Comando para Matar (Commando – 1985)

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Olhe para a imagem acima. Apenas admire esse absurdo de estereótipo masculino da década de 1980. Nada grita mais a faceta específica daquele período que o filme Comando para Matar. A trama, é claro, é um fiapo de desculpa para que o brucutu gigante Arnold Schwarzenegger pegue armas e mate centenas de homens. E é exatamente o que todo mundo queria na época.

O fiapo é constituído pela batalha pessoal do ex-soldado John Matrix (Schwarzenegger) contra um exército particular, depois que a filha dele, Jenny (Alyssa Milano), é sequestrada. Eles a devolverão a salvo, se ele matar um ditador em algum canto da América do Sul. Ao embarcar no avião, ele foge e tem 10 horas para resgatá-la, antes que o voo termine e os bandidos descubram que ele nunca saiu dos Estados Unidos.

Essa sinopse poderia ser resolvida nas duas frases clichês do estilo da época: “Eles pegaram a filha dele” e “Grande erro”. Pois o que John Matrix faz é matar as pessoas no estilo que Schwarzenegger fazia nos filmes dele. Ele dá alguns socos, luta contra dezenas de homens ao mesmo tempo, atira facas, explode coisas e o mais importante: solta frases de efeito.

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Exageros pra representar a força de Matrix. Ele carrega um tronco com um braço.

É preciso dizer que o ator e ex-mister universo era o melhor para seguir essa cartilha. O brucutu típico dos anos 1980 é o cara imenso, solitário e capaz. O Rambo é assim, o soldado universal é assim e todos os personagens do gigante austríaco (Schwarzenegger) eram assim.

Aqui, um inimigo corre para uma cabine telefônica para avisar os vilões que Matrix está atrás deles. Para resolver rápida e definitivamente, o protagonista arranca a cabine do chão com o homem dentro. Esse tipo de tolice fazia sucesso porque satisfazia uma fantasia masculina. Hoje, funciona muito bem por ser engraçado por acidente.

O roteiro do lendário Steven E. de Souza (o mesmo de Duro de Matar e de pérolas como Street Fighter: A Última Batalha, Hudson Hawk: O Falcão está à Solta e O Juiz), nem se dá ao trabalho de tentar elaborar uma história e os detalhes dela. Para mostrar que papai e filhinha Matrix são felizes, eles ficam em uma floresta e tomam sorvetes juntos. É isso.

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Cindy. Aeromoça e mocinha de primeira viagem.

Esse minimalismo se repete em todas as relações pessoais durante a produção. Em certo ponto, Matrix pede ajuda a uma aeromoça que vira a mocinha do filme. Ela tem medo dele, o vê perseguido pela polícia, fica com dó e passa a ajudá-lo. É razão suficiente para que uma mulher pegue uma bazuca e a use contra policiais, certo? É quase tão coerente quanto conflitos de pin-ups. E, exatamente por ser absurdo, é tão divertido em retrospectiva.

É um excelente programa para se ver com amigos, cerveja e, de preferência, com algum papo furado para distrair, quando a ação repetitiva e sem senso de perigo entediar. Ou para quem quer apenas ver mais um desses brucutus gastos à toa.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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