A Visita (The Visit – 2015)

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Becca e Tyler vivem sós com a mãe depois que o pai os abandonou. Um dia os avós maternos dos dois entram em contato com a família porque querem conhecê-los. Os meninos viajam para passar uma semana com os parentes. Aos poucos fica claro que tem alguma coisa errada com o vovô e a vovó.

A nova produção do diretor M. Night Shyamalan vem cercada de mistério. Ele retorna ao gênero no qual chegou ao sucesso, o terror. Depois de muitos problemas com grandes orçamentos que possuem resultados mambembes, ele resolve se arriscar com um filme de custo baixo e com a moda da câmera de mão.

O estilo limita as capacidades do diretor, o que pode ser um recurso bem vindo. Muitas ideias criativas surgem de limitações. A Visita, porém, parece demais com o estilo habitual de Shyamalan. O ambiente caseiro americano com o tom de estranhamento domina. A casa com tons de madeira e marrom dão abertura para que as sombras dominem no escuro, mas ainda são acolhedoras durante o dia. O estilo reflete os anfitriões idosos. Na aparência, são carinhosos, simpáticos e acolhedores. Nos detalhes escondidos da rotina, existem pequenas incoerências com a aparência de bons cidadãos.

The-Visit-trailerVovó! A gente já desligou o projetor.”

O diretor também acerta ao trabalhar mais com o suspense e a tensão que com sustos fáceis. Becca e Tyler descobrem da pior maneira que a matriarca sofre de sundowning, uma síndrome relacionada com demência. A pessoa doente sofre de transtornos e surtos com a diferença de luz após o pôr do sol. Sem conhecimento da condição da avó, os garotos apenas escutam barulhos estranhos no corredor fora do quarto. O portal para a porta é adornado com um papel de parede negro (vide a imagem principal do post). Existe uma transição física intimidadora antes que eles possam abrir a porta. Quando o fazem, não há aparições súbitas com acordes estridentes para assustar. Os barulhos continuam e aumentam para indicar que algo se aproxima até que a senhora idosa passa correndo descontrolada diante da porta. Não assusta, mas é tenso e cria medo de que haja algo estranho com a avó.

O suspense e a tensão servem para sustentar um mistério. Existe algum problema com os parentes além de simples condições de saúde comuns a idosos? O questionamento tem valor tanto como manutenção de trama quanto como na vida real. O que é perigoso. Poderia facilmente se tornar uma desculpa para estimular preconceitos contra pessoas fragilizadas e vulneráveis. Felizmente, a explicação final abre espaço para algo mais aterrorizante e justifica como a deterioração natural do cérebro humano não é desculpa para intolerância contra os mais velhos.

O roteiro busca construir situações rotineiras através de brincadeiras comuns entre familiares e detalhamento das personalidades. Daí surgem cenas como o momento em que Tyler decide parar de falar palavrões e substituir os termos chulos por nomes de celebridades americanas. Não condiz com um adolescente que sonha fazer rap para conquistar garotas com letras sexistas, mas permite ao espectador rir durante uma cena tensa quando o garoto fala o nome de uma cantora depois de perceber algo estranho no comportamento dos parentes.

the-visitOs meninos falam com a mãe. Personagens mal construídos.

O ritmo do filme não é tão bom. Entre as partes de dia, nas quais poucos mistérios são respondidos e os meninos não ficam tão tensos, vira mais um diálogo lento sobre valores de pessoas idosas e o drama familiar sobre abandono paterno. De noite a tensão funciona bem. O problema se encontra na repetição que surge disso. Como o filme se passa no período de segunda ao sábado, ele refaz o mesmo ciclo até a última noite, na qual a trama finalmente desenvolve. Até então, serão cinco dias de conversas e quatro noites de vovó barulhenta.

A Visita é um filme de terror diferente do que se vê com frequência no cinema americano recente. Com muitos bons momentos e sem sustos forçados, não faz mais do que filmes do gênero deveriam fazer. O roteiro sofre com pequenas incoerências e as reflexões soam vazias. Ainda é eficiente e funciona na hora de dar medo.

 

ALLONS-YYYYYYYY…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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