A Incrível Jornada de Jacqueline (La Vache – 2016): comédia divertida em uma França idealizada

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Sensível, delicada e divertida. La Vache é uma comédia bálsamo para uma França pós-ataques e vívida de tensões recentes. O enredo gira em torno de Fatah (Fatsah Bouyahmed) e Jacqueline, um agricultor argelino e a vaca dele, enquanto peregrinam a pé rumo à Feira de Agricultura que ocorre na capital francesa. A viagem é feita porque, após muitas tentativas, ele finalmente consegue ser convidado para participar do famoso e concorrido festival agrícola. Com o auxílio da pequena comunidade na Argélia, angaria o necessário para iniciar a jornada.

O filme usa como pano de fundo o clássico francês A Vaca e o Prisioneiro (1959) e cria uma versão contemporânea otimista e reconciliadora. É um voto sincero e fraterno que exalta a França em um período delicado.

Como não amar Fatah? Ingênuo, puro e amável, o simplório camponês cativa o espectador do início ao fim. A linearidade da narrativa permite que o carisma do personagem cresça sem problemas, até se tornar um símbolo de altruísmo e consiga impor respeito na trama. O ator franco-argelino, que até então assumiu papéis secundários, demonstra firmeza e sensibilidade agora no posto de protagonista. Mas não pense que o sucesso está somente nos diálogos falados. Jacqueline também rouba várias cenas. A vaca é uma verdadeira atriz!

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Parada para acender uma fogueira.

No trajeto, as confusões de identidade, encontros improváveis e doses de humor bem colocadas são responsáveis por boas risadas. Além dos personagens da aldeia de Fatah, incluindo a esposa e filhas, dois personagens merecem destaque: o cunhado Hassan (Jamel Debbouze) e Philippe (Lambert Wilson).

A viagem de Fatah mobiliza todos do pequeno povoado. Da parada na cidade portuária de Marselha à inusitada amizade com um aristocrata em decadência. A odisseia foi acompanhada via TV e viralizou na internet. Fatah virou um ícone nacional.

La Vache aparece como mais um filme no filão peculiar de comédias francesas que conquistam um público fiel. Os produtores são os mesmos responsáveis pelo estrondoso sucesso de público e crítica de Intocáveis (2011). A atmosfera musical é essencial na construção da narrativa. Ora festiva, ora delicada, se encaixa perfeitamente no trajeto emocionante da dupla.

protagonistas em Paris

O quarteto principal em Paris.

A fábula humanista exala uma fragrância colorida e poética. Consegue percorrer a escalada heroica assumida pelo caipira ingênuo que batalha em busca do objetivo em ambos os lados do Mediterrâneo. Prova de que, apesar das várias e significativas diferenças culturais, outros valores positivos aqui representados são capazes de unir povos.

O filme é um bom exemplo de que é possível emitir uma mensagem compassiva sem cair no clichê do sentimentalismo exagerado. A delicadeza está subentendida. Simplesmente irresistível.

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