Caçadores de Emoção: Além do Limite (Point Break – 2015)

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Pessoas dizem que estamos na era dos remakes. Esse recurso de reciclagem de ideias não é recente e já virou moda de diversas formas antes. Vários filmes mudos ganharam releituras coloridas e com som. Vários filmes limitados pelas tecnologias viraram novas obras mais verossímeis. Caçadores de Emoção, sucesso de 1991, não tem nada para ser melhorado ou atualizado neste remake, ao contrário de outras boas reinvenções.

Depois de perder um amigo em um acidente de esportes radicais, Johnny Utah (Luke Bracey) abandona a modalidade e se torna agente do FBI. Durante as investigações de dois assaltos de grande escala, Johnny descobre que os bandidos provavelmente são atletas radicais em busca de realizar os oito maiores desafios globais. Para encontrá-los, se infiltra no grupo chefiado por Bodhi (Édgar Ramírez), que já conseguiu realizar dois dos oito.

A premissa tanto do filme original quanto deste remake é a mesma. Trata-se da moral de um policial que se identifica com as razões do criminoso que precisa capturar. Na verdade, um outro produto foi realizado com sucesso em 2001: Velozes e Furiosos. A ideia tem base em um homem que precisa ir contra os valores pessoais em função de pessoas com quem criou vínculos familiares. Tudo com muita ação e cenas “maneiras” de esportes radicais.

Entra em cena o roteirista Kurt Wimmer, cuja carreira se resume a um monte de filmes ruins, que tenta criar um conceito transcendental entre Bodhi, Utah e companhia para que surjam as dúvidas do protagonista. Os tais oito desafios a serem enfrentados são relacionados com oito esportes radicais diferentes, que precisariam de treinamento específico em cada esporte separado. Supostamente, são quase impossíveis de serem realizados por apenas uma pessoa. Mas todos os que tentam no filme conseguem com facilidade. Inclusive, como uma pessoa que já realizou um documentário sobre paraquedismo, o desafio de wingsuit que o filme retrata não é impossível. Pessoas fazem com frequência e com poucos anos de treino.

dramalhão

Utah com Bodhi. Conflito existencial.

Na esteira da falta de sentido na trama, personagens morrem e voltam, argumentos com os superiores de Utah são incoerentes, a proposta dos vilões é ilógica. Os chefes no FBI discutem com o herói sobre como ele não seguiu as orientações, mas eles nunca deram orientação nenhuma. Os assaltantes querem devolver para a natureza sem violência, até o momento em que se torna importante para que Utah tenha que participar de uma perseguição. Daí é só tiroteio e pessoas em perigo.

O diretor Ericson Core escolhe passar as imagens por filtros que escurecem e estilizam a ação, mas enfeiam as imagens. A cena da descida de snowboard de uma montanha é tão alterada que o céu sem nuvens fica cinza. A montagem não cria um sentido para a continuidade. Num take Bodhi conversa com Utah em pé, no outro ele está sentado.

Para piorar, a ação do filme é preguiçosa, por mais que seja bem filmada. As sequências de esporte radicais são muito bem realizadas. Dá pra acreditar que são pessoas em um salto de paraquedas, em um snowboard na neve, numa escalada sem cordas. O problema é que nada disso é novo. São apenas sequências de coisas que são realizadas com frequência e que podem ser vistas com facilidade no youtube, às vezes até mais extremas do que é revelado no filme. Como se isso não fosse o bastante, esses momentos recebem acompanhamento de músicas de rock piegas, que parecem querer ressaltar o quanto os esportes são maneiros. Soa forçado.

wingsuit

Desafio de wingsuit. Bem filmado, mas nada impossível.

No momento em que realmente vira ação de cinema, com tiroteios e assaltos, ela é absurda. Na pior hora, duas pessoas expostas conseguem matar sozinhas um grupo de policiais em posições estratégicas. Não faz o menor sentido e tira o espectador do filme.

Os atores se esforçam. Luke Bracey está sério e consegue passar a reflexão de Utah sobre o companheirismo e admiração que sente pelas pessoas que pretende prender. Édgar Ramírez está ótimo como Bodhi. Ele realmente convence que acredita nos discursos sobre contato com a natureza e a relevância de protegê-la. De resto, é vergonhoso ver o Delroy Lindo e o Ray Winstone como os superiores de Utah no FBI, com diálogos ilógicos e sem sentido.

O excesso de cenas de esportes radicais deve empolgar os fãs de imagens extremas. Principalmente se forem assistir em 3D. É bem filmado. Para quem quer um filme com história e boas cenas de ação, é melhor procurar outra coisa.

 

FANTASTIC…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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