Crise dos 40 (Irmãs -2015)

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As irmãs Kate e Maura Ellis, ambas na faixa dos 40 anos, têm que voltar a Orlando, cidade natal delas, pois os pais colocaram a casa da família à venda. Eles pedem para as filhas irem até o quarto da adolescência para decidir com o que querem ficar e o que jogar fora. Lá, descobrem que a casa já foi vendida e resolvem fazer uma última festa no local em que cresceram.

A comédia As Irmãs é estrelada por Tina Fey e Amy Poehler, que também fazem parte da produção. Já a direção fica por conta de Jason Moore (A Escolha Perfeita), e o roteiro por Paula Pell (Saturday Night Live). Também participam do filme os atores Ike Barinholtz, Maya Rudolph, James Brolin e Dianne Wiest; além de muitos outros, que interpretam os antigos colegas de Kate e Maura.

Fey é Kate: irmã mais velha, mãe solteira, desempregada, irresponsável. Ela trabalhava em um salão de beleza, mas se desentendeu com o chefe e foi demitida. Agora faz alguns trabalhos, como pintar sobrancelhas, no banheiro da casa de uma amiga com quem mora. Poehler é Maura: a irmã certinha que gosta de fazer bem para os outros. Ela é divorciada e trabalha como enfermeira. Na juventude, elas eram conhecidas pelas festas que davam na casa em que moravam. A primeira era a festeira nata, enquanto a segunda era a “mãe da festa”, responsável por cuidar dos outros e impedir que a casa fosse destruída, era a que não ingeria álcool.

festaFesta tardia. Retorno à juventude.

Há uma temática que é comumente utilizada no cinema americano: filmes sobre festas. Normalmente adolescentes, eles mostram parte do american way of life. Em contrapartida, existem aqueles em que as festas remetem à destruição. Irmãs mostra esse lado destrutivo, mas é muito mais que isso. O evento representa a chegada de uma nova fase, a passagem para uma maturidade mais efetiva, uma transição.

Apesar da festa feita pelas irmãs ser no último final de semana antes da casa ser entregue aos novos compradores, o motivo não é apenas de despedida. Maura e Kate querem relembrar os tempos de adolescência, reviver momentos que foram perdidos e esquecer das responsabilidades atuais. Para tal, convidam os antigos colegas, que também estão cheios de ocupações e perderam o espírito de outrora. É uma tentativa de reanimar a juventude que ainda está presente neles.

As duas irmãs possuem personalidades opostas, mas a química entre as atrizes é fantástica e o humor funciona bem. Elas não precisam berrar piadas ou falar em um tom exagerado para a comicidade funcionar. Os diálogos cômicos surgem de forma séria e natural, o que os transforma em algo muito mais próximo da realidade. Mesmo com os momentos de maior besteirol, eles não são de extremo exagero.

divisão de takeComicidade séria. Humor funciona sem exageros.

O fato de as personagens principais serem femininas é de grande relevância e um dos pontos altos do filme. Além disso, elas não fazem parte de relacionamentos estáveis, nem falam prioritariamente sobre homens. É uma história sobre duas mulheres e o envelhecimento. Kate tem dificuldade em amadurecer e enfrentar as próprias responsabilidades, enquanto Maura amadureceu muito rápido e deixou de aproveitar certos prazeres da juventude.

Em uma época em que a mulher ganha mais destaque nas produções audiovisuais, o filme também é uma vitória. Os triunfos do filme são direcionados às atrizes principais, que são dois dos principais nomes femininos da comédia atual e praticamente levam o longa-metragem nas costas, da Maya Rudolph (que interpreta a “inimiga” de adolescência), ao roteiro cômico de cotidiano (de Paula Pell) e ao figurino divertido (assinado por Susan Lyall). Sisters é, como Maura diz, “a little less Forever 21 and a little more Suddenly 42” (em tradução livre: um pouco menos Para Sempre/Forever 21 e um pouco mais De Repente 42) – trocadilho com o nome da loja para o público jovem. Portanto, deve agradar uma audiência mais madura e preferencialmente feminina.

Sobre Deborah Novais

Eterna perdida nos próprios pensamentos e sonhos, que ainda acredita em um mundo melhor. Louca que escolheu o Jornalismo como forma de ganhar a vida, mas nutre por ele sentimentos conflitantes. O amor pelas diversas formas de arte a acompanha desde que se entende por gente. Não troca Netflix, cinema, shows e teatro por quase nada.
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