A Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan – 2016): faltou aquele urro visceral

Tarzan com os gorilas.jpg

Sim. O urro indissociável do Tarzan está mudado. Essa é a impressão da mais nova adaptação da história do menino, filho de aristocratas ingleses que, após uma tragédia com a perda de seus pais, cresceu cercado por macacos na selva africana. A lenda foi concebida pelo escritor Edgar Rice Burroughs em 1912 e já apareceu em diversos livros e contos avulsos, além de filmes e animações.

O nome verdadeiro nome é John Clayton III, Lorde de Greystoke. Aliás, o título de “Lorde” soa mais que apropriado nesta versão cinematográfica. O perfil de Clayton (Alexander Skarsgård) não condiz com um personagem que conviveu sua vida inteira rodeado apenas por primatas. Faltam trejeitos rudimentares inerentes a alguém que somente participou de um convívio selvagem, confinado à vida indomável. Mesmo que passado anos em uma vida burguesa junto à esposa Jane (Margot Robbie), como conta o filme.

O belo mas insonso casal protagonista não cativa o espectador. Contrasta, porém, com o Capitão Leon Rom (Christoph Waltz) que entrega, mais uma vez, um personagem inescrupuloso e digno de atuação impecável. Como aliado de Tarzan, George William (Samuel L. Jackson), já veterano, injeta um gás a mais na trama e proporciona alguns momentos divertidos.

Jane e Tarzan.jpg

Margot Robbie como Jane.

Não houve exagero na ambientação gráfica, mas nada que salte aos olhos em termos técnicos. O atual enredo gira em torno da ganância e da vingança. Enfoque diferente de adaptações outrora encenadas. Contudo, Tarzan é imbatível, o que já torna a história previsível. Era preciso uma guinada mais ambiciosa no roteiro, não houve. Ponto positivo para as belíssimas imagens e cenários naturais do Congo explorados pelo diretor David Yates.

Paralelo necessário para melhor contextualização do personagem, Greystoke – A Lenda de Tarzan, o Rei da Selva (1984), entrega a trama do ponto de vista mais pessoal e cronológico, as descobertas como humano e o retorno à Inglaterra. Mas o destaque vai para a atuação de Tarzan (Christopher Lambert), que aqui urra com as vísceras! O contato com os animais é muito mais íntimo e verdadeiro. À época não existiam tantas facilidades com recursos gráficos, o que mostra, como em muitas outras obras cinematográficas, que não necessariamente o valor estético e emocional está ligado às cifras gastas ou a softwares de última geração.

É bem verdade que pela aparência física, os atores Skarsgård e Lambert se pareçam – este último com alguns gomos a menos no abdome – mas a entrega dramática necessária ao papel principal não foi suficiente para adjetivações. Tarzan versão 2016 deixou a desejar.

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