Roteiro de Casamento (Me Casé con un Boludo – 2016)

 

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Na primeira parte de Roteiro de Casamento, a produção tenta retratar um típico filme artístico da Argentina, país de onde este saiu. Todos os erros nesta representação mostram quanto os realizadores sabem o que fazem. Não é difícil, duas horas depois, determinar  como é possível haver tantos problemas nesta comédia-romântica.

A história de amor acontece entre dois atores do cinema argentino que se conhecem no set de filmagem. Ele, Fabián Brando (Adrián Suar), é um astro de renome internacional e dono de um ego que o impede de manter pessoas por perto. Ela, Florencia Córmik (Valeria Bertuccelli), não tem talento e conseguiu o papel por ser namorada do diretor, mas é um doce de pessoa. Os dois se apaixonam e se casam. Florencia, porém, percebe com o tempo que ele é um idiota e que estava apaixonada pelo personagem dele. Fabián a escuta se abrir para os amigos e decide ser mais como o papel que interpretou para não perder a esposa.

Tem-se uma trama típica para o gênero. Casal tem um problema na relação e ambos decidem resolvê-lo de maneira esdrúxula. Daí surgem inúmeros momentos de quebra de expectativa que geram humor. Bem trabalhado, pode gerar uma boa comédia com boas reflexões sobre relacionamentos e as pequenas incoerências que acontecem quando duas pessoas chocam as rotinas porque se amam.

o casal no set

Relacionamento que surge nos sets de filmagem.

Os problemas comuns quando se fala de comédia-romântica se encontram no ritmo e na qualidade de produção. Na necessidade de ter um roteiro com trama fechada, muitos desses filmes focam na parte cômica até a última meia hora, quando ficam sérios e dramáticos. Sem consistência de ritmo. É justamente o que acontece com Roteiro de Casamento. Depois de uma hora e meia de situações engraçadas e inteligentes, o filme assume tom de drama e fica chato. A trama escrita por Pablo Solarz passa tanto tempo em cima de como os dois erram e mentem um para o outro, que não há muita empatia para o relacionamento. Vê-los tentar resolver os problemas é apenas entediante.

A fotografia e a montagem são duas bagunças. No padrão do gênero, a intenção da iluminação é apenas tornar tudo visível. Os takes longos são escolha do diretor Juan Taratuto para dar destaque para os atores e os momentos entre os dois, mas os cortes e encaixes entre eles são péssimos. O foco nas interpretações geram transições que saem das cenas no meio de diálogos.

Taratuto, porém, é eficiente para dirigir humor. Usa os bons comediantes que tem como protagonistas e os deixa conduzir as boas sacadas cômicas do roteiro. A cena em que Fabián escuta atrás de uma parede que a esposa não o ama é engraçada justamente porque o ator Adrián Suar é sutil e as reações dele são sinceras com os sentimentos do personagem. Nas mãos de um Leandro Hassum da vida, ele gritaria palavrões e faria caretas com olhos esbugalhados. Valeria Bertuccelli acerta da mesma forma ao criar a personagem honesta e sensível, mas ela gosta de fazer caretas para humor, o que remove o espectador das cenas. Ainda assim, a atriz é dona de uma simpatia que torna a personagem encantadora. Os dois juntos têm boa química.

cega

Valeria em um dos maus momentos de careteira.

Taratuto cria alguns planos sequência para mostrar a grandiosidade da vida de Fabián nos cinemas. Em uma festa na casa dele, a câmera o acompanha enquanto interage com os coadjuvantes até que ele encontra com Florencia e a câmera passa a acompanhá-la. Exige uma preparação de equipe e elenco impressionante. Boas sacadas de comédia, como o momento no qual o protagonista pede para um amigo ator fingir ser um psicólogo, dão oportunidades ricas para os dois intérpretes do casal.

Ao término, Roteiro de Casamento é uma comédia-romântica comum. A oportunidade de discutir sobre como toda relação envolve um pouco de interpretação dos envolvidos é desperdiçada com um drama mal desenvolvido no terceiro ato que arruína a parte divertida conduzida até então. A longa duração para uma trama tão vazia não ajuda e faz o que seria pelo menos uma comédia gostosa passar a ser várias olhadas para o relógio.

 

ALLONS-YYYYYYYY…

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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