Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven – 1960)

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Muito antes de gerar grandes pérolas italianas, o faroeste era um gênero tipicamente americano. Tanto o é que foi o grande responsável pelo nome de um tipo de enquadramento ser plano americano. Também era o gênero padrão das maiores bilheterias até os anos 1970. Um dos grandes clássicos do estilo é a releitura para o velho oeste de Os Sete Samurais: Este Sete Homens e um Destino.

Uma vila afastada de fazendeiros é roubada frequentemente pela gangue do bandido Calvero (Eli Wallach). Indefesos e pobres, eles buscam a ajuda de pistoleiros para protegê-los, mas pelo pouco que têm, só conseguem sete homens. Liderados por Chris (Yul Brinner), os cowboys precisam ensinar os fazendeiros a lutar e pensar em uma estratégia para derrotar dezenas de inimigos sozinhos.

Se Sete Homens e um Destino é um clássico, o filme que serviu de inspiração para ele é ainda mais antigo, reverenciado e respeitado. A reinvenção americana fez tanto sucesso que gerou três continuações, um remake para TV e outro anunciado para este ano com o Denzel Washington e o Chris Pratt. O motivo é simples. Uma grande história, um elenco famoso, métodos e técnicas que já funcionavam há décadas. O mesmo padrão formulaico que a indústria tende a repetir de tempos em tempos.

the-magnificent-seven-bronsonCharles Bronson. Bronco e forte.

O roteirista William Roberts tinha uma missão simples. Adaptar a trama bem fechada e escrita do contexto do Japão feudal para o velho oeste. Bastou mudar nomes de personagens, repensar cenas e escrever de forma que vendia nos Estados Unidos de então. O que envolve criar mais exposição nos diálogos e falas de efeito. Isso porque os cowboys eram representados como homens sérios e silenciosos, de expressão dura e de histórico tortuoso. Não é estranho surgirem falas como “Sabe, já estive em cidades onde as garotas não eram bonitas. Na verdade, já estive em cidades onde eram bem feias. Mas é a primeira vez que vejo uma cidade sem mulheres”. O personagem de Steve McQueen filosofa para um colega enquanto explica para o espectador que no plano anterior não havia mulheres. Funcionava para a época do filme, mas atualmente parece apenas brega e antiquado.

Ainda assim, Roberts tem boas ideias. Apresenta os personagens em cenas inspiradas, como o cortejo de um índio para um cemitério ou um diálogo sobre os feitos de um dos pistoleiros enquanto este demonstra a própria força ao cortar lenha. O problema se encontra apenas nas palavras ditas. Focar tanto na sobriedade dos pistoleiros os impede de serem personagens profundos.

O diretor John Sturges se atém ao padrão seguro de filmagem que reinava na época. Todas as cenas, não importa quais sejam, eram feitas de uma mistura de planos abertos, planos americanos e planos médios. A câmera está sempre na altura da cintura, nunca abaixo de um personagem. Gera um desgaste nos planos apresentados. Não apenas dentro do filme, mas entre as produções do período. Não é original nem se esforça a ser inventivo para contar a história. O padrão gera planos bonitos e grandiosos, mas nada que não fosse visto em quase todas as realizações de então.

dancerwtmkPlano americano. A câmera está sempre nesta mesma posição.

Os atores não apresentam grandes interpretações. Mesmo os grandes nomes como Yul Brinner, Steve McQueen, Charles Bronson, Robert Vaughn e James Coburn não conseguem ir além do estereótipo do cowboy hollywoodiano. Ficar com a cara séria e parecer bruto praticamente o tempo inteiro não é interpretar. Não surpreende que as duas atuações que mais se destacam são a do vilão Eli Wallach e do pistoleiro mais jovem e impetuoso, vivido por Horst Buchholz. São os únicos que a história dá espaço para terem alguma personalidade.

Sete Homens e um Destino não é um filme ruim, mas o desgaste da linguagem e a comparação com a obra-prima que é Os Sete Samurais acabam com a experiência. Ainda assim, se sustenta como um bom representante do gênero daquele tempo.

 

ALLONS-YYYYYYYYYY…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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