1001 Filmes #22 – Ouro e Maldição

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Ouro e Maldição foi o primeiro filme verdadeiramente trabalhoso de assistir dessa lista, mas não deve ser o último. Por conta de problemas na produção, existem várias versões dos cortes finais e pouquíssimas delas são acessíveis. O diretor, Erich Von Stroheim, adaptou com fidelidade quase literal o livro McTeague, do autor Frank Norris, o que rendeu um filme de nove horas de duração. Em conflito com o estúdio, reduziu para quatro horas, mas, antes do lançamento, a produção foi passada para outro montador que o fechou em 120 minutos, versão que Stroheim descrevia como um massacre.

Enquanto a história cinematográfica vai ficar do lado de Stroheim, é fácil encontrar argumentos contra a proposta dele. Poucas pessoas assistiram o corte original, de nove horas, mas o que se diz é que se tratava de uma versão longa demais e cansativa. O que é apenas óbvio. Existe uma razão para filmes comerciais terem de uma para três horas. Obras experimentais tendem a ser problemáticas até para quem gosta da arte.

Como se trata de um filme de 1924, ele passou a ser de domínio público, o que permitira ser colocado no youtube na íntegra, mas todas as versões de duas horas estão em italiano. Enquanto isso, para download há apenas cortes de quatro horas. Então foi preciso muita paciência para assistir em italiano com um tradutor online ao lado.

 

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McTeague no caminho da decadência

De fato, a versão de 120 minutos é picotada e problemática. A história acompanha um minerador inocente e ingênuo chamado McTeague que aprende o ortodontia com um charlatão e abre um escritório de dentista. Ao se apaixonar pela namorada de um amigo, ele descobre os sofrimentos de ter pessoas com inveja dele e sai do desespero da pobreza para um final trágico.

O ritmo da versão de duas horas de McTeague é problemático em grande parte porque textos precisam explicar o que acontece na história. Principalmente porque ele não foi filmado para ter essa duração. Ainda assim, impressiona ver o primeiro filme completamente feito em locação com a maioria das cenas iluminadas naturalmente. É quase uma obra do Terrence Mallick no cinema mudo.

Algumas cenas, em especial, merecem destaque, como o momento em que Trina se entrega ao ouro como se ele fosse um amante ou o clímax, que se passa no deserto. A fotografia é estarrecedora e as cenas também. Um filme pessimista sobre o que a ambição faz até com o mais puro dos homens. Não é o único e certamente não é o melhor, mas é o primeiro e ainda precisa ser reconhecido.

Abaixo, a versão em italiano.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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