1001 Filmes #25 – Sete Oportunidades

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Um dos grandes palhaços do cinema, o diretor, ator e roteirista Buster Keaton foi um marco para a arte. Tanto é que Sete Oportunidades é o terceiro filme dele nesta lista. A obra completa é tão influente que é possível encontrar referências e métodos usados por grandes diretores até hoje. Neste caso em específico, há a curiosa característica de que se trata de uma das produções com menos cenas de risco e ação.

A trama ajuda muito. O personagem de Keaton, James Shannon, sofre um golpe financeiro junto do sócio na pequena empresa dos dois corretores. Prestes a entrarem em falência, descobrem que o protagonista foi agraciado em uma herança milionária por parte de um tio, que só pode receber se for casado antes das 19 horas do 27º aniversário. A data, por acaso, é no mesmo dia em que recebe a notícia. Começa uma corrida desesperada para conseguir casar antes do horário estipulado.

Keaton era um gênio em diversas camadas. Muito parecido com George Méliès décadas antes, ele mistura técnicas de ilusionismo e de artes circenses com linguagem audiovisual, para criar as mil e uma peripécias dos personagens que interpreta. O resultado funciona melhor nos filmes dele que em coisas elaboradas em computação gráfica atualmente.

Para as cenas de perigo, ele mesmo se colocava nas situações mais malucas, como a famosa cena em que se jogou de uma cachoeira. Mas isso não serviria de nada se não fossem os planos longos em que é possível ele passar da performance dramática como o personagem para a ação. Todos os enquadramentos pensados para que o perigo seja perceptível, e o espectador não perca um pedaço sequer da proeza.

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Keaton pula sobre um penhasco para cena de ação.

Aqui, porém, a comédia é de situação, com Shannon em busca de uma noiva de última hora. Sem habilidade para se comunicar, fala para a mulher amada que precisa se casar com qualquer uma. Com um pé na bunda, corre atrás de pessoas que conhece. Em meio a piadas visuais inteligentes, como a cena em que leva o fora de uma mulher enquanto sobe escadas e depois de outra enquanto desce, Keaton brinca com conceitos que hoje soam incômodos.

A começar pela representação tanto de masculino quanto de feminino. Shannon é ridicularizado porque não é um conquistador, digno até de que apontem o dedo para ele enquanto riem. As mulheres, por outro lado, ou são jovens, belas e orgulhosas, ou se encaixam em representações de idade bizarras. Uma adolescente se passa por adulta porque está desesperada para casar, e um grupo de mulheres mais velhas chega ao extremo de tentativa de homicídio para “não ficar pra titia”.

O pior de tudo, porém, é a representação de negros. São três personagens, no total, e todos são interpretados por brancos com pele pintada, o que é problemático a níveis criminosos. Tudo isso é aceitável no contexto histórico em que o filme foi feito, mas merece ser ressaltado para que não seja repetido nunca mais.

Não é, de forma alguma, o melhor filme de Keaton, mas certamente é algo para se destacar. Keaton talvez seja o realizador mais acessível do cinema mudo, e isso já é uma boa razão para assistir à obra dele.

Veja o filme nos players abaixo.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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