Austrália (Australia – 2008)

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Austrália é um filme com um problema que o atinge antes mesmo de começar: o diretor Baz Luhrmann. Eternamente lembrado como o realizador por trás de Moulin Rouge, ele é preso a um estilo pessoal que imediatamente causa antipatia. Entre exuberância de cores e melodramas para extrapolar as noções de realidade e naturalidade, existe um narrador que não sabe qual história deve contar.

Se o musical parece uma cornucópia de cores e estilos, não se compara a esta homenagem a uma Hollywood mais clássica. Há uma mistura de mocinha feminina clássica com madame refinada na britânica Sarah Ashley (Nicole Kidman) que vai desbravar novas terras no país que dá nome ao filme. Lá, descobre um mundo exótico que a conquista com um vaqueiro misturado de faroeste com Indiana Jones em Drover (Hugh Jackman) e em um garoto mistura de selvagem adorável com criança inocente chamado Nullah (Brandon Walters).

Tudo que Luhrmann toca transpira estilização, que ele usa para criar momentos. Aqui, ele o faz para criar um épico como Hollywood fazia nas décadas de 1950 e 1960. A jornada de Sarah é típica do período, com heróis maiores que a vida, aventuras com reviravoltas complicadas e fantásticas, com um pé no fantástico que torna a vida maravilhosa e tragédias destruidoras.

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Romance na chuva. Beleza da Hollywood clássica.

O que também remete ao outro adjetivo que explica exatamente qual o grande problema do diretor: pretensioso. Ele quer tanto ser maior que a vida que não percebe que a grandiosidade está em coisas pequenas, então faz o roteiro junto com outras três pessoas para criar uma história quebrada. Austrália começa quase como uma comédia de situação (assim como Moulin Rouge, diga-se de passagem), vira um drama de aventura de faroeste com Sarah e o grupo principal em uma jornada de vaqueiros com estrutura narrativa completa. Com 105 minutos de duração, a história chega ao fim. E então começa de novo.

De repente Sarah, Drover e Nullah saem de uma aventura no deserto para um drama pesado de guerra. Com direito a padres e crianças massacradas e até amores destruídos. Em meio a isso, o vilão cria pequenos obstáculos, mas nunca tem papel de antagonista. Ele não é a razão para a trama acontecer e poucas vezes aparece como um perigo real.

O resultado é uma produção muito mais longa do que precisava ser. Que tenta ser vários filmes e não consegue ser nenhum. O que é terrível porque Luhrmann é estiloso. Com a fotografia, faz com que o céu seja multicolorido, grandioso e lindo como em E o Vento Levou…. Com o movimento de câmera e as interpretações exageradas, é divertido como as aventuras pulp estreladas pelo Humphrey Bogart. Com o menino esperançoso que consegue parar manadas com música, ele remete a contos fantasiosos que inspiram a imaginação, como Peter Pan. Se fosse focado em apenas um, seria lindo. Como quer ser todos, é cansativo.

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Hugh Jackman turrão. Briga na rua lembra heróis pulp.

Nada salva. Nem a excelente fotografia (grandiosa e bela), nem a direção de arte (rica, colorida e detalhada), nem a música orquestrada que segue bem os estilos, e nem os atores. Hugh Jackman seria digno de um Indiana Jones. Nicole Kidman, de uma Ingrid Bergman. E até o ótimo, mas desconhecido, David Wenham é um vilão que desperta ódio.

Em meio a um filme tão bem feito em cada detalhe técnico, é possível ver uma paixão pelo material em várias cenas que são divertidas e belas, mas que não se comunicam entre si por conta do roteiro problemático. Não é terrível, mas certamente não é a maravilha que se propõe a ser.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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