhia da esposa Jan (Keira Knightley), que estava grávida, Rob encontrou um problema na descida e quatro dos montanhistas morreram no evento.

Entre os escaladores do grupo, estava o jornalista Jon Krakauer (Michael Kelly), que escreveu o romance No Ar Rarefeito sobre o evento. Este filme Evereste é uma adaptação do livro. A ideia aqui é homenagear aqueles homens, desvendar as motivações para alguém se meter a escalar uma montanha com altura que não dá espaço para a sobrevida humana e contar a história da tragédia.

Em meio a esse monte de razões para o filme pode estar a origem dos problemas de Everest. O filme é desequilibrado em termos de ritmo e de história. Inicia com o encontro do grupo no aeroporto no Himalaia e os apresenta aos poucos, enquanto passa a preparação para a escalada.

aa44_d006_00638Josh Brolin. Personagem destacado.

Alguns ganham mais destaque que outros, como o milionário que enganou a esposa para estar ali, Beck Weathers (Josh Brolin), o carteiro que juntou todas as economias para provar para os filhos que sonhos são possíveis, Doug Hansen (John Hawkes), a equipe de solo e o principal concorrente deles. Esta brincadeira dura aproximadamente uma hora e vinte dos 120 minutos do filme. Quando eles finalmente precisam confrontar os perigos da montanha para descê-la, a produção já perdeu o pique.

Mil e um diálogos expositivos explicam os muitos termos técnicos complicados de uma escalada tão perigosa quanto o Everest. Cenas em que discutem a necessidade de tanques de oxigênio, em que apresentam as capacidades de escadas de alumínio como pontes, em que revela-se uma segunda equipe em uma montanha ao lado para observar de longe o grupo, sobre os diversos acampamentos em diferentes níveis de altitude do Everest. A tecnicalidade é tanta em meio a pouca história e desenvolvimento de personagens que mais parece que o espectador assiste a um manual de instruções filmado.

O diretor de filmes de ação, Baltasar Kormákur, tem um grande apoio técnico. Cenários que mimetizam a parede da montanha real sofrem cortes para ambientes reais sem parecer falsos. O que denuncia é a estratégia de filmagem do realizador. Em um dos momentos mais fracos, um alpinista morre porque a falta de oxigênio no cérebro o faz ter alucinação térmica e começar a tirar as roupas por achar que está com muito calor. O perigo é real, mas ele morre porque dá um tropeção tosco e cai para o lado. A câmera filma de próximo e não tem cortes, o cara está lá e de repente some em um canto do enquadramento. Como não existe noção espacial do lado para o qual ele caiu, não parece que ele realmente morreu. Parece que o ator deu um pulinho pro lado e foi receber o cachê pela participação no filme.

everest_q1qrTocar o pico do Everest. Sets convencem.

O elenco conta com nomes surpreendentes. Jason Clarke é simpático e Rob ganha muito com a interpretação dele. A Keira Knightley deve ter atuado por dois ou três dias. Michael Kelly é um desses coadjuvantes marcados para ser sempre desconhecidos, mas que são ótimos. Não decepciona como Krakauer. Josh Brolin está ótimo como o ricaço metido e tem o final mais interessante da trama. O filme, porém, é do John Hawkes. Não apenas porque ele é um bom ator, mas porque o personagem é o mais fascinante da trama. Além destes, Emily Watson, Sam Worthington, Jake Gyllenhaal e Robin Wright são nomes que, sozinhos, já seriam bons motivos para assistir ao filme. É incompreensível como essa escala de atores se juntou a uma produção tão fraca.

Evereste funciona como curiosidade sobre escaladas. Para quem não tem interesse e quer fugir de um melodrama óbvio, é melhor procurar algo com um tom mais contido. Quanto a procurar algo do Krakauer, a recomendação é ver Na Natureza Selvagem, também baseado em livro dele.

 

ALLONS-YYYYYY…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
Esse post foi publicado em Filmes e marcado , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Evereste (Everest – 2015)

  1. Pingback: Filmes ruins de 2015 | Aquela velha onda.

  2. Anônimo disse:

    Realmente, o filme não é uma obra prima. Mas comparado a este post, se torna uma. Qual é o nome do filme? Evereste. Queria o que? O drama das novelas da Globo? Mostrou o Evereste em grande estilo e a vida real dos alpinistas. É só isso que alguém que procura por esse filme quer assistir.

    • Vina disse:

      Creio que a pessoa espere pelo menos por um filme bom. Pior que o que o filme mostra é muito parecido com o drama das novelas da Globo. Por isso é tão ruim.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s