Os Limites da Sanidade (Olhos da Justiça – 2015)

trio principal

Uma equipe de investigadores da divisão de antiterrorismo do FBI se envolve em mais um caso. Só que, dessa vez, trata-se do homicídio da filha de Jess, uma das agentes. O crime é investigado por ela, a supervisora Claire e Ray, mas acaba sem solução. 13 anos depois, ele crê ter encontrado a pista necessária para iniciar uma nova investigação e conquistar o encerramento esperado.

Olhos da Justiça, remake do filme argentino O Segredo dos Seus Olhos, tem Billy Ray como diretor e roteirista. O texto original é de Eduardo Sacheri e Juan José Campanella. No elenco, estão presentes os grandes atores Nicole Kidman, Chiwetel Ejiofor, Julia Roberts, Dean Norris, Michael Kelly e Alfred Molina.

A tensão toma conta desde os primeiros minutos. É visto o enorme sofrimento de Jess perante o falecimento da filha, Carolyn. Mas não é só tristeza que domina a mãe: raiva e sede por vingança a acompanham. É uma mulher que, custe o que custar, encontrará o culpado da atrocidade que levou a pessoa que ela mais amava ao falecimento.

A história se decorre em dois períodos: a época do assassinato e as investigações que o sucederam; e quando o caso é reaberto, 13 anos depois. Ray passa todos esses anos à procura do homem que julga ser o assassino. Quando descobre uma nova pista, ele volta ao FBI (que abandonou após a investigação não ter sido solucionada) e pede para Claire, agora procuradora, reabrir o caso.

Nicole e Chiwetel observamRay e Claire. Caso reaberto.

Ray tem o auxílio do agente Bumpy, que também esteve na investigação que não foi concluída. Ele também não se conforma com a falta de conclusão, e se empenha na tentativa de finalizá-la. Já Jess, aparentemente exausta, não apoia muito a reabertura do caso. Claire conta que a cada potencial suspeito que aparece, um pedaço da colega vai embora.

Apesar de ser uma readaptação do maravilhoso O Segredo dos Seus Olhos, o novo filme possui diferenças interessantes. Ao invés do assassinato de uma esposa e o inconformismo do marido, ele apresenta a morte de uma filha e a indignação de uma mãe. Essa alteração dá uma maior presença feminina, o que é bastante significativo e dá um clima diferenciado à obra. Não há mais a justificativa da elaboração de um livro, para a volta do investigador ao FBI; ele somente descobre mais informações pois já estava à procura delas.

Várias cenas e diálogos se assemelham aos presentes no filme argentino. Contudo, os personagens não são os mesmos, e a diferença entre eles ajuda a não deixar o novo longa-metragem repetitivo. Mas, no geral, a quantidade de semelhanças é grande. Há alguns acontecimentos, que foram acrescidos ao roteiro, que surpreendem até quem já viu O Segredo dos Seus Olhos.

Julia choraRay. Motivação mais íntima para voltar às investigações.

O britânico Chewetel Ejiofor mostra que o reconhecimento que ganhou com 12 Anos de Escravidão foi merecido. Nicole Kidman interpreta uma personagem que não foi muito bem explorada (a Hastings de O Segredo dos Seus Olhos tem maior destaque) e, por isso, não se destaca tanto. A química de Claire com Ray é notável e é um dos pontos fortes. Julia Roberts realiza uma boa atuação da mãe que perdeu a filha, com uma visível demonstração de cansaço e angústia nas expressões que faz, além da própria fisionomia.

Olhos da Justiça é um filme que mostra a capacidade da mente humana se manter sã e os limites que ela pode atingir. Até onde uma mãe que teve a filha assassinada é capaz de chegar? Quais consequências o sentimento de remorso ocasiona? As respostas para essas perguntas se fazem presente no longa-metragem. Ele envolve o espectador e deixa ao longo do caminho várias curiosidades, que culminam em um final surpreendente e perturbador.

Sobre Deborah Novais

Eterna perdida nos próprios pensamentos e sonhos, que ainda acredita em um mundo melhor. Louca que escolheu o Jornalismo como forma de ganhar a vida, mas nutre por ele sentimentos conflitantes. O amor pelas diversas formas de arte a acompanha desde que se entende por gente. Não troca Netflix, cinema, shows e teatro por quase nada.
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