Kung Fu Panda 3 (2016)

dragão guerreiro

Dois filmes. Adaptações para videogames, séries de TVs e inúmeros produtos como brinquedos, bonecos e até brindes de fast-food. Kung Fu Panda é um dos grandes nomes do estúdio de animação Dreamworks. Como na maioria das obras da produtora, o foco é quase exclusivamente nas crianças, mas a temática não envolve as lições comuns de filmes infantis. Fica a dúvida: Trata-se de um terceiro episódio digno da “trilogia”?

Depois dos eventos do segundo filme, Po (voz do Jack Black) passa a saber as próprias origens. Terminados todos os ensinamentos do mestre Shifu (voz do Dustin Hoffman), o panda recebe um novo cargo no templo: mestre dragão guerreiro. Sem saber como dar aulas ou o que ensinar, ele recebe outra novidade. O pai biológico, Li (Bryan Cranston) aparece e revela que existe uma última aldeia de pandas escondidos. Justamente nessa hora Kai (J. K. Simmons), um guerreiro maligno, volta do além-vida com um poder místico e apenas uma habilidade secreta de pandas pode derrotá-lo.

Términos de trilogias são complicados. Normalmente precisam dar conclusão para ciclos de personagens que já tiveram ponto final e ainda dar um pouco mais do que agradava antes. No caso de Kung Fu Panda é preciso manter a temática de legado e identidade com exploração bem embasada da filosofia da arte shaolin. Tudo com o belíssimo trabalho de fotografia que brinca com as cores e referências visuais chinesas.

kai

Kai. Ótima participação de J.K. Simmons com personagem “humano”.

Os roteiristas Jonathan Aibel e Glenn Berger retornam para o terceiro filme e corrigem o erro cometido no anterior. O primeiro ato apresenta coisas. Enquanto em Kung Fu Panda 2 mais de uma hora de duração é dedicada a humor exagerado sem que a trama ande, aqui existe mais conteúdo. Po precisa conhecer o pai biológico. O de criação, o pato Ping (James Hong), quer garantir o valor na vida do filho que criou com tanto carinho e amor. A vila dos pandas apresenta novos temas, assim como o vilão que (tal qual nas obras anteriores) serve de reflexo para os conflitos internos de Po.

O roteiro mais equilibrado na estrutura ganha ainda mais com a discussão acerca de paternidade. No primeiro filme, Po aprendeu o valor de ser ele mesmo. No segundo, quem ele é além dos fatores biológicos. Agora ele precisa descobrir quais dos legados diante dele o representam. Se a pergunta é difícil e complexa, a resposta pode ser ainda mais. Tudo na narrativa conduz ao momento de epifania final, na qual Po não apenas se resolve, mas o faz através de diversos preceitos das filosofias atreladas à arte marcial que dá nome à franquia.

pai e filho

Pai biológico descoberto. Mais uma possibilidade ao legado de Po.

A diretora do segundo episódio, Jennifer Yuh (celebrada na época por ter sido a primeira mulher a dirigir inteiramente uma animação), retorna com a companhia do estreante Alessandro Carloni. O acréscimo foi positivo. As cenas e situações da trama são mais equilibradas entre a estética estonteante que toma a tela do começo ao final da projeção, a comédia que surge dos diversos humoristas que dão voz para os personagens e a história não ofuscam a narrativa. É uma mistura da qualidade técnica do segundo com a qualidade de cenas e enredo do primeiro.

Infelizmente, no mesmo estilo dos dois anteriores, o humor é focado apenas no público infantil. Piadas de peido, gordos desajeitados e até dois momentos sobre os “documentos” de Po dão o tom da comédia. Aos adultos, felizmente, sobra um conflito inteligente e interessante. Fechado em uma estrutura redonda, mas sem originalidade. Pode passar a sensação de infantil demais, mas ainda é válido para aquela criança interior que se tornou mais inteligente com a idade.

 

GERÔNIMOOOOOOOO…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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