Musical nostálgico mistura a nova forma de sonhos, amor e arte (La La Land: Cantando Estações – 2016)

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Com irresistível leveza, uma comédia romântica e divertida, uma rapsódia em azul, vermelho, amarelo e verde, La La Land: Cantando estações é um filme obrigatório. Qual é o problema de sonhar? E se existe uma cidade que respira a sétima arte e o audiovisual, essa é Los Angeles, a cidade dos sonhos e a principal estrela do longa.

O filme é uma ode elegante e eloquente aos musicais clássicos das décadas de 30 a 60, a chamada “Era de Ouro” dos musicais americanos, mas ela aparece repaginada. Não é uma obra onde tudo que é dito se dá por meio das belíssimas canções. Existem falas e diálogos bem distribuídos durante toda a narrativa. A trilha sonora é encantadora e envolvente. Todo o desenrolar da trama é a mais pura síntese de um passado mais ingênuo de Hollywood. E não é só isso: a plasticidade com que os números de danças e cantorias foram coreografados igualmente remetem a esses musicais, além da química inerente entre os protagonistas. Emma Stone, a barista aspirante a atriz, e Ryan Gosling, um pianista que tenta fazer com que o jazz perpetue com a mesma paixão e popularidade que alcançou em décadas passadas, levam irreverência e energia para a tela. Tanto nas cenas dramáticas como nas pontuais e bem colocadas doses de humor, a relação entre os dois é crível e avassaladora.

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Dança e canto em visuais estilizados.

Ao longo de quatro estações do ano, acompanhamos os encontros e desencontros destes sonhadores, que tentam prosperar em uma cidade conhecida justamente por desmantelar sonhos de atores e músicos com a ânsia da fama. Já na cena inicial que se passa em um costumeiro engarrafamento das manhãs nas freeways da cidade, a câmera passeia pela avenida onde a primeira performance musical é mostrada em Another Day of Sun, um gostinho do que vem mais a frente.

Absolutamente tudo funciona em La La Land: Cantando estações. O filme não exagera no romantismo, ponto que costuma afastar uma parcela significativa dos espectadores ao gênero dos musicais. Já as inovações estão empregadas na dicotomia entre realidade, sonho e a melancolia do desfecho agridoce. Com cores vibrantes e contrastes fortes, a fotografia consegue acentuar o clima mágico do filme. Apesar dos acontecimentos inevitáveis de soluções simples para o andamento do roteiro, é uma história que foge do trivial e concebe personagens que se modificam ao longo da trama. Há também menções sobre a importância do resgate da arte, seja no cinema ou na música. O musical apresenta diversas passagens comentando as constantes perdas que são ignoradas por uma sociedade em constante agitação, outro ponto para o roteiro.

Jovem de 31 anos, o cineasta Damien Chazelle sapateia com a calma de um veterano rumo à consagração. Em 2014, Whiplash: Em busca da perfeição recebeu cinco indicações ao Oscar e conquistou três prêmios. Agora, depois de estabelecer o recorde de sete Globos de Ouro, vislumbra o futuro com o colorido apaixonante de sua obra-prima. Em categorias como trilha sonora e canção original, ambas a cargo de Justin Hurwitz, as vitórias serão certeiras.

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Gosling nas trevas, tenta resgatar o jazz.

Contudo, o maior mérito está na ousadia de Chazelle que aposta em um musical, gênero dado como morto e que não ganha a estatueta principal desde 2003 com Chicago, para o seu segundo filme. Outro ponto: foi em 2013 o último ano em que um filme musical foi indicado ao Oscar na categoria de melhor filme com o magnífico Os Miseráveis. Contudo, La La Land: Cantando estações aparece não somente como herdeiro de um gênero, mas também como precursor de uma possível nova fase do mesmo. Aposta alta que deu muito certo.

Se a função básica do cinema é de nos tirar do mundo real – ainda que por duas horas – o novo musical cumpre seu papel e eleva o nível a um patamar invejável. Permita-se sonhar, rir, cantar e chorar e assista nos cinemas.

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