Cenas que amamos – Insetos gigantes (King Kong – 2005)

Andy Serkis comido pela cabeça

Com a nova releitura do King Kong nos cinemas, vale a pena relembrar os méritos do filme que foi rapidamente esquecido de 2005. Logo após acabar a trilogia O Senhor dos Anéis, Peter Jackson se meteu a reinventar o gorila gigante… E cometeu exatamente o mesmo erro que na adaptação da obra clássica da literatura inglesa. Fez um filme longo e com gêneros demais.

A reação da moça sentada no cinema sem nenhum conhecimento sobre as intenções de Jackson e da “profundidade” por trás da franquia do rei Kong quando o filme estava para completar uma hora de duração foi um simples: “Paguei caro pra ver essa chatice e essa porra desse macaco não aparece”. Era difícil discordar dela. King Kong é uma produção de três horas longas.

Na primeira é um romance dramático sobre uma atriz em desespero que se agarra a uma oportunidade e um roteirista que se vê pego em uma armadilha de um diretor trambiqueiro. De repente, na segunda hora, vira uma aventura de ação com fortes tons de horror. E, na terceira, mistura tudo pra tentar fazer pessoas chorar com a morte do monstro. Não funciona, mas aquela hora do meio é maneira pacas.

Adrien Brody com os gafanhotos

Tem alguma coisa na minha roupa?

Em especial porque Jackson começa a matar as centenas de figurantes que vão para a ilha da caveira de formas horríveis para criar uma sensação de perigo real. O ápice é a cena do buraco dos insetos, quando alguns dos mocinhos começam a ser mortos por bichos nojentos gigantes e não têm como escapar por estar em um buraco sem saída.

Tudo colabora para uma incômoda desesperança. As mortes são assustadoras não apenas pelo que se vê, mas pelo que não é visto também. O personagem do Andy Serkis (que é mais famoso como o intérprete do Golum e do chimpanzé Ceasar) luta contra umas lesmas dentadas até que chega ao momento em que está imobilizado. A câmera se afasta e nunca mais o encontra de novo. Como ele morreu? Como aqueles bichos os separaram? Nunca se sabe.

O horror se sustenta quando gafanhotos gigantes se agarram ao protagonista e ele não consegue se soltar deles. Os takes são longos, as situações se tornam cada vez mais demoradas e sem saída. E a trilha sonora se resume a algo como um lamento constante. Como se apenas houvesse uma tristeza pelas pessoas que morrerão lentamente, com dor e de maneira nojenta.

Apenas deleite-se com ela abaixo.

Sobre Vina

Publicitário frustrado, editor, cinegrafista, assistente e sonhador. Cinema é algo que não se entende completamente. Sempre se estuda.
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